De lá para cá, 15 anos!!!

Me lembro que lá no início do meu diagnóstico eu ainda achava que aquilo tudo - as agulhas, as várias injeções ao dia, os muitos furos nos dedos - ia passar.

Na minha falta de conhecimento sobre a doença autoimune que tinha chegado no susto, a minha dedicação ao tratamento me levava a acreditar que ‘só’ isso seria o suficiente para fazer o tal do diabetes tipo 1 ir embora do mesmo jeito que tinha chegado. 

Logo eu aprendi que não seria bem assim…
E aí, logo também já decidi que eu não ia me render àquele tal.

Puxei todo o ar que podia e mergulhei de cabeça no mundo da condição que tinha se tornado minha companheira sem mesmo ter sido convidada.

Muita informação! (da boa e da ruim, vale dizer)
Muita leitura, muita pergunta, muitas respostas que ainda nem estavam lá.
Muita pesquisa, muita vontade de me colocar à disposição pra tudo que fosse me ajudar nessa missão de conviver com a doçura do diabetes.

Cheguei a marcar uma consulta com o Dr. Júlio Voltarelli, que hoje não está mais nesse plano, mas que na época liderava a pesquisa do uso de células tronco para a cura do DM1.
Íamos, eu e Mamy, no Hospital de Clínicas de Ribeirão Preto para vê-lo e saber quando eu podia começar o tal tratamento. Até entender que eu não era elegível pelo tempo de diagnóstico que tinha.

Mas isso não me freou. Ao contrário, acho que saber da pesquisa que o Dr. Júlio estava fazendo me deu uma super esperança e força para buscar ainda mais sobre saúde, sobre os avanços da tecnologia que podiam trazer mais qualidade.

Tirei a sorte grande de ter uma super endócrino que me estendeu os braços e me colocou dentro de um abraço quando eu ouvi, depois de duas horas de consulta, que eu tinha ’aquela doença’. E que me disse que eu não era o meu diabetes. Que eu era e continuaria sendo a Juliana, mas com mais um detalhe pra colocar no ‘currículo’ da vida.
A médica que me ouviu e me disse que eu poderia perguntar qualquer coisa, a qualquer momento. E que nunca me deixou sem resposta!

Perguntei à beça! (Sigo perguntando…)

E nasceu meu IP! 
Pronto: agora tudo que eu estava perguntando e pesquisando ia ser respondido e dito para quem quisesse ler.

E não é que teve bastante gente lendo? E, por causa dele, lá fui eu para a Austrália.

Lembro da sensação de chegar naquela imensidão que é o Congresso Mundial de Diabetes... eu, uma pessoa com diabetes, que não é uma profissional da área de saúde, para apresentar um trabalho sobre como a educação em diabetes é fundamental para a gente seguir de cabeça erguida com o diabetes do lado. 

Consegui fazer cursos da área de saúde que me deixaram perto de educadoras em diabetes que hoje são parte da minha vida doce. Nasceu uma Revista (a nossa EmDiabetes). Mais um Congresso Mundial, dessa vez lá nos Emirados Árabes para apresentar a Revista que era nosso projeto digital online e de acesso gratuito, feito de igual para igual, de paciente para paciente!

Chegaram a Nina que rima com insulina e o Pedro que rima com furo no dedo.
Nossa! O tanto de emoção que veio junto com cada criança - de todas as idades, até as mais velhas como eu! - me dizendo que a Nina e o Pedro eram iguais a elas.

Nesse caminhar todo, o mais importante: apoio.
Tanto apoio! Muito apoio.
Dos meus. Dos que eram de casa. Dos chegados. Dos que se chegaram estendendo a mão me dizendo que estariam ali por mim.
Minha aceitação ao diabetes só aconteceu por causa dessas pessoas e desse acolhimento.

15 anos...

De lá para cá, passei por 6 tipos diferentes de insulina, alguns modelos de glicosímetro, sensor, fui das agulhas de 8mm para as de 6mm e agora as de 4mm. Entre tudo isso, os testes com as bombas de infusão de insulina.

De lá para cá, foram mais ou menos 27.395 aplicações de insulina; 21.912 furos no dedo; 200 sensores. Uns 60 exames de sangue. E essa mesma média de consultas com a minha endócrino. 

De lá para cá, puder carnavalizar, trabalhar, viajar! Brincar, pedalar, mergulhar, estudar, escrever, cantar!! 

De lá para cá, eu só agradeço por ter acesso ao que eu preciso para o meu tratamento.

Há 15 anos eu precisei mudar a minha maneira de ser livre. 
Deixar de ser jamais, mas adequar a minha liberdade às condicionantes que a partir dali eu precisaria cumprir.

E de lá para cá, eu agradeço diariamente por ter aprendido a conviver e a transformar a vida trazendo junto o diabetes tipo 1.



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