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Mostrando postagens de 2021

Crônicas do Isolamento - - Indigna-nação...

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Aplico a insulina, tomo meu café da manhã e sigo para começar o dia de trabalho.  Umas duas horas depois, meço a glicemia e acho o resultado esquisito... mas julgo que seja do cansaço, de uma contagem de carboidratos errada, enfim. O dia corre.  Meço a glicemia, aplico insulina e almoço. Quando olho a doçur amais tarde, aquele pico pós almoço. De novo me causa estranheza, mas deixo passar. No dia seguinte, a mesma coisa. Aí já não consigo deixar passar de forma tão tranquila. Começo a me procupar, porque pode ser algo além de cálculo errado de insulina.  - Será que é COVID?? No final das contas, era só um frasco de refil de insulina quebrado, que fazia com que a insulina vazasse em vez de entrar na minha pancinha a cada injeção.  A questão é que em tempos pandêmicos a cabeça já leva qualquer comportamento diferente das glicemias para esse lado. "Já encheu o saco isso, pô"... E como! Desta vez eu tenho que conrcordar com o 'desabafo'. É verdade, presidente! (vocês sabi

Crônicas do Isolamento -- Fora da nova ordem mundial...

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Aquela olhadinha na glicemia antes de dormir e o sensor me joga um 57mg/dL na cara! Levanto num pulo!!  Antes de qualquer atitude, ponta de dedo: ela me aponta 125mg/dL. Tava estranhando um valor tão baixo sem sentir qualquer sintoma... Respirei aliviada e segui tranquila pro meu sono.  O sensor tem dessas, vez ou outra dá uma desorientada e voltamos à boa medição de glicemia capilar, para tirar qualquer dúvida. Mas o fato é que, nesses tempos em que nós, pessoas com diabetes, temos sido lembrados e destacados como grupo de risco a cada matéria, a cada notícia, a cada divulgação de planos de vacinação contra o coronavírus, uma glicemia baixa assusta ainda mais.  Desde o começo dessa pandemia, no início de 2020, passei a ficar mais alerta em relação à minha doçura. Se antes já não deixava passar 3 ou 4 horas sem dar uma olhada na glicemia, agora meço a cada duas horas.  Sei que no caso de uma gripe, que seja, nossa glicemia pode se alterar. Então, penso que qualquer coisa esquisitita

Crônicas do Isolamento -- Para todo mal, a cura.

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Sete de abril, Dia Mundial da Saúde.  Em um país que agoniza frente à pandemia, não há o que se comemorar.  Cortes orçamentários, negacionismo, gripezinha, kit covid... um absurdo de fatos que só comprovam o que os cidadãos brasileiros estão enfrentando e que se somam à força desse vírus invisível. Como consequência direta, um recorde vem sendo quebrado todos os dias: o do número de pessoas que perdem a vida para o COVID.  Não existem políticas públicas adequadas, não existem ministros que assumam a causa e o problema trazendo solução real, o caos anunciado segue ignorado, não há ação eficaz para ampliação do programa nacional de imunização...  Falta cuidado e sobra desdém.  Há pouco mais de um ano a pandemia chegou e escancarou a irresponsabilidade de governantes que já vinham fazendo da política o palco para suas escolhas e decisões mais absurdas.  Seguimos sem proteção a quem precisa, sem vacinas suficientes, sem cuidado, sem atenção. Se quando isso tudo começou não sabíamos o que v

Crônicas do Isolamento -- Socorro...

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~ socorro, eu não estou sentindo nada nem medo, nem calor, nem fogo não vai dar mais pra chorar  nem pra rir ~ Vinte e quatro horas: três mil cento e cinquenta e oito. Eu não sei mais o que sentir.  Raiva Tristeza Decepção Vergonha Um governo que leva vidas, dia pós dia.  Que recusou ofertas de vacinas e pôs em cheque uma população inteira pela ganância e por pirraça. Que questionou a ciência e promoveu remédios sem eficácia.  Estamos em um país com uma das maiores eficiências do mundo em campanhas de vacinação. E, por incompetência e egoísmo das ditas autoridades máximas desse país, hoje se registra um dos maiores recordes de mortes por covid diariamente. As vacinas estão chegando e isso é um alento.  Não tem a velocidade e o alcance na urgência que é preciso, mas estamos avançando em números de pessoas imunizadas.  Por outro lado, seguimos sem políticas públicas sociais e de saúde que permitam que nosso povo se proteja adequadamente.  Ônibus lotados. Trens lotados.  Auxílios emergenc

Há doze anos, todo dia!

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Ainda celebro uma glicemia na meta. Ainda me irrito com uma glicemia alta. Ainda acho um saco acordar no meio da noite quando sinto que estou com hipo.  Ainda agradeço por sentir cada sintoma dessas hipos! Ainda tenho preguiça de furar o dedinho.  Ainda perco sensor batendo o braço na porta. Ainda fico apreensiva a cada jejum para o exame de sangue. Ainda fico ansiosa com o resultado da glicada. Ainda lembro do quanto eu me assustei por falta de conhecimento.  Ainda lembro de como achei que tomar injeção era sinônimo de um diabetes grave. Ainda lembro do medo que eu tive de perder a minha liberdade. Ainda lembro de todo o acolhimento que eu recebi! Ainda leio livros e pesquisas sobre a condição.  Ainda penso que educação em diabetes é o melhor caminho.  Ainda fico indignada pela falta de acesso ao tratamento para tantos. Ainda acredito que um dia a cura vá chegar!! São 12 anos desde aquele "você tem diabetes tipo 1". E eu ainda sou uma aprendiz.  Diabetes não é fácil. Diabete

Crônicas do Isolamento -- Achismo não é ciência!

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Quarentena. 1 ano. 365 dias depois daquele primeiro dia de quarentena e do início do home office, consigo perceber e entender claramente o porquê dos medos que eu sentia um ou dois meses depois do isolamento ter começado.  O choro excessivo quando falava com a minha mãe, a raiva a cada pessoa que eu via resistindo às medidas de segurança que vinham sendo propostas... Ouvir o jornal declarar 14 mortes em um dia me machucava. Ouvir quando alcançamos um total de cerca de 4.500 vidas perdidas me machucou. E hoje, ver que continuamos subindo nessa escala triste de histórias encerradas por falta de uma governabilidade correta e humana, por falta de políticas públicas de verdade e de ações pelo coletivo me machucam ainda mais.  Tenho medo sim.  Medo por mim, pela família, pelos meus amigos.  E quer saber? Respeito meu medo! Tenho medo de ter COVID e não saber como meu organismo vai encarar. Medo de ter COVID, precisar ficar internada e não saber como vai ser a gestão do meu diabetes num hospi

#CanetadaSaúde

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A  Lei 11.347 de 27 de setembro de 2006  dispõe " sobre a distribuição gratuita de medicamentos e materiais necessários à sua aplicação e à monitoração da glicemia capilar aos portadores de diabetes inscritos em programas de educação para diabéticos ". E no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para tratamento do diabetes estão definidos todos os medicamentos e insumos incluídos na cobertura do SUS.  Quando a gente junta o que a Lei estabelece e a educação em diabetes, com destaque para o conhecimento adquirido sobre qualidade de vida para pessoas que convivem com o diabetes, a gente pode conseguir mais. Foi assim com os  análogos de insulina de ação rápida  e vai ser assim com tanta coisa que sabemos que ainda precisam melhorar!  Associações de pacientes à frente e uma força de gente que tem um pâncreas meio capenga no corpo, consultas públicas, campanhas, processos...  Foi assim que, após da aprovação do uso dos análogos de curta duração, o  SUS adotou as insul

Crônicas do Isolamento -- O peso e o pesar de uma Pandemia

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1.726 vidas perdidas em 24h.  Se iniciou um novo março, em um novo ano, e a situação de destruição causada inicialmente por um vírus é ainda maior do que naquele março de 2020 em que a gente ainda colocava em dúvida a capacidade de alcance do tal covid-19. Se a máscara incomoda, incomoda ainda mais saber que a contaminação anda tão desenfreada.  É aqui que entra a minha justificativa para aquele "inicialmente" colocado ali em cima.  No início, não sabíamos ainda o verdadeiro potencial de fatalidade e de alcance do vírus. No início, não sabíamos ainda que a pandemia duaria tanto tempo.  Por isso, no início, o que nos cabia era ouvir as instruções e seguir conforme o protocolo. E, ao que parece, isso ficou lá no início... Hoje em dia, numa saída rápida para ir ao mercado, vejo pessoas inovando com o uso da máscara: tem no queixo, pendurada na orelha, até no cotovelo! E ouvi recentemente médico que continua defendendo coquetel de medicamento que não tem eficácia.  O que falta pa

Crônicas do Isolamento -- A fantasia lá na terra plana...

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A manchete mostra fulano famoso com a sua mocinha famosa "em dia de praia no Rio". O Facebook sugere um evento "para ninguém ficar sem folia" nos próximos dias. E faz a ressalva que o local tem espaço para o distanciamento.  Alguém me ajuda? Sério. Alguém me ajuda, porque eu realmente não consigo entender. O número de novos casos segue aumentando. O número de óbitos também.  Não tem vacina para todos. Não tem vacina nem para aqueles que estão entre as prioridades...   Esse mundo dos eventos é a tal Terra Plana?? Lá já acabou a pandemia?  - Ah, mas eu estou cansado/a de usar máscara. - Ah, mas eu não aguento mais ficar em casa. Aguenta hospital?  Aguenta ficar sem ar?  Gente, respira. Pára! Espera.  Já avançamos tanto...  Já temos mais de uma vacina aprovada e em uso.  Nâo fosse a ganância e a estupidez de quem governa esse país, já estaríamos até mais livres, ouso dizer.  Mas ainda assim, já demos um passo enorme.  De novo: esse vírus é invisível não atinge só você.

Crônicas do Isolamento -- Um mundo de números

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A glicemia deve ser lá pelos 100.  A idade é 43.  De basal são 18 unidades. De diagnóstico, estou perto dos 12 anos.   A glicada está 6,6%. O covid é 19. De quarentena, 324 dias.  Mais de 225.000 perdas na batalha contra o vírus.  Sabe-se lá quantos meses até a hora vacina. Intervalo de glicemias. Os anos de vida. As unidades de insulina. As metas dos exames. 3 vacinas já aprovadas. A esperança em uma - outra - injeção: até aqui, mais de 2,2 milhões de pessoas vacinadas no Brasil. Nesse mundo de números que indicam e impõem 'o que' e 'como', essa conta é a que mais traz alegria e esperança hoje em dia.  Quando imaginamos passar por uma situação dessas? E quantos de nós imaginou que essa pandemia nos tiraria a liberdade por tanto tempo? É difícil ficar longe dos nossos. É difícil quando vem a notícia de algum conhecido com o diagnóstico do vírus confirmado.  É difícil acreditar que a vida vai voltar ao normal, enquanto ainda vemos tanto egoísmo e individualismo pelas rua

Insulina: da descoberta ao acesso...

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Lá se vai o primeiro mês do ano.  Nesse 2021 de celebrar os 100 anos da descoberta da insulina e de todos os avanços registrados até aqui, é preciso lembrar o quanto ainda deve ser feito para que todas as pessoas com diabetes tenham acesso, de fato, a esse elixir que salva vidas.  O que aconteceu em 1921 permitiu que o diagnóstico do diabetes deixasse de significar inanição e morte. Foi a primeira luz para a sobrevivência.  Mesmo assim, hoje ainda falta muito para que o diabetes seja totalmente entendido e desmistificado.  Por mais inacreditável que possa parecer, histórias de pessoas que deixam de ser contratadas por empresas quando afirmam ter diabetes são muito comuns.  Escuto relatos de pessoas que passaram por situações de risco pela falta de educação em diabetes de profissionais de saúde. Procedimentos errados, desconhecimento sobre contagem de carboidratos e correções com insulina de ação rápida, medo da bomba de insulina.  Situações onde uma paciente passou 14h sem comer porque

Como se fosse a primeira vez...

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Pertinho, mas longe o suficiente para garantir o respiro tão desejado.  Quarentena: 10 meses e 5 dias. Depois de tanto tempo, decidimos aproveitar as férias para sair do Rio e buscar um refúgio.  Descanso no meio da natureza, a possibilidade de viajar mantendo o cuidado e a segurança que o momento impõe. Pegamos a estrada com uma bagagem maior do que o usual... Muito além de biquini, short e um casaquinho, um kit para evitar a exposição na cidade: água mineral, coca-cola para o caso de uma hipo no meio da madrugada, um biscoitinho, frutas.  Como a ideia era evitar a exposição mesmo fora de casa, preferimos levar esses quitutes em vez de ir comprar em uma padaria ou um mercadinho.  A escolha foi feita pensando nisso tudo. Um lugar perto que não precisasse chegar de avião, que não tivesse uma grande circulação de pessoas, que tivesse espaço para ficar a toa sem preocupação.  O Sítio Itaúna (pousada de amigos queridos), em Penedo, garantiu tudo que a gente buscava e precisava para esses 5

Crônicas do Isolamento -- Contra uma pandemia de ignorância, a vacina!

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O ano mudou mas o comportamento egoísta e ignorante não ficou para trás.  Da mesma forma, minha inconformidade segue...  Não é possível que tantos óbitos e tantas histórias tão tristes não comovam ou façam essas pessoas entenderem que o vírus não escolhe gente, lugar ou horário. O vírus não é parado por paredes ou currais vips de festas sem noção. E também não seleciona ou filtra os que estão em casa se protegendo X os que não ligam e vivem nessa roleta russa de contaminação. Esse é o maior problema: os que se consideram sem risco - e, na verdade, são só sem noção - propagam e levam para quem está se isolando e se cuidando.  É duro ver que medidas simples, como máscaras e distanciamento, vem sendo ignoradas. E, com isso, tantos perdendo o direito à vida. Já houve um tempo em que o diabetes era classificado como doença fatal, sem qualquer possibilidade de tratamento. Com a dedicação de inúmeros cientistas e médicos, muito se evoluiu. No meu diagnóstico, apesar de todo susto, eu coloquei

Pra (re)começar (re)organizando a bagunça!

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Na primeira segunda-feira do ano teve a primeira consulta do ano, para já começar com tudo organizado! Depois de ter deixado passar 1 ano sem nem me dar conta , marquei esta primeira visita à minha endócrino exatamente 4 meses depois da última. Não dá para ficar no risco, ainda mais sendo parte do tal grupo de risco em relação à pandemia. Tive um recesso entre o Natal e o Reveillon e acabei saindo da rotina. Comi mais, dormi mais, fiz exercícios de menos...  Claro que isso teve um reflexo imediato no corpo e nas glicemias! Os gráficos falam por si:  Peso: 64,4 Kg. Já venho mais cheinha há algum tempo. Mas agora, o fato é que o peso maior está interferindo na minha dosagem de insulina basal. Foi preciso aumentar (2 unidades).  Como referência, meu peso saudável (não sou fã de magreza que deixa as pessoas pele e osso) é cerca de 10 quilos a menos do que isso... Muito além da estética, estar mais cheinha me incomoda pelas roupas apertadas e por me sentir pesada.  Claro que o isolamento e