Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

03 agosto, 2017

MiniMed 640G: Cena 3 - Valendo!

E enfim chegou o dia: bomba devidamente "instalada"!!

Antes de tudo começar, a sensação de rebeldia: nada de aplicar a minha insulina de todo dia! Que agonia... 8 anos e meio fazendo isso praticamente no automático, assim que levantava da cama. Mas essa era a regra: no dia de colocar a bomba eu não deveria aplicar a Tresiba.

Tomei meu café da manhã e só apliquei a insulina de ação rápida - a NovoRapid, mesma que vou usar  na Bomba - para corrigir a quantidade de carboidratos que seria ingerida.

Assim que a Lygia - educadora querida - chegou, já comecei a entender o que era cada pecinha desse 'Lego' que serve para me manter insulinizada. Horas de conversa, muito papo, muitas perguntas, muitas anotações. Muita informação ainda sendo absorvida!

A instalação é simples.
O processo é delicado até encaixar cada pedacinho do conjunto de infusão - cateter + reservatório - mas sem maiores complicações.
Aplicação na barriga, para começar. Embora possa ser colocada nos mesmos locais de aplicação da insulina, eu preferi a barriga porque ainda não estou acostumada a ter um equipamento plugado em mim o tempo todo.
Assim, estando à vista, eu vou lembrar que a Bomba está ali e vou me ligar para não deixar cair ou prender em alguma porta.

O sensor também faz parte desse quebra-cabeça e foi colocado no braço. Como ainda estou com um Libre aplicado, vou deixar pelos 5 dias que ainda tem de prazo e estou praticamente uma robôzinha: Bomba + Guardian (o sensor da Bomba) + Libre!!

O cateter - que liga o reservatório de insulina da Bomba à minha pancinha - deve ser trocado a cada 3 dias. O sensor a cada 6...
- Nossa, mas o Libre são 14. Por que com o Guardian também não é assim?
Porque eles funcionam de forma similar, mas operam de maneira diferente. O Guardian tem uma haste metálica embebida em ouro e uma enzima que, em contato com o líquido intersticial (já expliquei sobre isso aqui), faz uma reação química e mede a glicemia. A transmissão dos dados é por ondas de rádio.

Importante destacar: a aplicação do cateter e do sensor não dói!

A liberação da insulina é feita de maneira gradual.
A dose calculada para atuar como basal é dividida pelas 24 horas do dia. Informamos à Bomba a quantidade total e uma quantidade equivalente por hora vai sendo liberada. Para a correção, eu preciso informar à Bomba a quantidade de carboidratos de cada refeição e, conforme as minhas configurações de sensibilidade glicêmica (que são previamente cadastradas na Bomba), é calculada e liberada por refeição.

- Ué, mas é a mesma insulina para basal e bôlus (correção)?
Sim! Na 640G usa-se só a insulina de ação ultra-rápida. Diferente da Tresiba, que é de longuíssima duração, na Bomba a insulina começa a agir entre 10 e 20 minutos após a liberação.

Esta é uma das grandes vantagens do MiniMed 640G.
Segundo a Lygia, "o sistema integrado com monitorização constante ajuda a definir o perfil de glicemia do paciente e, com isso, ajudar a definir como deve ser a 'distribuição' de insulina ao longo do dia, obedecendo às necessidades reais do paciente".

Junto com isso, o sistema protetor 'SmartGuard' é o responsável por suspender a liberação da insulina na Bomba quando perceber que a glicemia está em queda. Aí entra o grande ponto: ela é capaz de evitar até 75% dos casos de hipoglicemia!!!!

Nem tudo funciona só através dos botõezinhos de controle...
É preciso calibrar 3 vezes ao dia, preferencialmente antes do café da manhã, antes do almoço e antes do jantar ou de dormir.
- E como isso é feito?
Medindo a glicemia na ponta do dedo. Com o resultado, comparo com o que o sensor está indicando e ajusto na Bomba.

- Mas e agora? Você precisa ficar a Bomba conectada o tempo todo?
Em tese sim. Mas eu posso tirar em alguns momentos, se quiser. Só um detalhe: posso passar no máximo duas horas desconectada do meu mini-pâncreas artificial. Depois desse intervalo, tudo deve voltar para o lugar, senão fico sem insulina circulando no organismo.

Não preciso tirar para tomar banho - ela pode até me acompanhar em um mergulho na piscina ou no mar! - e não preciso (não devo!) tirar para dormir.

Hoje começa a nova rotina dessa vida doce. Serão dois meses com o MiniMed 640G.
Ansiosa e animada. E com um receio grande de ficar presa pelo cateter em alguma maçaneta!!
Mas, sem dúvida, muito feliz por poder testar uma terapia totalmente agregada à tecnologia.

Foi dada a partida... 
Valendo!!!! 




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