Crônicas do Isolamento -- Mente, corpo e doçura em tempos de Quarentena

Porra! (desculpem, mas em tempos de liberdade cerceada, vale a liberdade de expressão!!)
Quarentena? 
Eu tenho insulina? Eu tenho tirinha? Eu tenho agulha? Ufa, tenho! 
Na dúvida, antecipei a compra de novos insumos (faltavam uns 10 dias para comprar a nova leva...). Mas e a glicemia, como lidar? No que esse isolamento pode interferir no controle da glicemia?

Vamos por partes!
Ficar em casa é ótimo e aqui faço um à parte: tenho a sorte de poder trabalhar em esquema de home office, minha empresa dispensou os funcionários sem distinção, estou protegida e o que me falta é gerenciar a saudade e a falta dos abraços. Sou gente de abraço e de abraçar, me faz bem para corpo e alma. 

Mas e a glicemia?
Aí me cabe organizar a ansiedade, as refeições, a vontade ficar roendo quitutes gostosinhos o dia todo... E junto com isso, medir, medir, medir e medir mil vezes. 
Uma chamdade de vídeo aqui e outra ali para ajudar a acalmar o coração.

E uma mistura de sentimentos e vontades... quero ficar em casa, mas quero descer e sair correndo pelo sol lá no play. Quero ficar quietinha aqui no meu casulo, mas quero cortar o bairro de uma ponta a outra e depois atravessar a Ponte até Niterói pra ficar de papo com a família. Sigo com a consciência de ficar sossegada, mas queria me teletransportar para casa do namorado e das pequenas. Tenho a clareza da importância do isolamento, mas a cabeça ferve pensando na aglomeração com a minha gente no meu carnaval. 

Ao mesmo tempo, me apego a todos esses quereres para me dar força e firmeza e conseguir passar sã por este período de ser pérola na concha. A hora agora é de defesa, depois a gente se mistura! 

Na primeira semana me vi quase histérica, apesar de me achar absolutamente plena e dona da razão. 
- Não pode sair
- Não tem que sair
- Tem que preservar
- Tem que proteger
- Tem que sossegar
Um monte de não pode e tem que. Um monte! 

A verdade é que eu sei que é assim, só que eu também sei que cada um absorve as coisas no seu tempo e à sua maneira. 
Pois sigamos! - sem perder a doçura jamais (repita como mantra).

Vamos em frente.
Respira. 
Reza.
Grita.
Ri.
Chora.
Relaxa. Ou não.
Trabalha.
Descansa. 
Escreve. (apaga. escreve de novo...)
Conversa.
Se abre. Não guarda. 
Se cuida. 
Numa rotina cheia de compromissos com hora e dia marcados, não saber o prazo para conclusão da tarefa "fica em casa" dá uma certa agonia sim. Mas como em todo cronograma, esta atividade também vai ter uma uma data de conclusão. Enquanto não tem a data certa, a gente coloca a observação que serve como guia até lá: vai passar.


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