Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

31 agosto, 2016

'Gracias a ti'!

Viajar é um santo remédio. Viver outra cultura, outros ambientes e outras rotinas enche o tanque de energia.

O Chile, destino escolhido, encantou!

Chegamos em Santiago num domingo, depois de um voo na madrugada, com conexão na Paulicéia.
Pegamos nosso carro, ligamos 'a' nossa GPS para ajudar na orientação e começamos a descobrir o que Santiago tinha para mostrar.

Até chegarmos em casa, a noite tinha caído e o cansaço dominado. O jantar foi uma pizza e a sobremesa caminha!!

No dia seguinte, o destino já era a neve. Fomos para Farellones. Uma espera pela reversão da estrada (que em feriados fica aberta apenas para descida por algumas horas), uma paradinha para uma empanada no quiosque super agradável da Dona Juanita e, enfim, subimos. As 40 curvas já foram apresentando o cenário e o frio que estavam esperando pela gente...

No hotel, jantar, o primeiro vinho chileno na mesa e uma voltinha rápida - mas cheia de estilo - para sentir a temperatura e o lugar.

Dessa vez, as companhias foram a Ana, minha prima-irmã e parceira de vida, Marcus, marido dela e meu cunhado, e Lucca, meu afilhote. Diversão garantida desde a decisão pelo roteiro!

As aulas de ski foram tranquilas, a não ser pelo peso das botas (é um teste de resistência!). Aquilo não serve para mim, juro. Não é fisicamente possível permanecer com aquela bota nos pés e esquiar sem cair.

Mas, claro que no meio do caminho tinha uma bike e eu e Ana decidimos fazer uma pequena aventura: descer a pista de iniciantes de Farellones sobre duas rodas. Tensinho no começo, mas uma delícia depois que vem a segurança no controle da bicicleta. Os pneus são super largos, a vista é linda  e foi tão agradável que nem o vento gelado que vinha na descida incomodou!
Em Valle Nevado, a primeira tentativa de descer a pista para iniciantes se transformou em minutos de muitos risos!! Levei um tombo daqueles de comédia pastelão: bumbum no chão, pernas pro ar. Com o joelho que tem defeito de fábrica, desisti da missão. Achei mais seguro e prudente ficar só passeando de teleférico e observando. Ana e Lucca arrasaram, desceram a pista duas vezes e o pirralho parecia um veterano do esporte!

De volta à Santiago, a história do Chile foi apresentada nos museus e os vários parques que cortam a cidade e que encantaram a gente. É muito bacana ver aqueles espaços públicos lindos, bem cuidados e super bem aproveitados. Espaços para exercícios, para crianças, para bikes, para pic-nics, para curtir e aproveitar simplesmente.

Pelo Chile, as opções de produtos sem açúcar são muitas.




Chocolates, caramelos, cereais, biscoitos. Tudo super saboroso e com preços compatíveis com os os produtos zero açúcar que temos em terras cariocas. A diferença são a variedade e a disponibilidade - encontrei em todos os lugares que passei, seja mercados ou na parada na estrada a caminho das estações de ski.

Nas bebidas, nem tanto assim. Tinha um iced tea por lá bem gostosinho, mas a versão zero só mesmo no supermercado. Em restaurantes, só refrigerantes.




Ah, e uma coisa legal que vi é que em todos os produtos vendidos tem umas etiquetas nas embalagens, indicando se são de alto teor de gordura ou não, se tem uma grande quantidade de sódio, se não contém açúcar ou glúten. Uma maneira fácil de chamar a atenção de imediato, bem diferente daquelas letrinhas miúdas das tabelas nutricionais dos rótulos.

E a máxima de redução de doses de insulina em viagens se manteve!
Mesmo com os horários meio bagunçados, parei de fazer as correções com a Novo Rapid até quando as medições mostravam que precisava de uma ou duas unidades. Explico: cada vez que corrigia, ainda que comesse bem - as vezes até surrupiando um pedacinho da sobremesa da minha prima - tinha uma hipo de leve depois.

As caminhadas pelos Parques e cantos de Santiago contribuíram para isso, com certeza. Sem contar o esforço para aprender a manejar o tal do ski e me manter em pé!!

Tive também algumas hipoglicemias de jejum. Depois de um repeteco por três dias, decidi reduzir a dose da Tresiba - talvez até tenha demorado a tomar esta decisão. Mas, vivendo, testando e aprendendo!

Comecei tirando duas unidades. Como as glicemias ao longo do dia acabaram ficando um pouquinho mais altas, no dia seguinte ajustei e tirei apenas uma unidade. Funcionou!
A partir daí, sem hipos e sem variações bruscas.

Agora, já em casa, estou acompanhando a doçura com atenção, voltando à rotina de alimentação "normal", aos horários mais certinhos. Recomecei o pilates e tudo vai se organizando de novo.

Viajando eu faço concessões mesmo e não deixo de mergulhar na culinária local. Provo e uso a insulina a meu favor. É assim que tem que ser, é assim que eu faço acontecer!

Apesar de não estar na rotina diária de escritórios há um tempo, essa viagem foi um descanso para corpo e alma. Depois de alguns meses de emoções grandes, consultas consecutivas e exames exaustivos, não tem como não pintar um estresse. A expectativa por resultados cansa e acaba me deixando mais devagar e travada. Eu entendo que é preciso e que, até que que tudo se esclareça, isso ainda vai se repetir. Mas essa folga vivendo o Chile por 12 dias foi absolutamente revigorante!

Ter a oportunidade de conhecer o Embalse el Yeso, nos vales de Cajon del Maipo, de saber mais sobre a produção orgânica dos vinhos maravilhosos da Emiliana, dividindo espaço com as galinhas que combatem as pragas, de ter por alguns minutos a mesma visão que Neruda tinha quando escrevia seus poemas e de ficar pertinho da família no 'Chi chi chi Le le le' só me faz agradecer e querer mais mundo!


 


Viajar sempre foi uma paixão. Já o diabetes, este me pegou de arrebate há sete anos e meio. Mas isso não foi motivo par esquecer das malas, das passagens e de lugares a explorar.

Peço licença aos meninos da Barca dos Corações Partidos para terminar este post com o trecho de uma música deles (Caminheiro) que resume o sentimento agora:

"...De viver e andar não lamento
A saudade não me causa dor
Se ela me pega com furor
Canto como faz o passarinho
Mesmo que a vida traga espinho
Prevalece o perfume da flor..."

Aprender a viver bem com a doçura é um trabalho diário; a escolha de seguir bem com a doçura como companhia também vem a cada dia. E eu continuo optando por isso... é uma decisão que traz benefícios e liberdade. É uma decisão que só faz bem!









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