É preciso estar atento e forte!

14/11 - Dia Mundial do Diabetes. 

Até março de 2009, eu mal sabia que existia mais de um tipo de diabetes. Logo naqueles primeiros dias de diagnóstico, uma enxurrada de novos termos e novos processos vieram: lanceta, glicosímetro, basal, bôlus, hipoglicemia, contagem de carboidratos... 

Fácil não foi, mas com o apoio que eu tive, foi super possível. Família, amigos - os de perto e os de longe, no trabalho, no pilates, no carnaval! Essa rede foi muito importante para eu ter certeza de que não estava sozinha, de que realmente tinham pessoas ao meu redor prestando atenção e me dando a mão. 

No começo tudo ainda é muito confuso. Doses de insulina, os altos e baixos da glicemia, refeições, horários das aplicações, exames, resultados... 

˜ Atenção ao dobrar uma esquina 
Uma alegria, atenção menina
Você vem, quantos anos você tem?
Atenção, precisa ter olhos firmes
Pra este sol, pra esta escuridão
Atenção 
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso ˜

Eu tinha, naquela época, 31 anos e, de repente, parecia que estava em uma corrida contra o tempo para fazer tudo voltar para o lugar.
Era assim que eu me sentia!

Hoje essa data mexe comigo de um jeito que eu nem sei explicar. Diabetes se tornou parte de mim, dos meus dias, da minha vida, até do meu trabalho. 

˜ Atenção para as janelas no alto
Atenção ao pisar o asfalto, o mangue
Atenção para o sangue sobre o chão ˜

O Dia Mundial do Diabetes vem para conscientizar. E eu também não sabia disso.
Enquanto houver o status de doença sem cura, toda a atenção é pouca!
É preciso falar sobre diabetes. 
É preciso tirar o estigma de 'fim de linha' que a condição carrega. 
É preciso mostrar que existe outra maneira de lidar com a tal doença crônica. 
É preciso ressignificar. 
É preciso lutar por direitos. 

Me colocar como exemplo, junto a tantos outros, e saber que de alguma forma isso ajuda a outras pessoas desse mundo doce trouxe um outro sentido para a condição crônica de saúde. Um sentido muito mais amplo, de comunidade, cumplicidade e liberdade! De entender que não, o diabetes não ia me impedir e não deveria impedir ninguém de nada.

O que eu vejo nesse balanço de 11 anos e meio de diagnóstico, quase 10 anos de Blog e de uma busca incessante pela educação em diabetes e pelo acesso a ela para todos que precisam é reconfortante. 
O diabetes que chegou trazendo medo, hoje tem um efeito absolutamente contrário. 
Não, se eu pudesse escolher não teria diabetes. Ninguém quer conviver com uma doença crônica e com os riscos que ela impões. Mas afirmo com a maior honestidade do mundo que esse caminho pós diagnóstico tem sido cada vez mais bonito e mais gratificante. 

Que susto esse tal me deu. Insulina significava que era grave, que eu estava muito doente. Aprendi que não: que na verdade, insulina viria para evitar que eu ficasse doente. 
Diabetes é aprendizado diariamente. 

Que o cuidado se espalhe, 
Que a gente não cale,
Que o acesso não falhe. 
Hoje, amanhã e em todo e qualquer dia de todos os anos. 
Saúde é direito!

˜ É preciso estar atento e forte 
Não temos tempo de temer a morte ˜
 


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