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Crônicas do Isolamento -- O peso e o pesar de uma Pandemia

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1.726 vidas perdidas em 24h.  Se iniciou um novo março, em um novo ano, e a situação de destruição causada inicialmente por um vírus é ainda maior do que naquele março de 2020 em que a gente ainda colocava em dúvida a capacidade de alcance do tal covid-19. Se a máscara incomoda, incomoda ainda mais saber que a contaminação anda tão desenfreada.  É aqui que entra a minha justificativa para aquele "inicialmente" colocado ali em cima.  No início, não sabíamos ainda o verdadeiro potencial de fatalidade e de alcance do vírus. No início, não sabíamos ainda que a pandemia duaria tanto tempo.  Por isso, no início, o que nos cabia era ouvir as instruções e seguir conforme o protocolo. E, ao que parece, isso ficou lá no início... Hoje em dia, numa saída rápida para ir ao mercado, vejo pessoas inovando com o uso da máscara: tem no queixo, pendurada na orelha, até no cotovelo! E ouvi recentemente médico que continua defendendo coquetel de medicamento que não tem eficácia.  O que falta pa

Crônicas do Isolamento -- A fantasia lá na terra plana...

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A manchete mostra fulano famoso com a sua mocinha famosa "em dia de praia no Rio". O Facebook sugere um evento "para ninguém ficar sem folia" nos próximos dias. E faz a ressalva que o local tem espaço para o distanciamento.  Alguém me ajuda? Sério. Alguém me ajuda, porque eu realmente não consigo entender. O número de novos casos segue aumentando. O número de óbitos também.  Não tem vacina para todos. Não tem vacina nem para aqueles que estão entre as prioridades...   Esse mundo dos eventos é a tal Terra Plana?? Lá já acabou a pandemia?  - Ah, mas eu estou cansado/a de usar máscara. - Ah, mas eu não aguento mais ficar em casa. Aguenta hospital?  Aguenta ficar sem ar?  Gente, respira. Pára! Espera.  Já avançamos tanto...  Já temos mais de uma vacina aprovada e em uso.  Nâo fosse a ganância e a estupidez de quem governa esse país, já estaríamos até mais livres, ouso dizer.  Mas ainda assim, já demos um passo enorme.  De novo: esse vírus é invisível não atinge só você.

Crônicas do Isolamento -- Um mundo de números

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A glicemia deve ser lá pelos 100.  A idade é 43.  De basal são 18 unidades. De diagnóstico, estou perto dos 12 anos.   A glicada está 6,6%. O covid é 19. De quarentena, 324 dias.  Mais de 225.000 perdas na batalha contra o vírus.  Sabe-se lá quantos meses até a hora vacina. Intervalo de glicemias. Os anos de vida. As unidades de insulina. As metas dos exames. 3 vacinas já aprovadas. A esperança em uma - outra - injeção: até aqui, mais de 2,2 milhões de pessoas vacinadas no Brasil. Nesse mundo de números que indicam e impõem 'o que' e 'como', essa conta é a que mais traz alegria e esperança hoje em dia.  Quando imaginamos passar por uma situação dessas? E quantos de nós imaginou que essa pandemia nos tiraria a liberdade por tanto tempo? É difícil ficar longe dos nossos. É difícil quando vem a notícia de algum conhecido com o diagnóstico do vírus confirmado.  É difícil acreditar que a vida vai voltar ao normal, enquanto ainda vemos tanto egoísmo e individualismo pelas rua

Insulina: da descoberta ao acesso...

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Lá se vai o primeiro mês do ano.  Nesse 2021 de celebrar os 100 anos da descoberta da insulina e de todos os avanços registrados até aqui, é preciso lembrar o quanto ainda deve ser feito para que todas as pessoas com diabetes tenham acesso, de fato, a esse elixir que salva vidas.  O que aconteceu em 1921 permitiu que o diagnóstico do diabetes deixasse de significar inanição e morte. Foi a primeira luz para a sobrevivência.  Mesmo assim, hoje ainda falta muito para que o diabetes seja totalmente entendido e desmistificado.  Por mais inacreditável que possa parecer, histórias de pessoas que deixam de ser contratadas por empresas quando afirmam ter diabetes são muito comuns.  Escuto relatos de pessoas que passaram por situações de risco pela falta de educação em diabetes de profissionais de saúde. Procedimentos errados, desconhecimento sobre contagem de carboidratos e correções com insulina de ação rápida, medo da bomba de insulina.  Situações onde uma paciente passou 14h sem comer porque

Como se fosse a primeira vez...

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Pertinho, mas longe o suficiente para garantir o respiro tão desejado.  Quarentena: 10 meses e 5 dias. Depois de tanto tempo, decidimos aproveitar as férias para sair do Rio e buscar um refúgio.  Descanso no meio da natureza, a possibilidade de viajar mantendo o cuidado e a segurança que o momento impõe. Pegamos a estrada com uma bagagem maior do que o usual... Muito além de biquini, short e um casaquinho, um kit para evitar a exposição na cidade: água mineral, coca-cola para o caso de uma hipo no meio da madrugada, um biscoitinho, frutas.  Como a ideia era evitar a exposição mesmo fora de casa, preferimos levar esses quitutes em vez de ir comprar em uma padaria ou um mercadinho.  A escolha foi feita pensando nisso tudo. Um lugar perto que não precisasse chegar de avião, que não tivesse uma grande circulação de pessoas, que tivesse espaço para ficar a toa sem preocupação.  O Sítio Itaúna (pousada de amigos queridos), em Penedo, garantiu tudo que a gente buscava e precisava para esses 5

Crônicas do Isolamento -- Contra uma pandemia de ignorância, a vacina!

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O ano mudou mas o comportamento egoísta e ignorante não ficou para trás.  Da mesma forma, minha inconformidade segue...  Não é possível que tantos óbitos e tantas histórias tão tristes não comovam ou façam essas pessoas entenderem que o vírus não escolhe gente, lugar ou horário. O vírus não é parado por paredes ou currais vips de festas sem noção. E também não seleciona ou filtra os que estão em casa se protegendo X os que não ligam e vivem nessa roleta russa de contaminação. Esse é o maior problema: os que se consideram sem risco - e, na verdade, são só sem noção - propagam e levam para quem está se isolando e se cuidando.  É duro ver que medidas simples, como máscaras e distanciamento, vem sendo ignoradas. E, com isso, tantos perdendo o direito à vida. Já houve um tempo em que o diabetes era classificado como doença fatal, sem qualquer possibilidade de tratamento. Com a dedicação de inúmeros cientistas e médicos, muito se evoluiu. No meu diagnóstico, apesar de todo susto, eu coloquei

Pra (re)começar (re)organizando a bagunça!

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Na primeira segunda-feira do ano teve a primeira consulta do ano, para já começar com tudo organizado! Depois de ter deixado passar 1 ano sem nem me dar conta , marquei esta primeira visita à minha endócrino exatamente 4 meses depois da última. Não dá para ficar no risco, ainda mais sendo parte do tal grupo de risco em relação à pandemia. Tive um recesso entre o Natal e o Reveillon e acabei saindo da rotina. Comi mais, dormi mais, fiz exercícios de menos...  Claro que isso teve um reflexo imediato no corpo e nas glicemias! Os gráficos falam por si:  Peso: 64,4 Kg. Já venho mais cheinha há algum tempo. Mas agora, o fato é que o peso maior está interferindo na minha dosagem de insulina basal. Foi preciso aumentar (2 unidades).  Como referência, meu peso saudável (não sou fã de magreza que deixa as pessoas pele e osso) é cerca de 10 quilos a menos do que isso... Muito além da estética, estar mais cheinha me incomoda pelas roupas apertadas e por me sentir pesada.  Claro que o isolamento e