Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

15 agosto, 2017

MiniMed 640G: Cena 7 - A decisão de parar...

Consulta com a minha Super Endócrino, um aprendizado conjunto, as análises dos últimos exames feitos antes de começarmos o teste com o MiniMed640G, uma ansiedade grande pelo que o novo vinha trazendo.

Ela nunca me negou nada desde o dia 1, aquele que me colocou na estatística do diabetes tipo 1. Agora não ia ser diferente.
Leu, buscou informação, aprendeu, falou com especialistas, me ouviu um tanto! Me deixou segura para mudar o tratamento e testar uma baita tecnologia, acompanhando tudo bem de pertinho.
Relatórios encaminhados, o contato com a Educadora Lygia, as incertezas compartilhadas e cada ajuste sob supervisão.

O fato é que com tudo isso e mesmo depois das últimas alterações feitas nas doses de insulina, fiquei um dia mais estável e logo a situação de picos glicêmicos voltou. Antes das refeições a glicemia sempre na faixa dos cento e pouco; uma hora depois, ia lá para a casa dos duzentos.

Conversei com a Lygia e mais uma vez íamos tentar melhorar o cenário com uma nova dose de insulina e uma nova redução na relação insulina / carboidrato, para correção das refeições.
Não deu tempo.

No sábado de manhã estava tudo sob controle. Fiz a troca do reservatório e do cateter como devido,  com toda a calma e atenção do mundo! Na hora do almoço, 110 mg/dL.
A partir daí a subida começou.
Comandei a Bomba para correção da glicemia e fiquei esperando que começasse a baixar, já que isso tinha acontecido anteriormente, em outro dia, por uma contagem de carboidratos um pouquinho incerta.

Nada!

Continuava o movimento de subida...
Em um intervalo de umas quatro horas, foram 3 correções sem qualquer efeito. No início da noite eu comecei a entrar em pânico: uma linha quase reta passando dos 300.
Até atingir um pico de 344mg/dL!!
Não registrava glicemias assim desde o meu diagnóstico. 

Só conseguia pensar em todo o trabalho que vem sendo feito até aqui com mudança de insulinas, de me manter focada na rotina de atividade física, de buscar compreender o efeito de cada alimento no meu organismo, de tentar não deixar as situações externas interferirem tanto assim na minha doçura. Nem sempre tive acertos, mas estava conseguindo cada vez mais ter um melhor controle.

A glicada, que finalmente desceu este ano (6,9% em fevereiro 6,5% em junho) sem grandes registros de hipoglicemia, estaria em risco de novo? Eu estaria em risco de cair em uma cetoacidose?

Mais um fator que me preocupava: não tinha mais sensores disponíveis.
Como foi noticiado há alguns dias pela Medtronic, o problema é mundial. Só que sem o sensor se comunicando com a Bomba a todo momento e passando por essa instabilidade tão grande com as minhas glicemias, o receio de ir adiante com o teste só aumentou.

Liguei para a minha Endócrino, conversamos e a decisão foi uma só: tirar a Bomba.

Um misto de alívio e decepção para mim.
Embora no fundo eu saiba que não se trata disso, a sensação era de que eu tinha 'falhado' no teste, de que não era capaz de manejar uma terapia diferente depois de 8 anos e meio habituada à uma outra.

Ainda tinha a suspeita de que a cânula pudesse estar dobrada (isso pode acontecer durante a aplicação do conjunto de infusão), mas não foi o caso. Ela estava intacta, direitinha:
Vejo amigos que usam bomba de insulina há tempos e adoram. Outros que começaram a testar agora, junto comigo, e também estão muito adaptados.

Eu pensei que estivesse indo pelo mesmo caminho.
Nem estava escutando mais o apito da Bomba no meio da madrugada, indicando a suspensão de insulina; não me embolava mais no catéter; não precisava desconectar na hora do banho; fazia as calibrações três vezes ao dia sem qualquer incômodo.
Mas a verdade é que eu me sentia limitada carregando um 'equipamento' preso em mim, preso nas minhas roupas.
O curioso em relação a esse aspecto é que escuto justamente o oposto: quem usa bomba e está acostumado e adaptado ao tratamento, diz que a Bomba trouxe mais liberdade.

Vale registrar que não foi isso que me fez encerrar o teste tão cedo. Se estivesse tudo em ordem com as minhas glicemias, essa seria a menor das questões.

Pela primeira vez me senti nocauteada pelo diabetes e não foi nada bom. Tive medo, de verdade.
Conversando com a equipe da Medtronic, há razões possíveis para esta instabilidade. Para começar, os ajustes normais numa fase inicial de tratamento. Pode ter sido uma obstrução parcial do cateter, pode ter sido alguma outra coisa... Eles estão avaliando os meus relatórios para tentar ter uma visão mais real do que ocorreu. Pode ter sido também uma precipitação minha em não ter insistido.

Uma ressalva bem grande: vou sentir falta do sossego de dormir sabendo que o algoritmo me protegeria de uma eventual hipoglicemia!

Ao que tudo indica, uma terapia usando somente a insulina de ação rápida não foi a melhor para mim.  Com a Levemir e, depois, com a Tresiba, eu não tinha tantas variações glicêmicas. Com o teste, foram 10 dias de Bomba sem chegar a uma estabilidade mínima. Acho que isso foi o que realmente me incomodou nesse período, mesmo tendo a consciência de que o diabetes não é uma ciência exata.

Voltei para a terapia com as canetas de insulina e tudo parece estar se reorganizando por aqui.

O tempo foi curto, mas cada passo desse processo (todos registrados aqui: Cena 1 / Cena 2 / Cena 3 / Cena 4 / Cena 5 / Cena 6) foi importante para eu entender um pouco mais sobre este outro tipo de tratamento. E, mesmo não funcionando para mim, percebo o quanto pode revolucionar a saúde de tantas pessoas com diabetes.

Agradeço mais uma vez à Medtronic pela oportunidade.
À confiança e cuidado da Carol, do Paulo e da Anelize.
À dedicação da Lygia.
Aos outros queridos que estão fazendo o teste e trocando ideias, carinho e atenção todos os dias nessa jornada.

Continuo achando o MiniMed640G um sistema incrível, uma opção de tratamento que pode melhorar muito a qualidade de vida de pessoas doces. Só não é o tratamento mais adequado para mim.

Testar, conhecer, questionar, avaliar... Saber entender o que o corpo diz.
Me cuidar e não deixar que o diabetes jamais assuma um papel de mosntrinho no meu caminho. Foi assim que eu comecei a me relacionar com essa condição e é assim que eu vou seguir em frente.




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