Crônicas do Isolamento -- Um tanto de quarentena...

Uma sensação de meses vazios.
Sem encontros, sem sair por aí, sem poder ir e vir.
Ainda assim, sei que sou privilegiada: estou em casa, protegida da pandemia, garantindo meu trabalho, meus insumos, meus momentos de descontração.
Procuro fazer tudo que está ao meu alcance para tentar manter mente e corpo são.
(quer dizer, sendo bem honesta, o corpinho tá meio de lado com a falta de exercícios... essa parte eu ainda não consegui organizar e ter o ímpeto de começar)

O que de mais certo eu continuo fazendo é ficar de olho na minha doçura. Meço a glicemia umas oito vezes por dia e fico alerta à qualquer variação esquisita.
Foi justamente por isso que levei um susto um dia desses. 
Medi antes de dormir e estava numa boa: 89mg/dL. Relaxei!
No dia seguinte, medi na maior tranquilidade e lá estava um resultado de 185mg/dL gritando!!

Um início de pânico achando que poderia ser um sinal do tal do covid-19 enquanto buscava pela calmaria, tentando entender o que poderia ter acontecido. Até que me dei conta que a dose de basal do dia anterior não tinha rolado. Na correria do dia a dia, passou batida! 

Despertador, café da manhã, banho, reunião, e-mail... a hora voou e eu nem percebi.
Um respiro semi-aliviado (esquecer de tomar insulina não é exatamente um fato a comemorar) e vida diabética que segue.

Os dias de isolamento começaram no verão, passaram pelo outono e continuam por esse inverno carioca que alterna o calor de janeiro ao frio que bate quando o termômetro alcança os 20 e poucos graus. 

Já me enchi de esperança de voltar a um 'normal' que nem sei definir, já me irritei, já me cansei, já me estressei, já gargalhei [não necessariamente nesta ordem].

Enquanto não é possível controlar e conhecer o que virá, espero.
Espero a vacina, espero a entrega do mercado, espero as insulinas com o espaço separadinho na geladeira, espero a pizza ficar pronta, espero a cerveja gelar mais um pouquinho, espero a água do chuveiro esquentar, espero a chuva passar, a roupa secar e o sol se pôr.

Para os próximos tempos, volto a pensar em marcar consultas que ficaram pendentes, quem sabe madrugar para caminhar e respirar fora das paredes do apartamento e até em me esquematizar - sem risco - para rever e matar a enorme saudade da família. 

Quarentena, dia 154.

Nesses 5 meses, até que a montanha-russa glicêmica ficou mais a meu favor na prova dos 90 dias:

Me desconcerto e me perco no calendário. 

Me organizo e planejo meus contratos. 
Escrevo. 
Respiro.
Descanso.

Vai passar!




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