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Crônicas do Isolamento - - Indigna-nação...

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Aplico a insulina, tomo meu café da manhã e sigo para começar o dia de trabalho.  Umas duas horas depois, meço a glicemia e acho o resultado esquisito... mas julgo que seja do cansaço, de uma contagem de carboidratos errada, enfim. O dia corre.  Meço a glicemia, aplico insulina e almoço. Quando olho a doçur amais tarde, aquele pico pós almoço. De novo me causa estranheza, mas deixo passar. No dia seguinte, a mesma coisa. Aí já não consigo deixar passar de forma tão tranquila. Começo a me procupar, porque pode ser algo além de cálculo errado de insulina.  - Será que é COVID?? No final das contas, era só um frasco de refil de insulina quebrado, que fazia com que a insulina vazasse em vez de entrar na minha pancinha a cada injeção.  A questão é que em tempos pandêmicos a cabeça já leva qualquer comportamento diferente das glicemias para esse lado. "Já encheu o saco isso, pô"... E como! Desta vez eu tenho que conrcordar com o 'desabafo'. É verdade, presidente! (vocês sabi

Crônicas do Isolamento -- Fora da nova ordem mundial...

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Aquela olhadinha na glicemia antes de dormir e o sensor me joga um 57mg/dL na cara! Levanto num pulo!!  Antes de qualquer atitude, ponta de dedo: ela me aponta 125mg/dL. Tava estranhando um valor tão baixo sem sentir qualquer sintoma... Respirei aliviada e segui tranquila pro meu sono.  O sensor tem dessas, vez ou outra dá uma desorientada e voltamos à boa medição de glicemia capilar, para tirar qualquer dúvida. Mas o fato é que, nesses tempos em que nós, pessoas com diabetes, temos sido lembrados e destacados como grupo de risco a cada matéria, a cada notícia, a cada divulgação de planos de vacinação contra o coronavírus, uma glicemia baixa assusta ainda mais.  Desde o começo dessa pandemia, no início de 2020, passei a ficar mais alerta em relação à minha doçura. Se antes já não deixava passar 3 ou 4 horas sem dar uma olhada na glicemia, agora meço a cada duas horas.  Sei que no caso de uma gripe, que seja, nossa glicemia pode se alterar. Então, penso que qualquer coisa esquisitita

Crônicas do Isolamento -- Para todo mal, a cura.

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Sete de abril, Dia Mundial da Saúde.  Em um país que agoniza frente à pandemia, não há o que se comemorar.  Cortes orçamentários, negacionismo, gripezinha, kit covid... um absurdo de fatos que só comprovam o que os cidadãos brasileiros estão enfrentando e que se somam à força desse vírus invisível. Como consequência direta, um recorde vem sendo quebrado todos os dias: o do número de pessoas que perdem a vida para o COVID.  Não existem políticas públicas adequadas, não existem ministros que assumam a causa e o problema trazendo solução real, o caos anunciado segue ignorado, não há ação eficaz para ampliação do programa nacional de imunização...  Falta cuidado e sobra desdém.  Há pouco mais de um ano a pandemia chegou e escancarou a irresponsabilidade de governantes que já vinham fazendo da política o palco para suas escolhas e decisões mais absurdas.  Seguimos sem proteção a quem precisa, sem vacinas suficientes, sem cuidado, sem atenção. Se quando isso tudo começou não sabíamos o que v

Crônicas do Isolamento -- Socorro...

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~ socorro, eu não estou sentindo nada nem medo, nem calor, nem fogo não vai dar mais pra chorar  nem pra rir ~ Vinte e quatro horas: três mil cento e cinquenta e oito. Eu não sei mais o que sentir.  Raiva Tristeza Decepção Vergonha Um governo que leva vidas, dia pós dia.  Que recusou ofertas de vacinas e pôs em cheque uma população inteira pela ganância e por pirraça. Que questionou a ciência e promoveu remédios sem eficácia.  Estamos em um país com uma das maiores eficiências do mundo em campanhas de vacinação. E, por incompetência e egoísmo das ditas autoridades máximas desse país, hoje se registra um dos maiores recordes de mortes por covid diariamente. As vacinas estão chegando e isso é um alento.  Não tem a velocidade e o alcance na urgência que é preciso, mas estamos avançando em números de pessoas imunizadas.  Por outro lado, seguimos sem políticas públicas sociais e de saúde que permitam que nosso povo se proteja adequadamente.  Ônibus lotados. Trens lotados.  Auxílios emergenc

Há doze anos, todo dia!

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Ainda celebro uma glicemia na meta. Ainda me irrito com uma glicemia alta. Ainda acho um saco acordar no meio da noite quando sinto que estou com hipo.  Ainda agradeço por sentir cada sintoma dessas hipos! Ainda tenho preguiça de furar o dedinho.  Ainda perco sensor batendo o braço na porta. Ainda fico apreensiva a cada jejum para o exame de sangue. Ainda fico ansiosa com o resultado da glicada. Ainda lembro do quanto eu me assustei por falta de conhecimento.  Ainda lembro de como achei que tomar injeção era sinônimo de um diabetes grave. Ainda lembro do medo que eu tive de perder a minha liberdade. Ainda lembro de todo o acolhimento que eu recebi! Ainda leio livros e pesquisas sobre a condição.  Ainda penso que educação em diabetes é o melhor caminho.  Ainda fico indignada pela falta de acesso ao tratamento para tantos. Ainda acredito que um dia a cura vá chegar!! São 12 anos desde aquele "você tem diabetes tipo 1". E eu ainda sou uma aprendiz.  Diabetes não é fácil. Diabete

Crônicas do Isolamento -- Achismo não é ciência!

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Quarentena. 1 ano. 365 dias depois daquele primeiro dia de quarentena e do início do home office, consigo perceber e entender claramente o porquê dos medos que eu sentia um ou dois meses depois do isolamento ter começado.  O choro excessivo quando falava com a minha mãe, a raiva a cada pessoa que eu via resistindo às medidas de segurança que vinham sendo propostas... Ouvir o jornal declarar 14 mortes em um dia me machucava. Ouvir quando alcançamos um total de cerca de 4.500 vidas perdidas me machucou. E hoje, ver que continuamos subindo nessa escala triste de histórias encerradas por falta de uma governabilidade correta e humana, por falta de políticas públicas de verdade e de ações pelo coletivo me machucam ainda mais.  Tenho medo sim.  Medo por mim, pela família, pelos meus amigos.  E quer saber? Respeito meu medo! Tenho medo de ter COVID e não saber como meu organismo vai encarar. Medo de ter COVID, precisar ficar internada e não saber como vai ser a gestão do meu diabetes num hospi

#CanetadaSaúde

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A  Lei 11.347 de 27 de setembro de 2006  dispõe " sobre a distribuição gratuita de medicamentos e materiais necessários à sua aplicação e à monitoração da glicemia capilar aos portadores de diabetes inscritos em programas de educação para diabéticos ". E no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para tratamento do diabetes estão definidos todos os medicamentos e insumos incluídos na cobertura do SUS.  Quando a gente junta o que a Lei estabelece e a educação em diabetes, com destaque para o conhecimento adquirido sobre qualidade de vida para pessoas que convivem com o diabetes, a gente pode conseguir mais. Foi assim com os  análogos de insulina de ação rápida  e vai ser assim com tanta coisa que sabemos que ainda precisam melhorar!  Associações de pacientes à frente e uma força de gente que tem um pâncreas meio capenga no corpo, consultas públicas, campanhas, processos...  Foi assim que, após da aprovação do uso dos análogos de curta duração, o  SUS adotou as insul