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Todo dia é dia de viver

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Ontem foi dia de venerar Milton Nascimento. A voz O carisma  O amor pelo canto, pela música Inconfundíveis! Os tambores de Minas fazendo bater forte o coração. Milton, do alto dos seus 80 anos, sentado no meio do palco como o Rei que é. Por alguns minutos as canções me fizeram sentir como se estivesse no próprio Festival da Canção... O presente que é poder assistir esse gênio cantando a pura emoção. Ô sorte.  Ele, diabético, hoje mostra sinais de neuropatia por ter passado algum tempo sem se cuidar devidamente. As mãos trêmulas, a dificuldade em permanecer de pé por muito tempo. Eu, do time da estatística da doçura do diabetes, sinto. Uma mistura de tristeza com preocupação, de alívio por saber que hoje ele está sendo cuidado com o receio das complicações.  Milton usa bomba de insulina.  Não, a bomba não estava aparente enquanto ele cantava.  Mas isso, honestamente, não me importa e nem me incomoda.  Nós, que nos sabemos diabéticos, guardamos uma empatia pelos iguais.  Do tipo 1 Do tip

Crônicas do Isolamento -- Nosso próprio tempo...

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Eu sei que muita gente já volto à vida 'normal' (ou o mais próximo que isso possa significar do que existia antes da pandemia), mas eu não. Ainda fico incomodada com lugares muito cheios, ainda fico desconfortável de estar onde tem muita gente... Saio sem máscara, confio na vacina e acredito que estamos cada vez mais próximos de uma situação onde os números de novos casos diagnosticados serão menores. Mesmo assim, tem coisas que eu fazia antes e que só agora tenho me permitido.  Das mais simples às mais 'desafiadoras'. E assim, nessa de voltar à viver a vida do lado de fora, decidi ir a um show, depois de tanto tempo. Já toquei com o bloco, já fui a aniversários de amigos, restaurantes, bares, mas um show com grande público ainda não tinha encarado.  Quando as transmissões ao vivo de shows online começaram, não tive muita paciência de assistir. Passava o dia na frente do computador trabalhando e quando encerrava o expediente não tinha qualquer vontade de fixar numa tela

Crônicas do Isolamento -- Não está tudo bem!

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Ás vezes eu me pergunto como as pessoas estão nesse momento em que a pandemia ainda está nos rondando, mas que também já está indo embora. Esse limbo entre o "ainda não acabou" e o "já está tudo liberado" tem me deixado perdida e até travada em alguns processos.  Não consigo me sentir totalmente liberta para sair sem uma mínima avaliação do evento, do local, da lotação esperada... por outro lado, também não consigo me sentir totalmente à vontade para sair de casa sem ao menos levar uma máscara na bolsa.  Me pego sem saber como agir, como sair. Na verdade, na maioria das vezes, me pego sem vontade de sair.  Esquisita essa volta ao convívio social depois de tanto tempo trancada em casa...  Achei que depois de ter tido covid, me sentiria mais segura de alguma forma.  Mas não, me vejo vulnerável da mesma maneira.  Até pensando se devo me recolher novamente por um tempo. Ainda que eu já tenha voltado a circular pela rua, a encontrar amigos, a ir aos aniversários, à resta

Crônicas do Isolamento -- Enfim, o negativo!!

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10 dias depois do primeiro positivo para o covil-19, enfim negativei: Que chatice esse vírus! Que esquisito ter que voltar a deixar de sair, de ir ao mercado, de ir às reuniões de trabalho presenciais, aos ensaios, aos encontros. E, mais esquisito ainda, estar na mesma casa que o Rafa e não podermos nem ficar perto um do outro.  Realmente esse tal covil não veio para passar despercebido... Ainda bem que agora, após três doses da vacina, os efeitos foram leves (no meu caso, só mesmo a garganta incomodando, nariz bem congestionado e um cansaço de leve até para atividades mais corriqueiras e sem muito esforço). O que me chamou muito a atenção nesses dias de contaminação é que a minha glicemia não sofreu alterações.  Uma ou outra correção de insulina com doses menores do que o necessário e nada além disso.  Realmente foi uma tranquilidade neste sentido.  A falta de apetite que chegou junto com o coronavírus me levou quase 2,5kg!! Inacreditável!  Apesar de já ter passado e de estar livre do

Crônicas do Isolamento -- Em modo de espera...

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Uma semana desde que foi confirmado que eu tinha sido contaminada com o coronavírus. Hoje fiz um novo teste e continuo positivada: Está beeeem clarinho, mas o traço que indica o positivo ainda está lá... Tenho escutado, a cada dias, sobre mais pessoas que ainda não tinham se contaminado positivarem também. Com a suspensão do uso de máscaras até em ambientes fechados, não me causa tanta estranheza assim. O me deixa um pouco assustada (e bem chateada) é perceber - na prática - que realmente o covid-19 vai se transformando, evoluindo e atingindo mais gente numa velocidade enorme.  Graças à vacina, no geral as pessoas têm relatado sintomas leves (tosse, uma situação similar à de uma crise alérgica, cansaço). Mas é grande o número de novos infectados diariamente... As notícias voltaram a anunciar os números crescentes, inclusive de internações.  Por aqui, minhas glicemias seguem na meta (ufa!!). A oxigenação também está boa e sem alterações. A minha voz, que quase foi embora nos primeiros d

Saber mais para agir melhor!

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Tenho muitos amigos médicos e, com o diabetes acabei me tornando muito próxima da minha endocrinologista e da minha gineco. Criamos uma relação de parceria mesmo.  Quanto mais eu me envolvia no meu tratamento, mais eu queria tirar dúvidas ou esclarecer sobre questões que não conseguia ainda controlar muito bem.  E, sabendo que a convivência com o diabetes é um aprendizado constante, essa troca acontece até hoje (e sei que não vai deixar de ser uma prática). O problema é que tenho consciência do quanto sou privilegiada por poder trocar informações de qualidade e de confiança com esses profissionais.  Na maioria das vezes, o que acontece é diferente.  O pouco tempo dedicado à consultas, seja na saúde pública ou na saúde privada, nem sempre é suficiente para nos tranquilizar ou nos deixar realmente a par do que está acontecendo.  Quando se trata do momento de um novo diagnóstico então, absorver as informações fica mais difícil.  Imaginem só se for o caso de diagnósticos em crianças?! Pois

Crônicas do Isolamento -- Entrei para a estatística!

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E o tal de COVID-19 me pegou! Setecentos e três dias depois de iniciado o meu isolamento ainda em 2020, testei positivo pra esse vírus. De fato, há algum tempo já vinha deixando de usar máscara em alguns lugares (mantendo o uso ainda quando estava trabalhando de forma presencial no escritório e quando ia ao mercado). Minha confiança absoluta para fazer isso veio das três doses de vacina até aqui e, claro, por acompanhar os casos em queda no país.  Mas a verdade é que a pandemia não acabou.  As novas variantes continuam aparecendo, pessoas continuam perdendo a vida nesse combate injusto... Eu, como grupo de risco que sou - e, mesmo que alguns considerem que esse 'título' já não se aplica mais, porque pessoas sem qualquer comorbidade registraram consequências muito maiores eventualmente do aquelas com doenças preexistentes, eu continuo me colocando nesse 'pacote' por precaução - fico pensando agora se me precipitei em ter relaxado e deixado a máscara de lado.  No fundo, n