Crônicas do Isolamento -- Do lado de cá...

Sempre tive dificuldade em fazer aquelas atividades de planejar onde eu gostaria de estar e o que eu gostaria de estar fazendo em 5 ou 10 anos. As poucas vezes que uma dinâmica empresarial me pedia esse tipo de coisa, me forcei a escrever alguma coisa no papel só para constar. Não sabia o que eu ia querer fazer na semana seguinte, imagina tantos anos à frente!

Na teoria, continuo pensando da mesma forma. Mas hoje, em tempos de quarentena, uma coisa mudou: sei exatamente onde eu imagino (querer) estar semana que vem, e na outra, e depois: na rua!! Na chuva, na fazenda, numa casinha de sapê, no mar, no escritório, na casa da Mamy...   

Antes, com a correria dos dias da rotina divididos entre trabalho, atividade física, casa, família, amigos, lazer, em vários momentos me peguei pensando em como gostaria de ficar em casa quietinha. E agora?! Agora eu estou em casa quietinha e queria sair! Acho que é normal - e coletivo - esse sentimento, né?

Sol, praia, vento no rosto, carona na garupa da bike do meu amor, cinema, um jantarzinho por aí... tanta coisa. De repente me pego planejando dias e coisas que nem sei quando vão se realizar de fato.

Está tudo bem. Dentro do que a situação traz, está tudo bem do lado de cá.
Só que a referência muda. Bastou uma condição que trouxesse a imposição de ter a casa como limite e pronto: mudei meus conceitos.

Eu jamais imaginaria que em 5, 10, 15 anos ou em qualquer outro intervalo de tempo que fosse, eu veria um Rio de Janeiro sem um grito de 'olha o mate' pelas areias de uma enorme Copacabana. Não poderia imaginar um Maracanã vazio, sem a explosão das torcidas que vibram alegria. Por ora, é melhor assim. Por ora, é preciso estar atendo e forte, como se diz na canção. Por ora, é preciso ficar em casa e, embora eu saiba que nem todo mundo tem esta opção, eu agradeço por tê-la.

Quem dera fosse possível ter em mãos um planejamento com data e hora, mostrando a volta à liberdade de respirar para além da janela. Ah, hoje eu adoraria saber o que vai acontecer amanhã!
Até aqui, são duas semanas em casa. Saí no dia 16/03 para ir até o hortifruti e só.

A nova rotina se estabeleceu: insulina, café da manhã, uma geral no quarto e na casa, trabalho. Pausa para o almoço, um cafezinho, trabalho. Reunião, a roupa que acaba de bater na máquina de lavar, trabalho. Fim de expediente, um filme pra relaxar, algumas páginas do livro da vez num sossego de perninhas pro ar. Jantar e descanso até o dia raiar.

Ao longo do dia, a atividade mais certa: medir a minha glicemia. Inúmeras vezes, sem limite!!
Se tem algo que eu possa fazer além de ficar em casa é cuidar da minha doçura ao máximo.

Ser pessoa diagnosticada com diabetes tipo 1 - doença crônica não transmissível - me coloca no grupo de risco. E minha defesa - que talvez seja tão invisível quando esse vírus - em parte está no monitoramento da minha glicemia.



Sigo esperando a hora de poder sair por aí e curtir um sábado de sol do lado de lá do portão. Enquanto isso, também sigo focada no bom controle, contando meus carboidratos, acompanhando os resultados do medidor, aplicando minhas doses diárias de insulina e cuidando para manter o melhor controle possível da doçura do diabetes, dentro desta situação ainda tão diferente.








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