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Crônicas do Isolamento -- Tem que ver isso aí!

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Para quem tanto fala e abraça e encontra e gargalha, a quarentena tem deixado tudo isso um pouco guardado. Não na essência... sigo assim, lá dentro do coração. Mas aqui fora, está difícil manter isso tudo à mostra o tempo todo, enquanto há tanta coisa errada acontecendo.

Agradeço por estar bem, por estar em casa, por poder trabalhar e seguir 'assalariada', desenvolvendo, criando, contribuindo.
Agradeço pelo sossego de um filme na cama, pelo almoço fresquinho, pela insulina disponível, pelos sensores a postos para a próxima aplicação, pela segurança da família e dos amigos.

O que tem me corroído é essa atuação primária e esnobe, egoísta e criminosa da autoridade máxima do país. Segue com seus discípulos entusiasmados pelo grito sem sentido, só porque reflete o que querem ouvir: - tem que abrir; - cloroquina; - vai morrer, é a vida.

Opa, tem que ver isso aí!
Não, não "vai morrer, é a vida".
Não se a gente puder ficar em casa.
Não se a gente puder cuidar e proteger os m…

Crônicas do Isolamento -- Da escolha de todo dia...

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Sempre ouvi que o combinado não sai caro. Hoje, trabalhando na gestão de projetos e contratos, reforço essa tese com o que vivencio na prática.
E é a partir daí que me pego pensando que ninguém combinou comigo que eu teria que ficar trancada em casa. Logo em seguida, me vem outro pensamento: ninguém combinou comigo que eu ia ser diagnosticada com diabetes tipo 1.

Pois bem: no caso do DM1, consegui fazer do limão uma limonada (vez ou outra, a aventura é tanta que vira até caipirinha!). No caso da pandemia, o incômodo ainda é grande.

Claro, são tempos e situações bem diferentes. Mas, agora, depois de 70 dias de quarentena, acho que identifiquei a razão... Apesar de estar protegida, segura, trabalhando de casa com salário na conta, sei que tem muitos que estão vulneráveis. Seja por estarem sozinhos, seja por não ter um trabalho fixo, seja por não saber de onde virá a renda e o 'ganha pão' de amanhã, essa vulnerabilidade de tantos me deixa muito angustiada.

Para esses, a esperança…

Crônicas do Isolamento -- Mais um dia...

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Menos um na conta.
A cada dia que vai, é menos um que falta.  A cada dia que passa, é mais um nessa conta que já passou de 20.000 aqui em terras tupiniquins.  20.000 quando conta gente é um absurdo sem tamanho. Porquê 1 quando conta gente já é tamanho absurdo!
Se a política se sobrepõe ao valor à vida, tá tudo errado. Imagina então quando o ego rege a política que prefere reger a economia e desprezar a humanidade?  Dói. Dói muito.
Furar o dedo não dói. 20.000 pessoas contabilizadas sim. Aplicar insulina não dói. 20.000 sonhos apagados sim. E o misto de gratidão por poder estar em casa protegida versus a tristeza pelos que precisam se expor e se arriscar enquanto os irresponsáveis seguem desdenhando do próximo, também dói. Nem todo dia está tudo bem. E tudo bem! Nem todo dia a resiliência e a paciência acompanham. E tudo bem.
Nunca esse papo de "um dia de cada vez" fez tanto sentido. O cuidado com a glicemia, a meta do trabalho, a limpeza da casa... Um dia de cada vez.
Meu de…

Crônicas do Isolamento -- Entre dias reinventados...

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Quarentena, semana 10, dia 64. Que loucura! 
Os números dos gráficos seguem sendo manchete de jornal. Não gosto nem de falar sobre a quantidade de nomes e histórias que preenchem cada pontinho dessa curva.

Continuo escolhendo acompanhar de longe. Não por alienação, mas por sanidade.  O diabetes, a hipertensão, as doenças pré-existentes ainda são a máxima dos anúncios de uti's, gravidade e tudo mais... 
Enquanto isso, aqui um outro gráfico vem sendo monitorado com muito mais afinco: o das variações glicêmicas. Nunca tomei tanto cuidado com um sensor do libre preso no meu braço. Nunca cuidei tanto das horas, do rodízio de aplicações, da contagem de carboidratos. É tudo que está ao meu alcance fazer. 
Os dias passam dentro uma rotina reinventada de trabalho que agora se espreme às tarefas de casa - a comida, o mercado, a limpeza -, o sono (ou a falta dele), um filme vez ou outra, uma partidinha de buraco... E a cada dia que se soma ao placar do isolamento social, as coisas vão se e…

Crônicas do Isolamento -- E daí?

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Um casal, duas crianças. Eles, de mãos dadas, a pé; os pequenos na frente, cada um na sua bicicleta. Os quatro mascarados. Os quatro no calçadão, sem necessidade.

Quadra de basquete do Aterro do Flamengo. Dois jovens. Sem máscara. Sem necessidade.
No entorno, trabalhadores da Comlurb. Eles, essenciais; Os 'atletas', irresponsáveis.

Uma profissional que, eu imagino, seja da área médica: coberta com macacão, rosto protegido com máscara. Saindo de um prédio, deve ter ido prestar algum atendimento domiciliar, levando conforto e cuidado a quem precisa. Ela, correta. Ela, essencial. Os outros, circulando a passeio e sem se preocupar com o próximo, egoístas.

A categoria dos egoístas anda crescendo. Me entristece um tanto perceber essa verdade.
Eu também adoraria andar livremente em um dia de sol, como se fosse só mais um dia comum.
Só que não é.
Quando o comum é o noticiário sangrando pela tragédia que se espalhou no mundo, ver o egoísmo enraizado dá um aperto enorme no peito.

Hoje, …

Para cuidar de longe...

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Desde a primeira vez que eu ouvi falar sobre o Libre, sensor de monitoramento constante de glicemia, fiquei na espera.

Ele chegou, eu me rendi e sigo por aqui usando há quase 4 anos. Vez ou outra dou um intervalo e volto para os furinhos nos dedos, mas o Libre tem sido meu companheiro nessa vida de doçura.
Me habituei totalmente a ter um sensor preso no meu braço, passei a usar o tegaderm para proteger e evitar perder o Libre em um esbarrão e me senti mais livre ainda quando foi lançado o LibreLink, aplicativo de celular que faz a leitura da glicemia diretamente no smartphone.

Agora, mais um avanço: um novo aplicativo para monitoramento remoto das glicemias.
Esse aí ó:
Explicando:
O LibreLinkUp não faz as leituras das glicemias em si, mas recebe as medições que são feitas por outra pessoa através do LibreLink.  Parece confuso, mas não é. Ele permite, por exemplo, que os pais acompanhem a glicemia de um pequeno ou pequena na escola, que a irmã acompanhe a glicemia da outra em uma época…

Crônicas do Isolamento -- 136: alô!

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Telefone toca. Na tela: 136.
Opa, já sei: Ministério da Saúde.

Acompanhando algumas notícias sobre a pandemia (faço questão de não ficar mergulhada nos noticiários, para não pirar), eu sabia destas ligações que o Ministério da Saúde vem fazendo para monitorar casos suspeitos do Covid-19.

"Esta é uma gravação. Confirme se você está disposto a participar".
Com perguntas prontas e respostas simples - sim ou não - é possível passar uma visão acerca da condição de saúde de quem está desse lado da linha.

- Você está com febre e tosse?
- Você está com febre e dor de garganta?
- Você está com febre e falta de ar?

Não, não, não.
"Você não está em situação de risco".

Antes de finalizar a ligação, dicas de cuidados para prevenção: se possível, fique em casa; evite aglomerações; se tossir, cubra a boca com as mãos ou o cotovelo; lave as mãos com água e sabão o, caso não tenha, limpe com álcool gel.

São menos de 2 minutos que podem fazer a diferença para nós e para os profissio…