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Mostrando postagens de Julho, 2020

Crônicas do Isolamento -- O Bem do Mar

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A minha quarentena tem sido com tudo a que se propõe: isolamento, sem contato social, sem aglomeração, sem saidinhas para resolver o que quer que seja. Dou sorte - e agradeço! - por trabalhar em uma empresa que instituiu o home office mesmo antes disso ser regra de prevenção, por ter mercados próximos que funcionam bem no esquema de entregas e, ainda, celebro a alegria de não estar passando por essa loucura sozinha.
Me apavora não termos uma governabilidade decente e que preze pelo ser humano. Nem políticas públicas de saúde, nem sociais.
Juntando todos esses fatos ao de que faço parte do grupo de risco pela doçura do diabetes tipo 1 que me acompanha, fico isolada enquanto posso. 
Quatro meses e dez dias após o início dessa quarentena, depois de muita conversa, de discussão de processos, de planejar horários, definir local e organizar a família, decidimos ir à praia. Cedinho e tomando todos os cuidados, fomos até a Reserva. Em mãos, só o necessário. Água, lanchinhos, brinquedos para as pe…

Crônicas do Isolamento -- Da insulina ao café!

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Na minha rotina de dias úteis antes de pandemia e quarentena, as atividades fluíam de uma maneira mais ou menos padrão, bem organizada.
Despertador, banho, café - na maioria das vezes, já pelo caminho, metrô, uma caminhada até a estação das barcas e aqueles 20 minutos de tranquilidade atravessando a baía. Como o escritório fica em Niterói, me dava ao luxo de ter esse tempinho navegando. Um cochilo, uma leitura, um email... essa travessia dá tempo para fazer muitas coisas ou até para não fazer nada e só relaxar.
Pensar na vida, na escrita, no cinema. Na reunião, no contrato, nas glicemias...  Aliás, nesse tempinho dava até para aplicar a insulina, quando o despertador eventualmente era deixado de lado e eu saía correndo de casa, tentando recuperar o atraso!
Agora, em época de quarentena, estou com saudade até de correr pela Praça XV, quando via o sinal da catraca das barcas piscando. Aquele monte de xis vermelho gritando para mim que a barca ia sair era o maior fator motivador! A preguiça …

Crônicas do Isolamento -- Do lado de lá do portão...

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Este foi um final de semana de diferentes emoções. Depois de quatro meses dentro do meu quadrado, saí. Uma mistura de sensações: de um lado, a alegria por poder respirar do lado de lá da minha janela; do outro, a agonia em perceber que, por um bom tempo, máscara e distância vão ser o combo desse tal novo normal.
Sábado decidimos dar uma volta de bike. Rafa pilotando, eu na carona. Seguimos para o Aterro do Flamengo. Caminhei por um tempo nos trechos mais vazios, só não tive coragem de andar encarando os espaços cheios. Gente curtindo sol na grama longe dos outros, gente aglomerada no bar, gente fazendo exercício com o cuidado em se manter longe e protegido pela máscara, gente que virou atleta de ocasião sem máscara e sem fôlego... Gente, muita gente!  Eu vinha acompanhando pelas fotos nos jornais entre uma liberação e outra do prefeito que a praias, os restaurantes e os espaços estavam cheios. Ver a olho nu que a gente está numa cidade que não tem controle, não tem direção e não tem pro…

Crônicas do Isolamento -- Vai passar ou já passou??

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Nas poucas vezes que saio de casa, fico prestando atenção ao movimento e comportamento das pessoas na rua. Do carro, vejo pessoas sem qualquer cerimônia desfilando sem máscara nenhuma, vejo máscaras no queixo, vejo uns três ou quatro papeando aglomerados em uma esquina. Vejo um fluxo de gente indo e vindo bem maior do que eu gostaria de ver. Vejo que a cidade quase funcionando como se tudo tivesse passado. A volta após um isolamento que nunca foi, de fato, uma realidade... 
Entre os que precisam manter as idas e vindas incessantemente - os essenciais nas frentes de serviços e os que por necessidade não puderam se dar ao luxo de ficar em casa esperando - me solidarizo e espero que fiquem bem no meio deste caos.  Dos que acham que tem que sair porque, poxa vida, não aguentam mais ficar no conforto do seu lar se protegendo e protegendo o próximo, minha paciência já se foi faz tempo!
As notícias continuam mostrando registros assustadores. E, por mais que se declare agora que o número de novo…

Crônicas do Isolamento - Futuro do Presente

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"O futuro do presente do indicativo é utilizado para indicar um fato a ocorrer num momento seguido da ação. O verbo remeterá a um fato que irá acontecer posterior ao discurso retratado. Esse tempo verbal é comumente utilizado para designar uma incerteza do agente ou ainda uma ordem do mesmo". 
Ou, uma definição atualizada que reflete o momento atual, pode também significar quarentena.  Quarentena é espera pautada nisso tudo aí: incerteza; o que vai acontecer depois do fato; o fato a ocorrer no momento seguido da ação.
Semana 16. Dia 112. Já se vão quase 4 meses em modo de espera.  

Por aqui, variamos o humor, o espaço de trabalho e o lugar dos móveis na sala.  Variamos o cardápio e o mercado. Só não variamos as notícias: os números continuam subindo.  Novos casos, muitas perdas, mais esgotamento - do sistema e das pessoas. 
Assisto ao jornal para me informar ou me alieno para não pirar? De uns tempos para cá, voltei a me ligar no que é reportado. Não só nos registros - absurdos! - da …