Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

09 janeiro, 2014

Pra insistir na mudança...

Em junho do ano passado fiz um questionamento à ANVISA acerca da possibilidade de trazer nas tabelas de informações nutricionais dos alimentos o índice glicêmico (IG):
 
"Boa noite,
Tenho diabetes e por hábito sempre verifico as informações nutricionais, de modo a avaliar a quantidade de carboidratos, fibras e valor calórico antes de comprar qualquer alimento. Me cuido bem e procuro me informar e me manter atualizada sobre tratamentos para o diabetes. Um dos aspectos que já foi comprovado é que o índice glicêmico influencia bastante no controle das glicemias. Por isso venho sugerir que seja avaliada a viabilidade de incluir esta informação como obrigatória na rotulagem nutricional. Desde já agradeço e me coloco a disposição para qualquer esclarecimento.
Atenciosamente,
Juliana.
"
 
Claro que antes de mandar a sugestão, li a respeito da obrigação das informações nutricionais e também sobre as Leis que regulam esta questão, como foi contado aqui no blog.
 
Eles me responderam com uma negativa, devidamente justificada:
 
"Senhor(a),
Informamos que a ANVISA já avaliou solicitações referentes à inclusão do índice glicêmico dos alimentos em sua rotulagem, mas entendeu que tal abordagem era imprecisa e potencialmente confusa, podendo gerar mais engano do que benefícios. Segue abaixo algumas considerações que levaram ao indeferimento de tais pedidos.

1) O índice glicêmico não leva em consideração a quantidade de carboidratos ingeridos, um importante determinante da resposta glicêmica. Por exemplo, de acordo com a Tabela Internacional de Índice Glicêmico (Foster-Powell et al., 2002) a melancia apresenta um alto IG (72) e poderia não ser considerada adequada por um diabético mantendo uma dieta de baixo IG. No entanto, a melancia possui apenas 5 gramas de carboidratos por 100 gramas e, portanto, teria um impacto mínimo no efeito glicêmico.

2) O índice glicêmico nem sempre está relacionado à resposta de insulina que também deve ser controlada em pacientes com diabetes. De acordo com Venn e Green (2007) sabe-se que não é possível predizer a resposta de insulina somente com base na resposta glicêmica a um alimento. Collier e O´Dea (1983) encontraram diferenças significativas na resposta glicêmica de batatas adicionadas ou não de manteiga, mas uma resposta de insulina muito similar. O Relatório de Pesquisa sobre Índice Glicêmico (2007), apresentado pela empresa, mostra que apesar da diferença existente no IG dos produtos testados (Nutren Balance) em relação ao alimento de referência (glicose) a resposta de insulina foi similar.

3) Diversos fatores podem afetar a digestão e absorção de carboidratos e, conseqüentemente, alterar o IG de um determinado alimento, tais como: a natureza do amido, o método de cocção empregado, a forma de armazenamento, a presença de gordura, proteínas e fibras e o intervalo entre as refeições (Jenkins et al., 2002; Carreira et al., 2004). Além disso, a resposta glicêmica ao mesmo alimento apresenta elevada variação inter e intra-individual (Venn e Green, 2007). Esta variação pode ser em parte explicada por fatores genéticos, tempo de mastigação dos alimentos e variações biológicas nas taxas de digestão e absorção. Desta forma, a resposta glicêmica não pode ser considerada somente uma propriedade intrínseca do alimento, pois depende das características biológicas do indivíduo consumindo o produto.

4) Os diversos fatores que influenciam o IG de um alimento também tornam sua mensuração difícil e fazem com que as tabelas de índice glicêmico apresentem valores muito diferentes de IG para um mesmo alimento. Venn e Green (2007) apontam que existem fortes indicações que a mensuração do IG utilizando grupos de 10 indivíduos não é suficiente para obter resultados confiáveis, particularmente se os níveis de IG são elevados. Os autores citam o trabalho de Wolever et al. (2003), um estudo conduzido em sete laboratórios para a avaliação do IG de alimentos utilizando grupos de 8 a 12 indivíduos. Os resultados demonstram que existe uma grande variação no IG de um mesmo alimento. O arroz, por exemplo, seria classificado como um alimento de baixo IG por um laboratório, como médio IG por três laboratórios e como um alimento de alto IG pelos outros três laboratórios.

5) O índice glicêmico de um alimento possui pouca utilidade quando os alimentos são misturados em uma refeição. Venn e Green (2007) afirmam que embora esteja claro que a combinação de alimentos influencia o índice glicêmico da refeição e que a adição de proteínas e gorduras a uma refeição contendo carboidratos pode reduzir apreciavelmente a resposta glicêmica, não existem informações suficientes para predizer corretamente o efeito de diferentes combinações de alimentos. Este fato demonstra que o somatório dos índices glicêmicos dos componentes individuais de uma refeição não é capaz de predizer o real índice glicêmico de uma refeição.

6) O IG de um alimento não tem relação com seu conteúdo de fibras e micronutrientes. Ademais, alimentos com elevada densidade energética e altas quantidades de açúcar e de gordura geralmente apresentam um baixo IG (Venn e Green, 2007). Assim, as alegações sobre o IG de um alimento podem impactar de maneira negativa na escolha de alimentos pela população, seja estimulando o consumo de alimentos com elevada quantidade de nutrientes que devem ter uma ingestão controlada ou inibindo o consumo de alimentos importantes dentro de uma alimentação saudável, tais como frutas e vegetais, pelo fato de apresentarem elevado IG. De acordo com o sistema de classificação dos alimentos pelo seu índice glicêmico (Brand-Miller et al., 2003), a sacarose (IG = 68) seria considerada um alimento com médio IG e um sorvete com elevado teor de gordura saturada (IG = 37) seria considerado um alimento com baixo IG. O pão integral (IG = 73) com maior teor de fibras possui um IG superior ao do pão branco (IG = 70). Muitas frutas e verduras que devem ter seu consumo estimulado também apresentam alto IG como, por exemplo, melancia, banana e cenoura.

Atenciosamente,
GPESP."
 
Entendo que a questão não deve ser resumir a um único número, mas assim como temos as calorias e a quantidade de gordura, carboidratos e fibras, seria um dado complementar, e não em substituição à qualquer outro.
 
Deixei a questão 'guardada', para me informar mais sobre ela...
 
E eis que logo no primeiro dia na terra do Canguru, dou de cara com um iogurte em que havia o destaque para o índice glicêmico na embalagem:
Alguns dias depois, num almoço rápido no aeroporto antes do embarque, mais um exemplo:
Um restaurante de saladas, com a indicação do IG para cada uma disponível.
 
Existe inclusive um instituto de pesquisas glicêmicas - Glycemic Research Institute, que certifica produtos de baixo IG e amigáveis para pessoas com diabetes.
 
Volto de novo a bater nesta tecla, porque realmente acredito que pode haver alguma mudança a favor.
 
Quem sabe uma consulta junto à Sociedade Brasileira de Diabetes... 
Em paralelo, vou conversar também com a minha Super e as amigas Nutricionistas.
 
Acredito que, se bem embasada e comprovada, a proposta pode ser muito bem defendida!
 
 

Um comentário:

  1. Já estamos em 2014 e as informações prestadas pela Anvisa estão com um atraso de pelo menos 5 anos em suas referências bibliográficas, isto quer dizer que as pesquisas a respeito de DM continuaram e existem muito mais informações a respeito deste assunto que não foram reportadas, inclusive, também existem tendências e diferentes opiniões dentro do meio acadêmico com muitas divergências entre eles, um prato cheio para organizações dentro de nossa pátria amada, justificando facilmente sua inoperância.

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