Crônicas do Isolamento -- Entre o choque e a esperança...

Achei que seriam dias. Depois, semanas. Agora, já são meses.
E, apesar do que se vê aqui pelo Rio de Janeiro, a pandemia segue e o isolamento deve(ria) continuar. 
Até quando? Não sei e adoraria saber...

Eu, por ser diabética e por querer cuidar e proteger os meus e os que precisam estar nas ruas, continuo em casa. 
Contra toda 'instrução' de reabertura, permaneço firme na quarentena e no propósito de me preservar. 
Ainda tenho a sorte de trabalhar em uma empresa que entende a importância do isolamento e já nos informou que todos vão continuar em home office até o final do ano. 

Me incomoda muito ver as pessoas na rua como se não houvesse amanhã, como se a reabertura significasse que tudo voltou ao normal e como se fossem os maiores sofredores absolutos do universo, coitadinhos, que não conseguem ficar em casa. 

São mais de 50.000 vidas perdidas nesse país. A marca de um milhão de casos registrados foi ultrapassada. Mas os shoppings estão abertos. A praia lotada. Os botecos com mesas cheias. 
Não consigo entender. De verdade, não consigo.

Só eu tenho medo? Só eu acho um absurdo trocar uma vida por um banho de loja? 
Tem gente fazendo churrasco. Tem gente fazendo festa com teste rápido na porta. Tem gente - muita gente - doente. 
Doente de egoísmo, doente de ignorância. 
A máxima do "não é por você, é pelo coletivo" não foi o suficiente para convencer as pessoas a cuidar do seu entorno.

Apesar disso tudo me doer e me agredir um tanto, escolho ir em frente como penso que deve ser: quietinha em casa, organizando meus horários entre trabalho, cozinha, máquina de lavar e um solzinho pela janela...

Insulina, café da manhã, insulina, almoço, insulina, lanche, insulina, jantar.
Mede a glicemia, dá um confere nos insumos que ainda têm, planeja a data da próxima compra para não ficar sem. 
Um livro, um filme, uma partidinha de buraco... de olho na glicemia!
Um vinho... de olho na glicemia!
Faxina, preguiça na rede... de olho na glicemia!

Um novo tempo, mas mantendo a boa prática de não desgrudar do meu glicosímetro: "todo dia ela faz tudo sempre igual".
É, se tem uma coisa que eu posso fazer bem é cuidar da minha doçura. Minha maior defesa é o meu controle. 

Um novo olhar... buscando o otimismo onde já me falta. Buscando a calma frente à tantos absurdos. Buscando no horizonte a esperança pelos dias que virão.

 

 



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