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A 'faxina' nos acúmulos do diabetes...

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Esses dias eu estava lendo um artigo sobre o que não nos serve mais. No armário, na gaveta, na mochila, nas relações...  A gente costuma ir acumulando coisas difíceis de (re)organizar, de desapegar.  A calça que não cabe mais porque o corpo mudou.  O sapato que deixou de ser interessante porque o gosto mudou. A gaveta cheia de papeis que nem se sabe mais de onde vieram ou para que servem. Aquelas pessoas que vão se afastando com o passar do tempo porque a energia mudou... a delas ou a nossa mesmo. No diabetes não devia ser diferente. A gente deveria ter o hábito de 'limpar' e 'esvaziar' algumas gavetas e acúmulos. E não estou falando daquele canto em que a gente vai juntando as tirinhas - antes ou depois de usar, as canetas de insulina que acabaram ou as caixas dos sensores que já se foram.  Eu estou falando é do peso que a gente carrega por um dia de glicemias que se descontrolam. Da culpa por ter comido sem fazer a devia contagem de carboidratos. Ou de ter ido dormir

Da doçura ao amargo - da vida e do diabetes - tudo importa!

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As vezes me pego pensando no que eu deveria dizer ou escrever ou contar ou nem falar sobre essa vida diabética. E se por um lado isso me deixa meio perdida porque eu fico pensando que deveria sempre comentar sobre as faltas de insumos e de acesso ou dos novos tratamentos e das promissoras pesquisas, por outro essa coisa de me perder me leva pra um lugar de conforto: eu não sou a vida com o diabetes. O diabetes não é a única missão dos meus dias. Eu sou a vida com tudo o que ela tem, inclusive o diabetes. Eu acordo, meço a minha glicemia pelo celular mesmo, vez ou outra checo na ponta de dedo, dou uma olhada pra ver se o tegaderm usado para proteger o sensor dos meus cálculos errados de espaço entre meu corpo e o batente da porta está bem colado ainda... Aí levanto e, mesmo na preguiça do resquício de sono, começo o dia. - tem que fazer compras porque o queijo tá acabando - tem que comprar agulha, abri a última caixa! - será que vai estar frio durante a viagem do feriado? - preciso conf

O poder sobre o consumidor (im)paciente...

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Admiro o trabalho de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico e em saúde que a Novo Nordisk vem fazendo há tantos anos.  Acho um luxo termos, aqui no Brasil, uma fábrica que produz 15% de toda a insulina que é distribuída pelo mundo.  Mas gestão de saúde vai muito além...  Fazer gestão de saúde é planejar, pensar em logística, abastecimento e, principalmente, seguir com ética e responsabilidade.  Uso a Tresiba desde 2016  e, de todas que passaram pelo meu tratamento, é a melhor na minha opinião.  E como sou organizada (de verdade, sem falsa modéstia ou sem querer destacar qualquer coisa como vantagem), quando abro a minha última caneta de insulina já começo a minha pesquisa para comprar outra (ou outras, se conseguir alguma promoção ou desconto que valha a pena). Dessa vez não foi diferente.  O diferente é que eu não consegui achar em nenhuma farmácia.  Procurei por vários dias - em lojas físicas, aplicativos, sites, por telefone - e já estava entrando em pânico quando, finalmente, c

Crônicas da Menopausa -- Mudei de fase!

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Aquele calor chegando, o corpo fervendo... assim, de repente, do nada. No meio do dia. Ou da madrugada! Uma variação na glicemia que me fez até pensar, por algumas vezes, que a insulina que estava em uso tinha estragado.  Eu refazia mentalmente o fluxo [contagem de carboidratos - aplicação de insulina - refeição] para tentar buscar alguma resposta de algo errado nesse caminho. Sem contar a variação de humor que andava bem crítica... era quase uma TPM por dia! Faz exames daqui, investiga dali... espera. Mais exames... aguarda outro tanto. Novos exames... bingo!! Praticamente um ano depois, o tal do climatério suspeito se confirmava como menopausa e era a clareza que eu esperava para, enfim, entender o que estava acontecendo.  Nessa fase de climatério / menopausa, a acompanhante que chega junto acaba trazendo um impacto grande para quem convive com o diabetes: a resistência à insulina. O envolvimento da minha ginecologista e da minha endocrinologista foi, desde os primeiros resultas susp

De lá para cá, 15 anos!!!

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Me lembro que lá no início do meu diagnóstico eu ainda achava que aquilo tudo - as agulhas, as várias injeções ao dia, os muitos furos nos dedos - ia passar. Na minha falta de conhecimento sobre a doença autoimune que tinha chegado no susto, a minha dedicação ao tratamento me levava a acreditar que ‘só’ isso seria o suficiente para fazer o tal do diabetes tipo 1 ir embora do mesmo jeito que tinha chegado.  Logo eu aprendi que não seria bem assim… E aí, logo também já decidi que eu não ia me render àquele tal. Puxei todo o ar que podia e mergulhei de cabeça no mundo da condição que tinha se tornado minha companheira sem mesmo ter sido convidada. Muita informação! (da boa e da ruim, vale dizer) Muita leitura, muita pergunta, muitas respostas que ainda nem estavam lá. Muita pesquisa, muita vontade de me colocar à disposição pra tudo que fosse me ajudar nessa missão de conviver com a doçura do diabetes. Cheguei a marcar uma consulta com o Dr. Júlio Voltarelli , que hoje não está mais ness

Minha base nos cuidados e na educação em diabetes!

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Eu sempre digo que a minha adesão ao tratamento se deve muito à forma com que a minha endocrinologista me acolheu no dia do meu diagnóstico. Nas duas longas horas de consulta que terminou com a confirmação do meu diabetes tipo 1, ela - antes mesmo de me explicar sobre o tratamento - procurou saber da minha rotina, do meu trabalho, das minhas atividades para além do corporativo.  - Ah, mas todo médico deve ser assim. Sem dúvida, mas sabemos que muitos médicos não são e não agem desta forma.  No calor da emoção e do medo pelo - até então - desconhecido, conseguiu me passar calma e tranquilidade para lidar com aquela novidade que tinha chegado no susto. Me lembro de pouca coisa daquela consulta entre tantas explicações de insulinas e canetas e agulhas e furos no dedo e contagem de carboidratos e fator de sensibilidade... mas nunca esqueci dela me dizendo que, de forma simples e prática, insulina é um hormônio e que, como eu não produzia mais, precisaria repor.  Claro que não é só isso. A

A saga do sensor que se vai...

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Eu uso o FreeStyle Libre desde 2016.  Tive uma resistência logo que foi lançado, principalmente por causa do preço. Mas quando coloquei na ponta do lápis, considerando principalmente quantos monitoramentos eu poderia fazer ao longo do dia, o custo-benefício passou a ser muito maior comparando com as pontas de dedo.  Enfim, me rendi , comprei os sensores e segui.  Só que, de uns dois anos para cá, tenho percebido uma qualidade bem inferior no produto.  Tive algumas ocorrências com falha de leitura e estabilidade no funcionamento e em todas as vezes recorri ao suporte da Abbott.  Pois na última semana tive um problema com dois sensores, um depois do outro, sem intervalo. Não é possível que um produto que agora custa R$299,90 (para 14 dias de uso) esteja ficando pior. Quanto maior o preço, menor a qualidade?? Vamos aos fatos:  No sábado à noite, enquanto eu me arrumava para um casamento, meu sensor soltou.  Estava no braço esquerdo, aplicado direitinho como orienta o fabricante. Não bati