Crônicas do Isolamento -- Eu nem vi!

Setembro chegou e eu nem vi!
A glicemia, o trabalho, a pandemia…

Tem uma nova variante mas não tem vacina para todos.
Tem instrução de manter o distanciamento e o uso das máscaras, mas tem um montão de gente por aí ignorando!
Que difícil isso tudo.

Quando eu acho que está perto de termos uma virada e uma grande melhora na situação, vem uma sacudida de aumento de novos casos.

Tô cansada.
Cansada de lavar as compras. 
Cansada de passar álcool em tudo.
Cansada de ter que me privar de encontros e abraços. 
Mas tô mais cansada ainda dessa galera que não respeita os cuidados mínimos de prevenção e, pela falta de responsabilidade, expõe quem passa do lado.
Até quando??

O fato é que enquanto não houver consciência, mais longe ficamos da solução.
Ainda dói quando penso que já poderíamos estar em uma situação bem menos crítica e em tudo que nos deixou nesse patamar avassalador de mortes.
Minha esperança está no aumento - ainda que menor do que o deveria ser - do número de pessoas vacinadas no Brasil. 

Aumentou o percentual de brasileiros com a primeira dose, aumentou o número de brasileiros com a segunda dose. Ufa!! 
E soube que começou efetivamente a aplicação das doses de reforço. 
Foi na última semana, mas eu nem vi! 

Nesse movimento a passos de formiguinha, vou organizando as glicemias, as doses de insulina e até os sustos do dia a dia diabético!
Na última semana acordei e fui plena e tranquila medir a minha doçura. Dei de cara com um 167mg/dL. Travei! 
Não tinha comido nada exagerado ou que pudesse alterar tanto a glicemia, não estava me sentindo mal, gripada ou nada do gênero... na hora a única explicação razoável que me vinha à cabeça era: estou com covid. 

Tomei meu café da manhã e segui acompanhando a evolução glicêmica: bateu a casa dos 200mg/dL e eu nem vi.
Só algumas horas depois começou a baixar...
 
Parei, me acalmei e puxei na memória todo o dia anterior e consegui lembrar que na correria entre acordar na preguicinha e me preparar para o dia de trabalho, não apliquei a basal. 
O mistério estava resolvido e o alívio finalmente veio. 

Pois é, mesmo com mais de doze anos de diagnóstico pode acontecer um esquecimento como esse. 
E que tempos loucos em que uma glicemia alterada já traz um pânico momentâneo pela possibilidade de ser algo mais grave...

Não vejo a hora disso tudo passar. 
De poder ir ali na esquina rapidamente resolver alguma coisa e ficar espirrando álcool em tudo. 
De poder sair sem preocupação. 
De poder marcar um almoço, um chopp, um encontro fora.
De poder voltar a batucar!
De poder viajar sem medo.
Não vejo a hora. 


Apesar de já estar com as duas doses da vacina, apesar de já ver tantos passeando sem cuidado e sem precaução, continuo com todos os cuidados. 
Uns acham frescura. Outros, exagero. 
Eu só acho que é o mínimo que me cabe até que de fato o risco de contaminação - a mim ou ao próximo - esteja mais controlado.

Vou seguindo, olhando para a frente, com a bagunça do corpo e da mente.

Porque setembro chegou e eu nem vi!


 




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