Vaza, dois mil e vinte!

Jamais imaginei ficar tanto tempo isolada dos meus e de tanta coisa que gosto de fazer por aí. Desde parar para tomar um cafezinho enquanto andava pela rua para resolver alguma coisa até um show delícia em um sábado qualquer no Circo Voador. 

Não teve ensaio, não teve batucada, não teve dia de chão à toa com a família e os amigos, não teve viagem, fila de aeroporto... 

O que teve esse ano foi cuidado e proteção. O amor sendo o combustível para manter a decisão de seguir quarentenando. 

Até aqui, lá se vão 291 dias de isolamento. 
Nesse isolamento, entre tempos e horas passando numa lentidão absurda e outros passando como se num piscar de olhos, chegamos ao final de 2020. 
Que ano louco, insano! 

Eu, que não sou de planejar mil resoluções de ano novo mas gosto de fazer a clássica retrospectiva e reavaliar o que passou, deste ano só consigo pensar que tenho sorte por conseguir chegar até aqui livre desse vírus. 

Vi e ouvi casos muito próximos. Amigos, familiares de amigos, amigos de amigos... 
Quanta angústia. Quanto medo! 

Senti raiva de quem está andando por aí achando que é tudo exagero. Senti vontade de sair gritando com esses sujeitos que se achavam maiores ou melhores e continuavam sem máscara, sem protocolo, sem respeito pelo outro. 

Senti saudade, muita saudade.

Senti a pressão de ser classificada como grupo de risco para o covid-19. 

Ouvir o diabetes sendo destaque para potencializar ainda mais o mal que vinha pelo ar foi duro. Não foi fácil conseguir desvincular essas notícias de mim, do que poderia ser o meu caso. 
Ainda fica o movimento de uma monitorização de glicemia muito mais intensa - o que não tem qualquer problema, só faz bem.

Não, não fui da ala dos que malharam em casa. Engordei, comi mais bobagem do que usualmente. E quer saber? Sem culpa! 

Esperei. Parei. Travei. Voltei... 
Sempre respeitando cada momento. 
Entendi que estava tudo bem dizer que não estava tudo bem. 

Trabalhei, me dediquei.
Alguns filmes, maratona de séries, menos livros do que gostaria, menos lives do que a maioria, porque uma tela nem sempre era o suficiente. Me faltou paciência e resiliência para tanto online. 

Fiquei um ano inteirinho sem ir na minha endocrinologista!! 
Em uma época tão estranha, perdi a noção da direção.
Me redimi: me consultei, me organizei.

Nessa retrospectiva de um ano que não teve muito para contar, olho em volta e agradeço por ver e ter minha família comigo. 

Agora, na parede da memória, lembro que sou riso, sou sol, otimismo e esperança.
Assim, já espero pela vacina. Como espero!!!! 
Já espero pelos abraços. Todos e tantos abraços acumulados... 
Espero pelo carnaval. Porque eu sou o brilho do carnaval misturado com a sorte do trevo de quatro folhas que se espalham pelo meu caminho me dando a vida cheia de gente e de momentos que eu coleciono com o maior amor no coração. 

~ Respeito muito minhas lágrimas, mas ainda mais minha risada ~

Quero mais! 
Quero muito mais. 

Que se passe o egoísmo, a falta de respeito, a ignorância e a maldade. 

Vem, vacina. 
Vem, 2021. 




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