Crônicas do Isolamento -- Viajei!

Em um momento diferente, de menos casos de covid-19 registrados por dia, dos menores índices desde o início da pandemia, viajei. 

Viajei para um hotel fazenda bem perto do Rio, duas horinhas de estrada.  
Marcamos a viagem em julho, se não me engano, na esperança de estarmos em um período melhor considerando o avanço da vacinação. 
As amigas de infância juntas de novo, depois de tanto tempo.

Nós, que somos acostumados a comemorar Dia das Crianças, Páscoa, Natal, os aniversários - da gente e dos pequenos - passamos esses últimos 20 meses guardando os abraços de longe. 

A escolha foi um local com muito verde, no meio da natureza, com muito espaço aberto para as crianças e os adultos curtirem com um mínimo de liberdade e diversão.
E valeu muito a pena. 

No primeiro dia, um misto de ansiedade com o que estava correto, o que era excessivo (apesar de ainda achar que nenhum cuidado é excesso...), o que precisava de mais atenção. 
A espera por cada um que ainda ia chegar. Quanta ansiedade!!

Álcool, a culpa por conversar no meio do jardim sem máscara! 
Que loucura. Que sensação estranha. 
Na verdade, que estranho o impacto que essa pandemia vem deixando na gente.

O que antes era uma ação simples de definir datas, reservar hotel e sair, agora vem com um monte de dúvidas. 
Está na hora? Será que estou me precipitando? Será que eu devo?
Muitas perguntas... nenhuma resposta exata. 

Me agarrando à confiança da vacina, fui! 
E não me arrependo.

Como foi bom estar com meus amigos tão amados, deixar as crianças correndo e brincando livremente a ponto de pedirem pra ir dormir pelo cansaço gostoso de ter aproveitado manhã, tarde e noite.

Foram só quatro dias, mas que pareceram muito mais. Tirolesa, caiaque, piscina, música, jogos! Vinho, polenta, churrasco, picolé...
As memórias da nossa época de criança voltando para criar novas. Que privilégio a gente tem de ainda estar brincando e se divertindo do mesmo jeitinho, como há 30 anos. 

Sentir um pouco dessa volta à rotina presencial, com menos restrições.
Quanta felicidade poder dividir isso e estar de novo celebrando a vida. 




A glicemia ficou um tanto quanto estanha.
Acho que a adrenalina do reencontro somada à comilança de todos os quitutes servidos por lá deu uma bagunçada na doçura. Mas nada que a calma do retorno e a insulina em dose certa não resolvam! 

O senso me acompanhou e foi essencial nesse monitoramente e no caminho de volta para o controle.

Eu sei que para muita gente, não houve tempo de reclusão ou distanciamento. 
Cada um sabe de si, cada um sabe das suas responsabilidades e do peso que a sua decisão individual tem em afetar o coletivo. 
Então, sigo com a consciência tranquila, me permitindo essa 'libertação' depois de quase dois anos me mantendo em isolamento. 

Não gosto de falar em novo normal. 
(não gosto nem dessa classificação de 'normal') 
Mas sim, são novos tempos. E precisamos estar preparados para esses novos tempos que, sem dúvida, serão diferentes de tudo que a gente já vivenciou até aqui. 
Se não sabíamos como era passar por uma pandemia, também não sabemos tão bem como reorganizar  a vida depois dela.

Que haja responsabilidade e o foco siga no sentido de buscar o que é mais eficaz para proteção de todos.
Que possamos continuar a reconquistar os espaços com cada vez mais segurança.



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