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Mostrando postagens de 2020

É preciso estar atento e forte!

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14/11 - Dia Mundial do Diabetes.  Até março de 2009, eu mal sabia que existia mais de um tipo de diabetes. Logo naqueles primeiros dias de diagnóstico , uma enxurrada de novos termos e novos processos vieram: lanceta, glicosímetro, basal, bôlus, hipoglicemia, contagem de carboidratos...  Fácil não foi, mas com o apoio que eu tive, foi super possível. Família, amigos - os de perto e os de longe, no trabalho, no pilates, no carnaval! Essa rede foi muito importante para eu ter certeza de que não estava sozinha, de que realmente tinham pessoas ao meu redor prestando atenção e me dando a mão.  No começo tudo ainda é muito confuso. Doses de insulina, os altos e baixos da glicemia, refeições, horários das aplicações, exames, resultados...  ˜ Atenção ao dobrar uma esquina  Uma alegria, atenção menina Você vem, quantos anos você tem? Atenção, precisa ter olhos firmes Pra este sol, pra esta escuridão Atenção  Tudo é perigoso Tudo é divino maravilhoso ˜ Eu tinha, naquela época, 31 anos e, de repe

Pra ser e acreditar...

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Já é novembro. E a única coisa certa por aqui é que o cuidado com a doçura do diabetes se mantém em foco. No mês de conscientização pelo diabetes, a vontade de sair prece maior! Ir para a rua, para os lugares de maior movimento, para o pátio do hospital, para as arquibancadas do estádio. Falar, Dividir, dar as mãos! Estar junto e mostrar que a convivência com o diabetes pode sim ser mais leve e mais fluida. Que insulina é pelo nosso bem. Que educação em diabetes e contagem de carboidratos funcionam. Que não tem culpa, não tem peso. A pandemia e o isolamento nos impedem de estar do lado de lá das paredes. Mas a vontade de compartilhar e de ouvir e de trocar não cessam! O Dia Mundial do Diabetes, desse catorze de novembro, vem para ajudar a lembrar que a gente é muito maior que o diabetes. E que o diabetes não é uma sentença.  O diabetes - do meu tipo, do seu tipo - chega chegando! Chega sem pedir licença, chega sem avisar que vem. O susto e o medo chegam junto. E a maior ferramenta cont

Jejum e ansiedade pré-exame: o 'antigo' normal nos tempos de quarentena!

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Mesmo depois de 11 anos de diabetes, fazer os exames periódicos para acompanhamento ainda é uma coisa que me deixa ansiosa. Ter que ficar de jejum por algumas horas me traz uma ansiedade enorme de entrar em hipoglicemia.  Com a mudança de parâmetros para alguns exames, reduzindo de 12h para 8h esse intervalo de jejum, já melhorou bastante! De fato, não tenho tido grandes episódios de hipo nesses casos, mas segue a expectativa por furar o bracinho, coletar o sangue e  cumprir com a missão.  Há algum tempo, justamente por conta dessa tensão de hipo pré-exame, optei por fazer a coleta domiciliar. Mesmo com a prioridade no laboratório ( Lei estadual 7434/2016 : " os hospitais, clínicas, postos de saúde e laboratórios de coleta de sangue, públicos e privados, credenciados ou não à Rede Estadual de Saúde, ficam obrigados a oferecer atendimento diferenciado aos portadores de Diabetes Mellitus, no tocante aos horários de exames que venham a ser feitos em caráter de jejum total, dando-lhes

Consulta em tempos de pandemia: que dilema!

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Uma hipoglicemia daqui, outra dali... Mais uma, e mais outra e um movimento de repetição percebido numa sequência quase diária. Só tinha uma coisa a fazer: chamar a minha Super Endócrino! Mandei uma mensagem para ela e decidimos que, como já tinha um certo tempo que eu não ia lá, o ideal era marcarmos uma consulta.  Ela voltou a atender pessoalmente há dois meses - inclusive, por trabalhar em hospitais e ter ficado na linha de frente, ela teve COVID logo no início das pandemia - e eu estava realmente precisando sair de casa, ainda que fosse para uma consulta médica! Desta vez, fui sem exames (não consegui achar o último que tinha feito de jeito nenhum... e estava achando isso bem estranho!).  Máscara, álcool, carona do namorado para ir e vir, me poupando de taxis ou transporte público. No prédio onde fica o consultório, o único incômodo: pessoas que não respeitam regras!! Só podem dois no elevador, entra um terceiro [fiquei tão chocada que nem consegui agir...], tem que usar máscaras,

Crônicas do Isolamento -- Reflexos de uma Quarentena

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Lá se vão 6 meses! Passei pelas 5 fases:  Negação: no começo, achei que fosse só uma questão pontual que não chegaríamos aos números tão absurdos de casos e óbitos. Raiva: fiquei louca vendo que as pessoas não respeitavam as orientações de segurança e prevenção... já tinha percebido que esse era o caminho para deixar a situação um pouco menos grave. Negociação / barganha: comecei a agir em todas as minhas 'frentes': amigos, família, namorado, colegas de trabalho. Minha intenção era só uma: garantir que todos os que eu quero bem tivessem entendido a importância de ficar em casa, protegidos. Minhas ferramentas foram simples: facilitar o acesso a mercado e diversão online!!  Depressão: me fechei para tudo e para todos. Não queria ver notícias, não queria conversar pela tela do computador, não queria participar de eventos online, não queria mais falar sobre o assunto. Travei! Me voltei para a casa e o trabalho. Só! Não tinha vontade de fazer mais nada. Até dos meus livros eu estava

Crônicas do Isolamento - - Querendo ver o mais distante...

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Agosto passou.  Desde o começo dessa situação declarada de quarentena, só coloquei a carinha na rua 3 vezes. Por aqui, tenho a sorte de estar protegida em casa, ter mercados próximos que seguem abastecidos e fazendo entrega, insulinas e sensores em quantidades suficientes, o trabalho andando bem e os meus com saúde.  Lá fora, as notícias continuam me assustando. Não me conformo com o egoísmo e a falta de senso comum de tantos... Do uso de máscaras ao distanciamento do outro, a falta de respeito é enorme. E o que me parece é que a cada notícia de queda do número de casos, isso tudo se amplia na mesma proporção dos novos casos de óbitos que vêm em seguida.  Uma loucura essa conta! Não consigo acompanhar e, ao mesmo tempo, me manter tão positiva. Ainda não alcancei esse equilíbrio...Por mais que já tenham ido meses assim. Não me acostumei com a falta de política pública para proteger nossa gente.  Não me acostumei com as máscaras no queixo - e agora, no cotovelo, a nova moda! Não me acost

Tim-Tim!

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Quando se pensa em diabetes, o que vem de imediato é sempre cercado de tabu: vai ficar cego, vai amputar, vai isso, vai aquilo.... Ainda se prendem à ideia de que o diagnóstico do diabetes é sinônimo de uma vida cheia de limitações.  Por isso, ter pessoas experientes - seja pela profissão, seja pela vivência com a condição - falando sobre assuntos que trazem dúvida, é um alento! E foi assim que a ADJ - Associação de Diabetes Brasil juntou um grande time para falar sobre 'O Consumo de Bebidas Alcoólicas e o Diabetes':  Denise Franco (endocrinologista), Juliana Baptista (que é nutricionista, educadora em diabetes e tem DM1 há 33 anos), Beatriz Bernardo (nutricionista) e Moizes Barros (bartender). Quando eu fui diagnosticada, dei a sorte de ter no caminho uma médica que, em vez de me trazer os clássicos 'nãos' diabéticos, me explicou que eu ia aprender, com calma, que com educação e autocuidado eu poderia ir em frente sem medo. Assim aconteceu. A educação em diabetes foi

Na onda dupla...

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Aparecer nas redes sociais dividindo a vida diabética com todo mundo me trouxe muitos amigos, muitos aprendizados, muitos desafios no que diz respeito ao meu controle e à minha busca sempre por um autocuidado cada vez maior.  Hoje - 11 anos e meio depois do diagnóstico e quase 10 anos após o primeiro post no Blog - fico feliz com o retorno que tenho de tanta gente agradecendo pelo que eu compartilho e até em como inspiro. Poder ajudar só mostrando minha própria vivência como exemplo é tão gratificante! Mas, desde que fiz os testes com a bomba de insulina e decidi não adotar como tratamento, essa se tornou a situação de maior dúvida e questionamento!! E eu faço questão de responder, sem qualquer problema. Não me adaptei, não gostei de ter algo pendurado em mim o tempo todo, minha glicemia ficou muito instável e eu preferi seguir com as múltiplas injeções diárias de insulina.  (Para quem quiser saber mais sobre esse processo, desde o início dos teste até a decisão de parar, é só clicar n

Crônicas do Isolamento -- Um tanto de quarentena...

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Uma sensação de meses vazios. Sem encontros, sem sair por aí, sem poder ir e vir. Ainda assim, sei que sou privilegiada: estou em casa, protegida da pandemia, garantindo meu trabalho, meus insumos, meus momentos de descontração. Procuro fazer tudo que está ao meu alcance para tentar manter mente e corpo são. (quer dizer, sendo bem honesta, o corpinho tá meio de lado com a falta de exercícios... essa parte eu ainda não consegui organizar e ter o ímpeto de começar) O que de mais certo eu continuo fazendo é ficar de olho na minha doçura. Meço a glicemia umas oito vezes por dia e fico alerta à qualquer variação esquisita. Foi justamente por isso que levei um susto um dia desses.  Medi antes de dormir e estava numa boa: 89mg/dL. Relaxei! No dia seguinte, medi na maior tranquilidade e lá estava um resultado de 185mg/dL gritando!! Um início de pânico achando que poderia ser um sinal do tal do covid-19 enquanto buscava pela calmaria, tentando entender o que poderia ter acontecido. Até que me d

Crônicas do Isolamento -- O Bem do Mar

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A minha quarentena tem sido com tudo a que se propõe: isolamento, sem contato social, sem aglomeração, sem saidinhas para resolver o que quer que seja. Dou sorte - e agradeço! - por trabalhar em uma empresa que instituiu o home office mesmo antes disso ser regra de prevenção, por ter mercados próximos que funcionam bem no esquema de entregas e, ainda, celebro a alegria de não estar passando por essa loucura sozinha. Me apavora não termos uma governabilidade decente e que preze pelo ser humano. Nem políticas públicas de saúde, nem sociais. Juntando todos esses fatos ao de que faço parte do grupo de risco pela doçura do diabetes tipo 1 que me acompanha, fico isolada enquanto posso.  Quatro meses e dez dias após o início dessa quarentena, depois de muita conversa, de discussão de processos, de planejar horários, definir local e organizar a família, decidimos ir à praia. Cedinho e tomando todos os cuidados, fomos até a Reserva. Em mãos, só o necessário. Água, lanchinhos, brinquedos para as

Crônicas do Isolamento -- Da insulina ao café!

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Na minha rotina de dias úteis antes de pandemia e quarentena, as atividades fluíam de uma maneira mais ou menos padrão, bem organizada. Despertador, banho, café - na maioria das vezes, já pelo caminho, metrô, uma caminhada até a estação das barcas e aqueles 20 minutos de tranquilidade atravessando a baía. Como o escritório fica em Niterói, me dava ao luxo de ter esse tempinho navegando. Um cochilo, uma leitura, um email... essa travessia dá tempo para fazer muitas coisas ou até para não fazer nada e só relaxar. Pensar na vida, na escrita, no cinema. Na reunião, no contrato, nas glicemias...  Aliás, nesse tempinho dava até para aplicar a insulina, quando o despertador eventualmente era deixado de lado e eu saía correndo de casa, tentando recuperar o atraso! Agora, em época de quarentena, estou com saudade até de correr pela Praça XV, quando via o sinal da catraca das barcas piscando. Aquele monte de xis vermelho gritando para mim que a barca ia sair era o maior fator motivador! A pregui

Crônicas do Isolamento -- Do lado de lá do portão...

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Este foi um final de semana de diferentes emoções.  Depois de quatro meses dentro do meu quadrado, saí. Uma mistura de sensações: de um lado, a alegria por poder respirar do lado de lá da minha janela; do outro, a agonia em perceber que, por um bom tempo, máscara e distância vão ser o combo desse tal novo normal. Sábado decidimos dar uma volta de bike. Rafa pilotando, eu na carona. Seguimos para o Aterro do Flamengo. Caminhei por um tempo nos trechos mais vazios, só não tive coragem de andar encarando os espaços cheios. Gente curtindo sol na grama longe dos outros, gente aglomerada no bar, gente fazendo exercício com o cuidado em se manter longe e protegido pela máscara, gente que virou atleta de ocasião sem máscara e sem fôlego... Gente, muita gente!  Eu vinha acompanhando pelas fotos nos jornais entre uma liberação e outra do prefeito que a praias, os restaurantes e os espaços estavam cheios. Ver a olho nu que a gente está numa cidade que não tem controle, não tem direção e não tem p

Crônicas do Isolamento -- Vai passar ou já passou??

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Nas poucas vezes que saio de casa, fico prestando atenção ao movimento e comportamento das pessoas na rua. Do carro, vejo pessoas sem qualquer cerimônia desfilando sem máscara nenhuma, vejo máscaras no queixo, vejo uns três ou quatro papeando aglomerados em uma esquina. Vejo um fluxo de gente indo e vindo bem maior do que eu gostaria de ver.  Vejo que a cidade quase funcionando como se tudo tivesse passado. A volta após um isolamento que nunca foi, de fato, uma realidade...  Entre os que precisam manter as idas e vindas incessantemente - os essenciais nas frentes de serviços e os que por necessidade não puderam se dar ao luxo de ficar em casa esperando - me solidarizo e espero que fiquem bem no meio deste caos.  Dos que acham que tem que sair porque, poxa vida, não aguentam mais ficar no conforto do seu lar se protegendo e protegendo o próximo, minha paciência já se foi faz tempo! As notícias continuam mostrando registros assustadores. E, por mais que se declare agora que o número de n

Crônicas do Isolamento - Futuro do Presente

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" O futuro do presente do indicativo é utilizado para indicar um fato a ocorrer num momento seguido da ação. O verbo remeterá a um fato que irá acontecer posterior ao discurso retratado. Esse tempo verbal é comumente utilizado para designar uma incerteza do agente ou ainda uma ordem do mesmo ".  Ou, uma definição atualizada que reflete o momento atual, pode também significar quarentena.  Quarentena é espera pautada nisso tudo aí: incerteza; o que vai acontecer depois do fato; o fato a ocorrer no momento seguido da ação. Semana 16. Dia 112. Já se vão quase 4 meses em modo de espera.   Por aqui, variamos o humor, o espaço de trabalho e o lugar dos móveis na sala.  Variamos o cardápio e o mercado. Só não variamos as notícias: os números continuam subindo.  Novos casos, muitas perdas, mais esgotamento - do sistema e das pessoas.  Assisto ao jornal para me informar ou me alieno para não pirar? De uns tempos para cá, voltei a me ligar no que é reportado. Não só nos registros - absu

Crônicas do Isolamento -- Entre o choque e a esperança...

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Achei que seriam dias. Depois, semanas. Agora, já são meses. E, apesar do que se vê aqui pelo Rio de Janeiro, a pandemia segue e o isolamento deve(ria) continuar.  Até quando? Não sei e adoraria saber... Eu, por ser diabética e por querer cuidar e proteger os meus e os que precisam estar nas ruas, continuo em casa.  Contra toda 'instrução' de reabertura, permaneço firme na quarentena e no propósito de me preservar.  Ainda tenho a sorte de trabalhar em uma empresa que entende a importância do isolamento e já nos informou que todos vão continuar em home office até o final do ano.  Me incomoda muito ver as pessoas na rua como se não houvesse amanhã, como se a reabertura significasse que tudo voltou ao normal e como se fossem os maiores sofredores absolutos do universo, coitadinhos, que não conseguem ficar em casa.  São mais de 50.000 vidas perdidas nesse país. A marca de um milhão de casos registrados foi ultrapassada. Mas os shoppings estão abertos. A praia lotada. Os botecos co

Forró do Libre....

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Essa é a aventura do Libre no 'lombo'... Como?? Apliquei o Libre no flanco. Naquela parte gorduchinha (a minha tá bem gordinha!!) das costas. Pela primeira vez, desde que comecei a usar o sensor , resolvi testar um lugar diferente do que o fabricante recomenda. A Abbott indica que a aplicação deve ser somente nos braços. Respeitei isso por 4 anos. Não por ser absolutamente cartesiana e fazer tudo como rege o manual, mas por saber que custa caro e não querer correr o risco de perder um libre por erro de uso. - E por que decidiu usar agora? Porque os bracinhos estavam pedindo um descanso!  De uns tempos para cá, minha absorção de insulina quando aplicava na perna diminuiu bastante. Percebi isso observando os resultados de glicemia medidos após as refeições (por isso é tão importante verificar a glicemia pós-prandial ). Então, minha endócrino me orientou a não usar mais as pernocas... Com isso, o rodízio de aplicações passa pelo braço com muito mais frequência. A consequência é qu

Crônicas do Isolamento -- Da licença poética de poder errar...

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Não vejo mais as notícias. Sei dos números pelo que os amigos comentam nas redes.  Quarentena, semana 14, dia 92. Aqui, reabertura de shoppings, bares, salões e academias. Segundo as autoridades, com o respeito ao distanciamento e tomando as devidas medidas de higiene.  Entendo e respeito os proprietários e profissionais autônomos à frente dos seus próprios negócios, que devem estar sufocados para se manter diante de um momento tão crítico e inesperado.  Mas, honestamente, não confio na dita segurança e prontidão nessa reabertura.  Como as pessoas vão chegar nesses lugares? Como será o controle de entrada e circulação? Nos primeiros dias de volta ao funcionamento, fotos mostram shoppings lotados, pessoas andando sem o distanciamento adequado e, por mais assustador que pareça, algumas até sem máscaras. Vendo essas coisas, fico me sentindo absolutamente neurótica.  Continuo em casa, me cuidado ao máximo.  Continuo em casa, sem ir ao mercado ou ao parque.  Continuo em casa, limpando as co

Crônicas do Isolamento -- Tem que ver isso aí!

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Para quem tanto fala e abraça e encontra e gargalha, a quarentena tem deixado tudo isso um pouco guardado. Não na essência... sigo assim, lá dentro do coração. Mas aqui fora, está difícil manter isso tudo à mostra o tempo todo, enquanto há tanta coisa errada acontecendo. Agradeço por estar bem, por estar em casa, por poder trabalhar e seguir 'assalariada', desenvolvendo, criando, contribuindo. Agradeço pelo sossego de um filme na cama, pelo almoço fresquinho, pela insulina disponível, pelos sensores a postos para a próxima aplicação, pela segurança da família e dos amigos. O que tem me corroído é essa atuação primária e esnobe, egoísta e criminosa da autoridade máxima do país. Segue com seus discípulos entusiasmados pelo grito sem sentido, só porque reflete o que querem ouvir: - tem que abrir; - cloroquina; - vai morrer, é a vida. Opa, tem que ver isso aí! Não, não "vai morrer, é a vida". Não se a gente puder ficar em casa. Não se a gente puder cuidar e prot

Crônicas do Isolamento -- Da escolha de todo dia...

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Sempre ouvi que o combinado não sai caro. Hoje, trabalhando na gestão de projetos e contratos, reforço essa tese com o que vivencio na prática. E é a partir daí que me pego pensando que ninguém combinou comigo que eu teria que ficar trancada em casa. Logo em seguida, me vem outro pensamento: ninguém combinou comigo que eu ia ser diagnosticada com diabetes tipo 1. Pois bem: no caso do DM1, consegui fazer do limão uma limonada (vez ou outra, a aventura é tanta que vira até caipirinha!). No caso da pandemia, o incômodo ainda é grande. Claro, são tempos e situações bem diferentes. Mas, agora, depois de 70 dias de quarentena, acho que identifiquei a razão... Apesar de estar protegida, segura, trabalhando de casa com salário na conta, sei que tem muitos que estão vulneráveis. Seja por estarem sozinhos, seja por não ter um trabalho fixo, seja por não saber de onde virá a renda e o 'ganha pão' de amanhã, essa vulnerabilidade de tantos me deixa muito angustiada. Para esses, a esp

Crônicas do Isolamento -- Mais um dia...

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Menos um na conta. A cada dia que vai, é menos um que falta.  A cada dia que passa, é mais um nessa conta que já passou de 20.000 aqui em terras tupiniquins.  20.000 quando conta gente é um absurdo sem tamanho. Porquê 1 quando conta gente já é tamanho absurdo! Se a política se sobrepõe ao valor à vida, tá tudo errado. Imagina então quando o ego rege a política que prefere reger a economia e desprezar a humanidade?  Dói. Dói muito. Furar o dedo não dói. 20.000 pessoas contabilizadas sim. Aplicar insulina não dói. 20.000 sonhos apagados sim. E o misto de gratidão por poder estar em casa protegida versus a tristeza pelos que precisam se expor e se arriscar enquanto os irresponsáveis seguem desdenhando do próximo, também dói. Nem todo dia está tudo bem. E tudo bem! Nem todo dia a resiliência e a paciência acompanham. E tudo bem. Nunca esse papo de "um dia de cada vez" fez tanto sentido. O cuidado com a glicemia, a meta do trabalho, a limpeza da ca

Crônicas do Isolamento -- Entre dias reinventados...

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Quarentena, semana 10, dia 64. Que loucura!  Os números dos gráficos seguem sendo manchete de jornal. Não gosto nem de falar sobre a quantidade de nomes e histórias que preenchem cada pontinho dessa curva. Continuo escolhendo acompanhar de longe. Não por alienação, mas por sanidade.  O diabetes, a hipertensão, as doenças pré-existentes ainda são a máxima dos anúncios de uti's, gravidade e tudo mais...  Enquanto isso, aqui um outro gráfico vem sendo monitorado com muito mais afinco: o das variações glicêmicas. Nunca tomei tanto cuidado com um sensor do libre preso no meu braço. Nunca cuidei tanto das horas, do rodízio de aplicações, da contagem de carboidratos. É tudo que está ao meu alcance fazer.  Os dias passam dentro uma rotina reinventada de trabalho que agora se espreme às tarefas de casa - a comida, o mercado, a limpeza -, o sono (ou a falta dele), um filme vez ou outra, uma partidinha de buraco... E a cada dia que se soma ao placar do isolamento social, as

Crônicas do Isolamento -- E daí?

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Um casal, duas crianças. Eles, de mãos dadas, a pé; os pequenos na frente, cada um na sua bicicleta. Os quatro mascarados. Os quatro no calçadão, sem necessidade. Quadra de basquete do Aterro do Flamengo. Dois jovens. Sem máscara. Sem necessidade. No entorno, trabalhadores da Comlurb. Eles, essenciais; Os 'atletas', irresponsáveis. Uma profissional que, eu imagino, seja da área médica: coberta com macacão, rosto protegido com máscara. Saindo de um prédio, deve ter ido prestar algum atendimento domiciliar, levando conforto e cuidado a quem precisa. Ela, correta. Ela, essencial. Os outros, circulando a passeio e sem se preocupar com o próximo, egoístas. A categoria dos egoístas anda crescendo. Me entristece um tanto perceber essa verdade. Eu também adoraria andar livremente em um dia de sol, como se fosse só mais um dia comum. Só que não é. Quando o comum é o noticiário sangrando pela tragédia que se espalhou no mundo, ver o egoísmo enraizado dá um aperto enorme no peit

Para cuidar de longe...

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Desde a primeira vez que eu ouvi falar sobre o Libre , sensor de monitoramento constante de glicemia, fiquei na espera. Ele chegou , eu me rendi e sigo por aqui usando há quase 4 anos. Vez ou outra dou um intervalo e volto para os furinhos nos dedos, mas o Libre tem sido meu companheiro nessa vida de doçura. Me habituei totalmente a ter um sensor preso no meu braço, passei a usar o tegaderm para proteger e evitar perder o Libre em um esbarrão e me senti mais livre ainda quando foi lançado o LibreLink , aplicativo de celular que faz a leitura da glicemia diretamente no smartphone. Agora, mais um avanço: um novo aplicativo para monitoramento remoto das glicemias. Esse aí ó:   Explicando: O LibreLinkUp não faz as leituras das glicemias em si, mas recebe as medições que são feitas por outra pessoa através do LibreLink.  Parece confuso, mas não é. Ele permite, por exemplo, que os pais acompanhem a glicemia de um pequeno ou pequena na escola, que a irmã acompanhe a glicemia d

Crônicas do Isolamento -- 136: alô!

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Telefone toca. Na tela: 136. Opa, já sei: Ministério da Saúde. Acompanhando algumas notícias sobre a pandemia (faço questão de não ficar mergulhada nos noticiários, para não pirar), eu sabia destas ligações que o Ministério da Saúde vem fazendo para monitorar casos suspeitos do Covid-19 . "Esta é uma gravação. Confirme se você está disposto a participar". Com perguntas prontas e respostas simples - sim ou não - é possível passar uma visão acerca da condição de saúde de quem está desse lado da linha. - Você está com febre e tosse? - Você está com febre e dor de garganta? - Você está com febre e falta de ar? Não, não, não. "Você não está em situação de risco". Antes de finalizar a ligação, dicas de cuidados para prevenção: se possível, fique em casa; evite aglomerações; se tossir, cubra a boca com as mãos ou o cotovelo; lave as mãos com água e sabão o, caso não tenha, limpe com álcool gel. São menos de 2 minutos que podem fazer a diferença para nós