Rótulo: o direito do consumidor.

Um dos hábitos que eu mudei depois do meu diagnóstico foi ler os rótulos de cada produto que eu compro. A validade eu sempre conferi, mas a atenção às informações nutricionais era deixada de lado.

Com o diabetes, as aplicações de insulina e a contagem de carboidratos, a informação nutricional dos rótulos passou a ser a primeira coisa que eu procuro em uma embalagem. Só que nem sempre é simples entender o que está apresentado ali...

Um ponto que ajuda é quando as informações vem indicando a quantas unidades do produto corresponde a quantidade de carboidratos, fibras, sódio e afins apontada.
Quando isso não acontece, pode ocorrer um engano na interpretação e isso significa um caos para a glicemia!

Por este fator e considerando que atualmente a alimentação dos brasileiros tem uma carga grande de alimentos industrializados, a ANVISA vem estudando há mais de três anos uma mudança na rotulagem de embalagens, com dois objetivos: deixar as informações mais claras para o consumidor, facilitando a compreensão, e estimular a fabricação de produtos mais saudáveis.
Em uma matéria veiculada no Bom Dia Brasil hoje, as duas propostas que estão em análise foram apresentadas.

Na campanha coordenada pelo IDEC (Instituto de Defesa do Consumidor), a proposta é criar selos de advertência na frente das embalagens, indicando quando um produto tem excesso de açúcar, sódio ou gordura.
Acho essa alteração bem importante. Quando fui ao Chile, foi uma das coisas que me chamou a atenção. Todos os produtos expostos nas prateleiras dos mercados tem um selo semelhante e fica bem mais fácil saber quando a carga de açúcar é alta. Até comentei sobre isso aqui no IP depois da viagem...

Esta questão do indicativo do açúcar é outro ajusto que o IDEC pretende implantar. Além do total de carboidratos, a quantidade específica de açúcar estaria indicada:
Já é possível encontrar este destaque em alguns produtos, mas a ideia é que seja uma regra geral.

Eles propõem também que sejam proibidas propagandas infantis nas embalagens e que seja usada uma letra padrão nas tabelas nutricionais, para facilitar a leitura.

Por outro lado, a Associação da Indústria Alimentícia traz uma proposta com um novo tipo de rotulagem, criando um "Semáforo Nutricional Quantitativo":
O vermelho seria um indicativo de maior quantidade e o verde de menor quantidade de sódio ou açúcar, por exemplo.
Segundo a Associação, a ideia é "emponderar o consumidor nas suas decisões".

A mudança é necessária!
As letras miúdas e as informações não padronizadas só dificultam o entendimento das pessoas.
E eu ainda acho que eles deveriam ir além: por quê não incluir a informação sobre o índice glicêmico dos alimentos nas embalagens??
(para saber mais sobre o que é o índice glicêmico, é só clicar aqui)

Tanto quanto a quantidade de carboidratos, esse fator interfere nas nossas glicemias. Já questionei isso à ANVISA em 2013 e na época eles responderam, justificando a negativa. Logo depois, em uma viagem para a Austrália, dei de cara com embalagens de produtos e até restaurantes mostrando este tipo de informação.

Não há prazo para conclusão das análises das propostas apresentadas e nem para efetivar a mudança nos rótulos. A ANVISA destaca somente que trabalha "busca um modelo que ajude o consumidor a não ser enganado".
Pois que seja breve!



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