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Mostrando postagens de 2020

Crônicas do Isolamento - Futuro do Presente

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"O futuro do presente do indicativo é utilizado para indicar um fato a ocorrer num momento seguido da ação. O verbo remeterá a um fato que irá acontecer posterior ao discurso retratado. Esse tempo verbal é comumente utilizado para designar uma incerteza do agente ou ainda uma ordem do mesmo". 
Ou, uma definição atualizada que reflete o momento atual, pode também significar quarentena.  Quarentena é espera pautada nisso tudo aí: incerteza; o que vai acontecer depois do fato; o fato a ocorrer no momento seguido da ação.
Semana 16. Dia 112. Já se vão quase 4 meses em modo de espera.  

Por aqui, variamos o humor, o espaço de trabalho e o lugar dos móveis na sala.  Variamos o cardápio e o mercado. Só não variamos as notícias: os números continuam subindo.  Novos casos, muitas perdas, mais esgotamento - do sistema e das pessoas. 
Assisto ao jornal para me informar ou me alieno para não pirar? De uns tempos para cá, voltei a me ligar no que é reportado. Não só nos registros - absurdos! - da …

Crônicas do Isolamento -- Entre o choque e a esperança...

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Achei que seriam dias. Depois, semanas. Agora, já são meses.E, apesar do que se vê aqui pelo Rio de Janeiro, a pandemia segue e o isolamento deve(ria) continuar.  Até quando? Não sei e adoraria saber...
Eu, por ser diabética e por querer cuidar e proteger os meus e os que precisam estar nas ruas, continuo em casa. 
Contra toda 'instrução' de reabertura, permaneço firme na quarentena e no propósito de me preservar.  Ainda tenho a sorte de trabalhar em uma empresa que entende a importância do isolamento e já nos informou que todos vão continuar em home office até o final do ano. 
Me incomoda muito ver as pessoas na rua como se não houvesse amanhã, como se a reabertura significasse que tudo voltou ao normal e como se fossem os maiores sofredores absolutos do universo, coitadinhos, que não conseguem ficar em casa. 
São mais de 50.000 vidas perdidas nesse país. A marca de um milhão de casos registrados foi ultrapassada. Mas os shoppings estão abertos. A praia lotada. Os botecos com mesas…

Forró do Libre....

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Essa é a aventura do Libre no 'lombo'... Como??

Apliquei o Libre no flanco. Naquela parte gorduchinha (a minha tá bem gordinha!!) das costas.
Pela primeira vez, desde que comecei a usar o sensor, resolvi testar um lugar diferente do que o fabricante recomenda. A Abbott indica que a aplicação deve ser somente nos braços. Respeitei isso por 4 anos. Não por ser absolutamente cartesiana e fazer tudo como rege o manual, mas por saber que custa caro e não querer correr o risco de perder um libre por erro de uso.
- E por que decidiu usar agora? Porque os bracinhos estavam pedindo um descanso! 
De uns tempos para cá, minha absorção de insulina quando aplicava na perna diminuiu bastante. Percebi isso observando os resultados de glicemia medidos após as refeições (por isso é tão importante verificar a glicemia pós-prandial). Então, minha endócrino me orientou a não usar mais as pernocas... Com isso, o rodízio de aplicações passa pelo braço com muito mais frequência. A consequência é que o braci…

Crônicas do Isolamento -- Da licença poética de poder errar...

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Não vejo mais as notícias. Sei dos números pelo que os amigos comentam nas redes. 
Quarentena, semana 14, dia 92. Aqui, reabertura de shoppings, bares, salões e academias. Segundo as autoridades, com o respeito ao distanciamento e tomando as devidas medidas de higiene. 
Entendo e respeito os proprietários e profissionais autônomos à frente dos seus próprios negócios, que devem estar sufocados para se manter diante de um momento tão crítico e inesperado.  Mas, honestamente, não confio na dita segurança e prontidão nessa reabertura. 
Como as pessoas vão chegar nesses lugares? Como será o controle de entrada e circulação? Nos primeiros dias de volta ao funcionamento, fotos mostram shoppings lotados, pessoas andando sem o distanciamento adequado e, por mais assustador que pareça, algumas até sem máscaras.
Vendo essas coisas, fico me sentindo absolutamente neurótica.  Continuo em casa, me cuidado ao máximo.  Continuo em casa, sem ir ao mercado ou ao parque.  Continuo em casa, limpando as compras que…

Crônicas do Isolamento -- Tem que ver isso aí!

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Para quem tanto fala e abraça e encontra e gargalha, a quarentena tem deixado tudo isso um pouco guardado. Não na essência... sigo assim, lá dentro do coração. Mas aqui fora, está difícil manter isso tudo à mostra o tempo todo, enquanto há tanta coisa errada acontecendo.

Agradeço por estar bem, por estar em casa, por poder trabalhar e seguir 'assalariada', desenvolvendo, criando, contribuindo.
Agradeço pelo sossego de um filme na cama, pelo almoço fresquinho, pela insulina disponível, pelos sensores a postos para a próxima aplicação, pela segurança da família e dos amigos.

O que tem me corroído é essa atuação primária e esnobe, egoísta e criminosa da autoridade máxima do país. Segue com seus discípulos entusiasmados pelo grito sem sentido, só porque reflete o que querem ouvir: - tem que abrir; - cloroquina; - vai morrer, é a vida.

Opa, tem que ver isso aí!
Não, não "vai morrer, é a vida".
Não se a gente puder ficar em casa.
Não se a gente puder cuidar e proteger os m…

Crônicas do Isolamento -- Da escolha de todo dia...

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Sempre ouvi que o combinado não sai caro. Hoje, trabalhando na gestão de projetos e contratos, reforço essa tese com o que vivencio na prática.
E é a partir daí que me pego pensando que ninguém combinou comigo que eu teria que ficar trancada em casa. Logo em seguida, me vem outro pensamento: ninguém combinou comigo que eu ia ser diagnosticada com diabetes tipo 1.

Pois bem: no caso do DM1, consegui fazer do limão uma limonada (vez ou outra, a aventura é tanta que vira até caipirinha!). No caso da pandemia, o incômodo ainda é grande.

Claro, são tempos e situações bem diferentes. Mas, agora, depois de 70 dias de quarentena, acho que identifiquei a razão... Apesar de estar protegida, segura, trabalhando de casa com salário na conta, sei que tem muitos que estão vulneráveis. Seja por estarem sozinhos, seja por não ter um trabalho fixo, seja por não saber de onde virá a renda e o 'ganha pão' de amanhã, essa vulnerabilidade de tantos me deixa muito angustiada.

Para esses, a esperança…

Crônicas do Isolamento -- Mais um dia...

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Menos um na conta.
A cada dia que vai, é menos um que falta.  A cada dia que passa, é mais um nessa conta que já passou de 20.000 aqui em terras tupiniquins.  20.000 quando conta gente é um absurdo sem tamanho. Porquê 1 quando conta gente já é tamanho absurdo!
Se a política se sobrepõe ao valor à vida, tá tudo errado. Imagina então quando o ego rege a política que prefere reger a economia e desprezar a humanidade?  Dói. Dói muito.
Furar o dedo não dói. 20.000 pessoas contabilizadas sim. Aplicar insulina não dói. 20.000 sonhos apagados sim. E o misto de gratidão por poder estar em casa protegida versus a tristeza pelos que precisam se expor e se arriscar enquanto os irresponsáveis seguem desdenhando do próximo, também dói. Nem todo dia está tudo bem. E tudo bem! Nem todo dia a resiliência e a paciência acompanham. E tudo bem.
Nunca esse papo de "um dia de cada vez" fez tanto sentido. O cuidado com a glicemia, a meta do trabalho, a limpeza da casa... Um dia de cada vez.
Meu de…

Crônicas do Isolamento -- Entre dias reinventados...

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Quarentena, semana 10, dia 64. Que loucura! 
Os números dos gráficos seguem sendo manchete de jornal. Não gosto nem de falar sobre a quantidade de nomes e histórias que preenchem cada pontinho dessa curva.

Continuo escolhendo acompanhar de longe. Não por alienação, mas por sanidade.  O diabetes, a hipertensão, as doenças pré-existentes ainda são a máxima dos anúncios de uti's, gravidade e tudo mais... 
Enquanto isso, aqui um outro gráfico vem sendo monitorado com muito mais afinco: o das variações glicêmicas. Nunca tomei tanto cuidado com um sensor do libre preso no meu braço. Nunca cuidei tanto das horas, do rodízio de aplicações, da contagem de carboidratos. É tudo que está ao meu alcance fazer. 
Os dias passam dentro uma rotina reinventada de trabalho que agora se espreme às tarefas de casa - a comida, o mercado, a limpeza -, o sono (ou a falta dele), um filme vez ou outra, uma partidinha de buraco... E a cada dia que se soma ao placar do isolamento social, as coisas vão se e…

Crônicas do Isolamento -- E daí?

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Um casal, duas crianças. Eles, de mãos dadas, a pé; os pequenos na frente, cada um na sua bicicleta. Os quatro mascarados. Os quatro no calçadão, sem necessidade.

Quadra de basquete do Aterro do Flamengo. Dois jovens. Sem máscara. Sem necessidade.
No entorno, trabalhadores da Comlurb. Eles, essenciais; Os 'atletas', irresponsáveis.

Uma profissional que, eu imagino, seja da área médica: coberta com macacão, rosto protegido com máscara. Saindo de um prédio, deve ter ido prestar algum atendimento domiciliar, levando conforto e cuidado a quem precisa. Ela, correta. Ela, essencial. Os outros, circulando a passeio e sem se preocupar com o próximo, egoístas.

A categoria dos egoístas anda crescendo. Me entristece um tanto perceber essa verdade.
Eu também adoraria andar livremente em um dia de sol, como se fosse só mais um dia comum.
Só que não é.
Quando o comum é o noticiário sangrando pela tragédia que se espalhou no mundo, ver o egoísmo enraizado dá um aperto enorme no peito.

Hoje, …

Para cuidar de longe...

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Desde a primeira vez que eu ouvi falar sobre o Libre, sensor de monitoramento constante de glicemia, fiquei na espera.

Ele chegou, eu me rendi e sigo por aqui usando há quase 4 anos. Vez ou outra dou um intervalo e volto para os furinhos nos dedos, mas o Libre tem sido meu companheiro nessa vida de doçura.
Me habituei totalmente a ter um sensor preso no meu braço, passei a usar o tegaderm para proteger e evitar perder o Libre em um esbarrão e me senti mais livre ainda quando foi lançado o LibreLink, aplicativo de celular que faz a leitura da glicemia diretamente no smartphone.

Agora, mais um avanço: um novo aplicativo para monitoramento remoto das glicemias.
Esse aí ó:
Explicando:
O LibreLinkUp não faz as leituras das glicemias em si, mas recebe as medições que são feitas por outra pessoa através do LibreLink.  Parece confuso, mas não é. Ele permite, por exemplo, que os pais acompanhem a glicemia de um pequeno ou pequena na escola, que a irmã acompanhe a glicemia da outra em uma época…

Crônicas do Isolamento -- 136: alô!

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Telefone toca. Na tela: 136.
Opa, já sei: Ministério da Saúde.

Acompanhando algumas notícias sobre a pandemia (faço questão de não ficar mergulhada nos noticiários, para não pirar), eu sabia destas ligações que o Ministério da Saúde vem fazendo para monitorar casos suspeitos do Covid-19.

"Esta é uma gravação. Confirme se você está disposto a participar".
Com perguntas prontas e respostas simples - sim ou não - é possível passar uma visão acerca da condição de saúde de quem está desse lado da linha.

- Você está com febre e tosse?
- Você está com febre e dor de garganta?
- Você está com febre e falta de ar?

Não, não, não.
"Você não está em situação de risco".

Antes de finalizar a ligação, dicas de cuidados para prevenção: se possível, fique em casa; evite aglomerações; se tossir, cubra a boca com as mãos ou o cotovelo; lave as mãos com água e sabão o, caso não tenha, limpe com álcool gel.

São menos de 2 minutos que podem fazer a diferença para nós e para os profissio…

Crônicas do Isolamento -- Espera. Mas espera do lado de dentro...

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1 mês de ‘confinamento’.
4 semanas de um isolamento necessário, mas ainda nem tanto compreendido.

Por aqui, vez ou outra alternamos as casas. Eu e o namorado; eu, o namorado e as pequenas. Um acerto que preza pela exposição mínima de todos, com todo cuidado e proteção que somos capazes de gerenciar.

A cada dia de mudança, a gente dá uma volta maior pela cidade, para fingir uma liberdade que anda cerceada. E, no fundo, não sei se tem feito bem ou mal.
Enquanto a janela do carro vira moldura e traz a cidade enquadrada como alento para os tempos de ficar em casa, o pânico surge ao perceber a enorme quantidade de gente nas ruas.

Não se trata de pessoas que estão indo ou vindo para alguma situação ou ocorrência de serviços essenciais. Vimos grupos de amigos batendo papo, crianças de skate acompanhadas dos pais, casal tirando foto na praia...
Gente, ninguém é imune. Infelizmente, ninguém é imune.
Além disso, não é pelo um, é pelo coletivo.

Por que vocês são mais importantes que eu ou que ta…

Crônicas do Isolamento -- Fica em casa!

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Os dias de sol à pino e céu azul são um grande convite para a liberdade. Difícil manter a mente focada na ordem de ficar em casa, com o calor do outono e as cores tão vivas lá do lado de fora chamando. Mas até um dia nublado e chuvoso - em tempos em que sair não é uma opção - me trazem a vontade de ir para a rua (adoro banho de chuva!).
Só que é preciso ficar em casa.
Acorda, abre a janela, dá uma espiadinha nos arredores, respira fundo... aquele sorriso para o sol dando um alô e um bom dia. Aí vem o primeiro bug do cérebro: - mas tem um monte de gente lá fora!
Não consigo entender.  A não ser pelas pessoas que trabalham nos serviços essenciais e que precisam manter a rotina de idas e vindas; a não ser por aqueles que - infelizmente - precisam manter qualquer atividade que gere remuneração em andamento, senão não conseguem se manter comendo e morando; a não ser por aqueles que precisam sair por um momento para comprar remédios, insumos ou o básico necessário para se manter em casa dep…

Crônicas do Isolamento -- Da cumplicidade que vem dos pares...

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Viver com uma ameaça pelo caminho que é invisível aos olhos mas agressiva a ponto de tirar a vida de uma pessoa, é aflito. Apesar de poder ficar em casa quietinha, me protegendo e me cuidando, o assunto - e o vírus - estão por aí, ainda sem previsão de data para ir embora (#vazacorona!).

Tento manter a minha positividade e isso me faz um bem danado (daí, inclusive, a decisão por não acompanhar as notícias a tempo e a hora). Mas vez ou outra chega a informação de um caso de alguém que é próximo ou conhecido de amigos, familiares...
E aí tem horas que a gente balança. Haja resiliência e calma para seguir no prumo!

Há alguns dias soube do caso de uma amiga dessa vida doce com diagnóstico de covid-19 confirmado. Confesso que me assustei! Fiquei meio travada na notícia, depois de ler o depoimento dela sobre os sintomas, a internação e o tratamento.
A única coisa que me vinha na cabeça era "risco". O tal do grupo de risco.
Nós somos desse grupo. Esaa é a verdade e ponto.

Calma.
Re…

Crônicas do Isolamento -- Amanhã vai ser outro dia...

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Vai ou fica? Sai ou não sai?
Mantém ou mexe um pouquinho?

Fica. Fica em casa!

Aí vem outra questão: ficar sozinha ou não?
Sei que eu estou no grupo de risco. Só que também sei que estou bem e que sigo com foco no melhor controle possível da glicemia, para minimizar esse risco... Por isso, depois de muito pensar e de muito papo com o namorado, decidi que eu ia.

Uma mudança rápida, de uma casa para outra, com uma escala no caminho para pegar as pequenas que vão ficar junto pela próxima semana. Energia diferente para renovar os ânimos e trazer uma leveza entre as horas!

Na prática, ainda que seja uma mudança só de local, mantendo a limitação de estar 'confinada' em um espaço físico, estar junto é bem melhor. E, em se tratando de limite, a movimentação para sair de uma casa e ir até a outra fica no limite entre uma operação de guerrilha e uma comédia pastelão: papel para apertar o botão do elevador; esquece uma coisa em casa e volta; abre o carro; borrifa a solução de água com águ…

Crônicas do Isolamento -- Do lado de cá...

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Sempre tive dificuldade em fazer aquelas atividades de planejar onde eu gostaria de estar e o que eu gostaria de estar fazendo em 5 ou 10 anos. As poucas vezes que uma dinâmica empresarial me pedia esse tipo de coisa, me forcei a escrever alguma coisa no papel só para constar. Não sabia o que eu ia querer fazer na semana seguinte, imagina tantos anos à frente!

Na teoria, continuo pensando da mesma forma. Mas hoje, em tempos de quarentena, uma coisa mudou: sei exatamente onde eu imagino (querer) estar semana que vem, e na outra, e depois: na rua!! Na chuva, na fazenda, numa casinha de sapê, no mar, no escritório, na casa da Mamy...   

Antes, com a correria dos dias da rotina divididos entre trabalho, atividade física, casa, família, amigos, lazer, em vários momentos me peguei pensando em como gostaria de ficar em casa quietinha. E agora?! Agora eu estou em casa quietinha e queria sair! Acho que é normal - e coletivo - esse sentimento, né?

Sol, praia, vento no rosto, carona na garupa d…

Crônicas do Isolamento -- Um dia de cada vez...

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Optei por me afastar um pouco das notícias.
No início desse movimento de ficar em casa, estava totalmente ligada aos jornais e à evolução da pandemia, no Brasil e mundo afora. Depois, ouvindo relatos dos casos mais graves e até dos fatais, a ansiedade foi crescendo.

Uma palavra gritava nas chamadas de cada reportagem: diabetes.
... grupo de risco: diabetes
... CTI: diabetes
... histórico anterior: diabetes
... complicações: diabetes
(acho que nem no Dia Mundial eu escuto falar tanto sobre o diabetes).

Sim, é verdade que pessoas com diabetes podem ser mais suscetíveis e estão incluídas no grupo de risco para o coronavirus. Esse tal, que chegou no susto e está fazendo o mundo parar, segue como protagonista da vida e das estatísticas. Mas acompanhar esse assunto o dia inteiro estava me deixando fora do eixo. Me senti alvo! Decidi, então, me desligar - em parte - e checar as informações da pandemia no início do dia ou à noite.

Estou longe de ser alarmista, ao contrário, sempre fui a apont…

Crônicas do Isolamento -- Mente, corpo e doçura em tempos de Quarentena

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Porra! (desculpem, mas em tempos de liberdade cerceada, vale a liberdade de expressão!!) Quarentena?  Eu tenho insulina? Eu tenho tirinha? Eu tenho agulha? Ufa, tenho!  Na dúvida, antecipei a compra de novos insumos (faltavam uns 10 dias para comprar a nova leva...). Mas e a glicemia, como lidar? No que esse isolamento pode interferir no controle da glicemia?

Vamos por partes! Ficar em casa é ótimo e aqui faço um à parte: tenho a sorte de poder trabalhar em esquema de home office, minha empresa dispensou os funcionários sem distinção, estou protegida e o que me falta é gerenciar a saudade e a falta dos abraços. Sou gente de abraço e de abraçar, me faz bem para corpo e alma. 
Mas e a glicemia?
Aí me cabe organizar a ansiedade, as refeições, a vontade ficar roendo quitutes gostosinhos o dia todo... E junto com isso, medir, medir, medir e medir mil vezes.  Uma chamdade de vídeo aqui e outra ali para ajudar a acalmar o coração.
E uma mistura de sentimentos e vontades... quero ficar em c…

Era uma vez uma caneta de insulina...

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Na movimentação agitada entre confetes e serpentinas, lá se foi uma caneta de insulina. E eu nem percebi!

Um ensaio aberto do bloco, amigos junto, uma quinta-feira qualquer, tamborim, purpurina, pochete... De repente, uma chuvarada! Ruas alagadas, calçada alagada... Conseguimos ficar protegidos no bar e, mesmo com atraso por conta do temporal, o ensaio aconteceu.
Diversão, batucada e como no dia seguinte seria dia de labuta, fui para casa assim que o ensaio acabou.

Quando estava abrindo a porta de casa, recebo uma mensagem de uma amiga:
Entrei em choque!

Raramente saía para ensaios, shows ou blocos com essa caneta. Levava a descartável, porque sei que a NovoPen Echo é mais delicada e mais cara!!
Não sei o que me deu nesse dia... Mas o fato é que a pochete deve ter ficado um pouquinho aberta e esse pouquinho foi o suficiente para a caneta escapar sem que eu nem percebesse.

Fiquei realmente chateada. Cheguei a pegar a caneta de volta para tentar usar, mas estava sem tampa, tinha rolado …

Onze anos bons...

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Ainda lembro com absoluta clareza do dia e do momento do meu diagnóstico. Fui para a consulta sem nem imaginar o que me esperava.
- Nossa, mas com a glicemia de jejum em 330mg/dL você nem desconfiava?
Não.

Na minha cabeça, era algo passageiro, causado pela correria da época. Trabalhava sei lá quantas horas por dia, entre Rio, Maranhão e Tocantins, voando de um lado para outro sem parar. Não me alimentava da melhor maneira e descanso era um luxo só para os finais de semana. Com essa rotina louca, claro que o corpo ia se desorganizar. Então, esse exame esquisito era o sinal: bastava um cuidado e uns ajustes aqui e ali e tudo voltaria para o seu devido lugar...

Claro que não foi isso que aconteceu e eu fiquei em choque.
- Mas eu nem como doce.
- Mas eu como comida, arroz e feijão!
- Mas eu nem tô gordinha.

Um monte de argumentos que, aquela hora, eu ainda não sabia que não significavam nada em relação ao diabetes tipo 1.

Hoje eu sei. Eu aprendi!
Na verdade, eu busquei aprender, fui atrás…

Status: recarregada!!

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Todo Carnaval tem seu fim!! Foram dias - meses! - de diversão entre a batucada e os cortejos nos blocos, regados a muita purpurina.

A maratona começou lá na virada do ano, com um show logo nas primeiras horas desse 2020. De lá pra cá, teve rua, teve palco e teve muita atenção à doçura.

Desde o meu diagnóstico, acho que o meu maior medo em relação ao diabetes é não poder ter a liberdade de fazer o que eu gosto. Pego isso como motivação e guia do meu tratamento!
Eu sei que diabetes é condição que não limita, mas sei que é condição séria que precisa de atenção. Mais: sei também que se eu cuidar direitinho, meu risco de desenvolver uma complicação diminui bastante.

Pronto! É assim que vou em frente todo dia, até quando a preguiça de furar o dedinho aparece. Não é porque tenho praticamente 11 anos de diagnóstico e estou acostumada à rotina de monitorização e aplicações de insulina que não me canso. Só que esta responsabilidade é minha e o cuidado continua sendo a minha escolha diária.

Por …

Rio 40 graus: sensor ou ponta de dedo?

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Adoro o verão! Dias claros, que brilham. Um dia de sol traz mais energia, parece que fica mais alegre. Mas um dia de sol também traz mais protetor solar, mais suor... e menos tempo com o Libre aplicado. Alguém percebe isso?

Por aqui, só em janeiro foram dois sensores que caíram antes do final do prazo: um com 9 dias e outro com 8. Sendo um produto europeu, tenho minhas convicções de que o adesivo realmente não aguenta a nossa 'quentura'. Acredito que a adesão na pele acaba sendo prejudicada pela exposição maior do sensor à altas temperaturas e os cuidados que temos em função disso.

Como já contei, eu uso o tegaderm para proteger o Libre e evitar que um esbarrão mais descuidado arrenque o sensor do meu braço. Só que, com o calor, o adesivo vai saindo e ficando meio nojentinho com dois ou três dias de uso. Acabo trocando com mais frequência e aí este pode ser mais um fato que interfere para o sensor sair antes do prazo previsto.

Em resumo, pela minha vivência nessas semanas de v…

A cidade de luz e prazer...

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Mais uma viagem para a conta! Foi um bate e volta bem rápido em Salvador, mas que já deixou saudades e uma enorme vontade de ir de novo, com mais calma.

A energia que flui naquela cidade é incrível e em um final de semana de festejos para Yemanjá, isso só aumenta.

Saímos sexta à noite do Rio, praticamente direto do trabalho. Chegamos lá e fomos levados pelo cheiro do acarajé até as ruas do Rio Vermelho. Boas vindas com gostinho mais baiano não tem!
Mas e a glicemia?? Até aqui tudo bem. A dúvida que pairava no era: qual a quantidade de carboidratos de um acarajé e como isso ia interferir na minha doçura?

Por aqui, no dia a dia, tenho uma visão mais clara do quanto que os alimentos do dia a dia interferem na minha glicemia. Por exemplo, arroz branco eu conto mais do que é indicado na tabela de carboidratos da Sociedade Brasileira de Diabetes, porque se for usar a quantidade indicada não vai ser suficiente.

Voltando ao acarajé, por conta dessas variações que podem acontecer com cada ali…

Para caminhar no novo ciclo...

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Aniversário, para mim, é como um novo réveillon. Adoro sentir a energia que vem dos abraços, dos desejos de bem, dos sorrisos.

E aquele momento de repensar e refazer promessas:
- vou aplicar insulina 15 minutos antes das refeições
- vou fazer o rodízio de aplicações com a maior atenção
- vou tomar cuidado com a conservação das insulinas sempre que sair por aí
- vou me planejar para garantir que os insumos não acabe antes de renovar o estoque
- vou buscar me alimentar sempre com equilíbrio
- vou manter meus exames em dia... e por aí vai.

"Nossa, quanta coisa"...
Nem tanto. Isso é o mínimo e nem é novidade, é só uma reflexão com a nova idade. Uma vontade de seguir 'funcionando' direitinho, sabe?

Eu adoro comemorar o meu aniversário. Não tenho qualquer problema com essa coisa de ficar mais velha. E, no fundo, convivendo com uma doença crônica, só tenho a certeza de que tenho muito o que comemorar.

Quase chegando aos 11 anos de diagnóstico e, até aqui, sem qualquer compl…

A vida nas prateleiras...

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Não é de hoje que o preço dos insumos e insulinas vem aumentando.
Cada vez que preciso renovar meu estoque, faço uma pesquisa por quatro ou cinco farmácias. A variação pode chegar a 30% do valor...
Isso faz muita diferença!

Além disso, fico de olho nas promoções, seja online ou nas lojas físicas. E se encontro uma lanceta ou as agulhas, por exemplo, com preço melhores, já aproveito para comprar em maior quantidade.

Esse hábito acabou gerando um outro: toda vez que eu viajo, seja no Brasil ou para outro país, aproveito para 'passear' por farmácias e ver o que tem disponível e quais os preços praticados.

Aqui em terras tupiniquins, por exemplo, já vi capital de estado não ter insulina disponível. Para comprar, seria necessário esperar alguns dias, até que o farmacêutico encomendasse de Brasília. Em compensação, também já pude conhecer histórias de acesso a Bomba e Sensor numa cidadezinha de interior no Nordeste.
Por que então a diferença? Na minha opinião, aqui entra o compromis…