Crônicas do Isolamento -- Vai passar ou já passou??

Nas poucas vezes que saio de casa, fico prestando atenção ao movimento e comportamento das pessoas na rua. Do carro, vejo pessoas sem qualquer cerimônia desfilando sem máscara nenhuma, vejo máscaras no queixo, vejo uns três ou quatro papeando aglomerados em uma esquina. Vejo um fluxo de gente indo e vindo bem maior do que eu gostaria de ver. 
Vejo que a cidade quase funcionando como se tudo tivesse passado. A volta após um isolamento que nunca foi, de fato, uma realidade... 

Entre os que precisam manter as idas e vindas incessantemente - os essenciais nas frentes de serviços e os que por necessidade não puderam se dar ao luxo de ficar em casa esperando - me solidarizo e espero que fiquem bem no meio deste caos. 
Dos que acham que tem que sair porque, poxa vida, não aguentam mais ficar no conforto do seu lar se protegendo e protegendo o próximo, minha paciência já se foi faz tempo!

As notícias continuam mostrando registros assustadores. E, por mais que se declare agora que o número de novos casos está caindo, cada número é uma vida que se foi. 

Seja por falta de políticas públicas de saúde, seja por falta de um posicionamento firme dos nossos governantes, seja por descrença em relação à gravidade da pandemia, estes últimos 4 meses de quarentena foram de medo e incerteza, acima de tudo. 

Eu, que em 11 anos de diabetes, só uma vez havia perdido a minha consulta trimestral, deixei de ir. Nem cheguei a marcar... Na balança, pesou mais o fato ser grupo de risco. Como as glicemias estão indo bem e os poucos episódios de hipo ou hiperglicemia foram pontuais, acho que consigo esperar um pouco mais para colocar a consulta em dia. O contato com a minha Super Endócrino, no entanto, se mantém: uma mensagem, um papo por telefone, uma foto dos gráficos da doçura. Assim vamos nos 'encontrando'. 

No mais, tudo vai em mode de espera!
Inclusive, o relaxamento do isolamento por aqui. Nada de abrir a guarda, continuamos em casa (só agradeço por poder fazer isso!!).
O mercado entrega na portaria, a farmácia também. 
O trabalho segue online, alternando entre reuniões, chamadas de vídeo, uma parada para fazer o almoço, a roupa no varal, uma limpezinha geral e fim do dia. Todo dia. 
Sábado e domingo folga. Livro, sono, rede, filme, pernas pro ar. 

Assim a vida segue, um dia depois do outro. 
O engarrafamento que me diz que parece que tudo passou deixa a visão do tal "novo normal" do futuro bem embaçada. 

Vamos em frente com saúde, com insulina, com dias de paciência alternando com outros cheio da falta dela!
O planejamento dos insumos anda mais organizado e tudo é comprado com antecedência: economia de tempo, de dinheiro - quanto mais a gente se organiza, menos exposto a preços e fretes mais caros e mais rápidos está! - e menor risco de ficar sem agulhas ou sensores, por exemplo. Tratamento como alvo principal!!

A saudade da família e dos amigos vai sendo aplacada com carinho pelas telas. A vontade de sair correndo por aí, até no meio dessa chuvinha cresce. A de me jogar no mar com o sol abrindo caminho também.

Quarentena, semana 18, dia 123. 
Ainda não passou... Mas vai passar!




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