Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

31 março, 2015

Pra ser normal...

Hoje foi dia de consulta com a minha Super... 

A vitamina D baixou um pouco, mas nada alarmante. 
Alguns quilinhos foram perdidos nos embalos das fanfarras do Carnaval, por isso um pedido discreto para tentar recuperar pelo menos parte deles.
A glicada reduziu mais!! Mas tenho que continuar na busca por um resultado ainda melhor.
Levei um puxão de orelha de leve pelo mesmo motivo de sempre: preciso fazer exercício! 

No mais, tudo em ordem na bandeirada dos 6 anos pós diagnóstico!!

Sem contar o apoio incondicional das minhas pessoas todo dia e toda hora, tenho certeza que a decisão por levar o diabetes como mais uma coisa que preciso dar conta - e não como um peso que determinaria o que seria da minha vida - contribui bastante para que o tratamento e meu docinho sigam muito bem, obrigada!

E isso acaba fazendo com que os cuidados diários aconteçam de maneira simples, corriqueira. Muitas pessoas já comentaram comigo que acham muito legal como levo tudo "numa boa".

Semana passada, na Oficina de Criação Literária que estou fazendo, tínhamos que escrever um micro conto... Apostei na doçura como tema e fiquei bem feliz com o retorno que tive de toda a turma! Além de boa avaliação técnica, classificaram o texto como afetivo, destacaram a leveza na abordagem do assunto (muitas vezes tão temido) e - de novo - a simplicidade como as ações praticamente obrigatórias são realizadas. 

Por causa disso, acabei decidindo compartilhar o meu Conto aqui, para que cada vez mais as pessoas deixem o estigma de lado e passem a entender e considerar o diabetes como uma condição específica que pode ser controlada e, assim, não se transformar em obstáculo.

Como comentei antes, isso tem que ser normal, não pode ser um problema.

E que fique claro: no Conto, a urgência em fazer tudo antes de entrar no lugar combinado não é por medo de um julgamento qualquer, é só para ganhar tempo e aproveitar cada minuto do encontro!

Embora o DM não tenha sido opção, a gente tem a opção de se cuidar e seguir em frente!

29 março, 2015

Salva-vidas...

No final do ano passado, a minha Super me apresentou um novo medicamento, o Glucagen.
Ele pode ser considerado o oposto à insulina: à base do hormônio glucacon, tem o papel de fazer a glicemia subir e voltar à níveis normais, em casos de hipoglicemias extremas.

Hoje, praticamente não tenho tido casos de hipoglicemia. Quando ocorre, são em situações específicas: jejum para exames, um erro de cálculo entre a refeição e a dose de insulina injetada...

Mesmo assim, ter o Glucagen à mão pode ser importante principalmente em dias ou momentos de atividades que saem um pouco do ritmo: no período de Carnaval, por exemplo, que acabo gastando mais energia do que o usual.

Acabei levando para a viagem à Cuba também e agora segue em qualquer ocasião que seja um pouco fora da rotina normal do dia a dia.

Quando o paciente estiver com níveis de glicose mais baixos, mas ainda consciente, a hipo pode ser revertida com um copo de suco ou refrigerante, uma colher de açúcar ou ainda balas.
Mas é bom saber que tem um super-herói a postos para os casos mais graves...

Ah, vale lembrar que o uso de todo medicamento deve ter a recomendação do seu médico responsável!


28 março, 2015

Diabetes na TV - 2º capítulo...

Voltando à série sobre DM no programa Dia Dia, da Band, ontem o entrevistado foi o Dr. Marcio Krakauer, que é endocrinologista e membro do Núcleo de Tecnologia da Sociedade Brasileira de Diabetes.

O tema abordado foi alimentação saudável.

Logo no início ele já faz uma ótima colocação, que vem de encontro ao que muita gente - seja paciente de diabetes ou não - tem medo: saudável não significa sem sabor!
Hoje tem muitas opções de alimentos e de maneiras de preparo que garantem um bom prato.

Outra coisa importante que ele diz é que a alimentação não precisa ser restritiva. Claro que fast food, frituras e açúcar não devem fazer parte do nosso cardápio todos os dias. Mas se você gosta, mais um motivo para manter o equilíbrio e, eventualmente, ter espaço para comer uma pizza ou um sanduíche daqueles caprichados, tomar um sorvete...

O ideal é que no dia a dia se coma de tudo, em porções pequenas e fracionadas, buscando preferencialmente alimentos que sejam ricos em nutrientes.

E para ter uma maior flexibilidade, o autocontrole tem papel fundamental: um furinho na ponta do dedo ajuda a monitorar e, inclusive, perceber o efeito dos carboidratos na glicemia, mesmo que não tenha sido consumido qualquer coisa com adição de açúcar branco.

Aqui, o vídeo na íntegra...
...informação para ser consumida sem limite!


25 março, 2015

Pra participar e ajudar a ser melhor!

Uma das coisas que precisam melhorar neste mundo de doçura é a divulgação de informações sobre o diabetes. Seja qual for o tema - alimentação, tratamentos, inovações, exercícios, etc. - é fundamental que alcance quem precisa ser informado.

E acho que nós temos que participar deste movimento, cobrando de quem deve ser cobrado (Ministério da Saúde, Governo, Hospitais, Postos de Saúde...).

A Sociedade Brasileira de Diabetes está realizando uma pesquisa para avaliar o perfil de quem acessa a página.
Já fiz (é só clicar aqui) e percebi que, na verdade, a pesquisa pode ir muito além!

São 33 perguntas (rápidas e simples) que identificam o paciente por idade, sexo, tipo de diabetes, e seguem por questões sobre o tratamento: como e se é feito o acompanhamento médico, quais as dificuldades enfrentadas pelos pacientes para acompanhamento do tratamento e para o controle da condição, de que forma é feita a monitorização e como é a rotina alimentar...

Acho que esse é um passo bem importante no sentido de mostrar como está hoje o acesso de quem precisa à médicos, medicamentos e conhecimento.

Com esse objetivo é que divulgo a pesquisa aqui no IP e peço a quem puder que divulgue e encaminhe aos docinhos por aí.
Juntos fica mais fácil buscar melhorias!

24 março, 2015

Diabetes na TV!

Semana passada a rede de TV Bandeirantes iniciou, dentro do Programa Dia Dia, uma série que tem o diabetes como tema.

Na conversa inicial o Dr. Walter Minicutti, que é o presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, apresentou alguns pontos e dados gerais sobre esta condição:

- A diferença entre os tipos de diabetes

- A estimativa - que impressiona! - de que 13 milhões de brasileiros sejam pacientes de DM

- O crescimento no número de casos de diabetes tipo 2 em pessoas cada vez mais novas: hoje representa aproximadamente 90% dos diagnósticos

- A mudança nos perfis dos pacientes de diabetes tipo 1, que até então era mais comum em crianças e adolescentes e hoje acontece em jovens adultos

- Quais são os sintomas possíveis de serem reconhecidos

- A importância do autocontrole do diabetes

- Os efeitos do álcool em quem convive com o diabetes.

A entrevista pode ser acessado na íntegra por aqui.

Esta semana os assuntos serão esportes, alimentação e  que há de novo na medicina para o melhor controle da glicemia.

Vale acompanhar esse bate papo, que vai acontecer pelas próximas sextas, às 09h.
E logo que os vídeos forem liberados pela emissora, vou divulgar por aqui!



23 março, 2015

Pra ser forte!

Já comentei aqui algumas vezes sobre Associações que tem o papel de auxiliar os pacientes a entender mais sobre o diabetes e aprender a conviver bem com esta condição...

Sou fã da Associação de Diabetes Brasil, a ADJ, que realiza importantes trabalhos envolvendo pacientes, buscando a melhoria do tratamento e, principalmente, da qualidade de vida.

Durante o Congresso Mundial de Diabetes, em 2013, tive a oportunidade de conhecer a Associação Protetora dos Pacientes Diabéticos Pobres, hoje chamada de Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, que foi criada em 1926.

O objetivo destas Associações não é ensinar o tratamento, mas ensinar o paciente a se tratar.
O embasamento é comum: só o próprio paciente pode controlar 100% o seu tratamento.

E isso não significa somente prestar atenção nos horários e nas dosagens de insulina ou de medicamentos... significa assumir a sua condição e acreditar que o diabetes não tem o papel de acabar com tudo o que você gosta.

Sabendo que o número de pacientes com diabetes, infelizmente, vem crescendo no mundo todo, as Associações atuam no sentido de juntar forças, por meio de reuniões e atividades com os pacientes. Assim, fica mais fácil entender que dúvidas e medos existem sim, mas que eles podem ser superados quando o paciente se propões a participar do seu tratamento, a ser parte de maneira integral, a conhecer.

Neste sentido, foi criada a Aliança Internacional de Pacientes (International Alliance of Patients' Organizations - IAPO), com sede em Londres.
Qualquer organização de qualquer lugar do mundo pode se associar (a taxa é de 30 Libras por ano).
O conceito base da IAPO é de que os membros devem acreditar que os pacientes devem sempre estar no centro das atenções em termos de cuidados com a saúde.
Seja local, regional ou mundialmente, o que eles fazem é dar o suporte aos pacientes, suas famílias e cuidadores.

No Brasil, além da ADJ, tem instituições relacionadas aos cuidados com pacientes com câncer, problemas renais, etc. que também fazem parte da IAPO.

Eles não atuam somente com o diabetes, mas independente da condição à qual eles estão trabalhando, a intenção é a mesma: tornar mais forte a voz dos pacientes, inclusive dando a oportunidade de interferir e ajudar a redefinir as políticas públicas de saúde.

Cabe a nós, paciente, nos empenharmos para ter cada vez mais conhecimento e mais força!
Não, não é da noite para o dia e nem exatamente simples... Mas também não é impossível. E juntos, mais fácil!!
Busque as Associações da sua cidade e, se não tiver, tente identificar outros pacientes com a mesma condição... quem sabe até comecem uma!

17 março, 2015

Pra ser responsável!

Voltando ao tema de ontem e colocando de novo o paciente como ponto principal do assunto, levanto a bandeira de um envolvimento maior de quem, diariamente, é o responsável por tomar as decisões, por escolher o que colocar no prato, por avaliar qual a dose de insulina de ação rápida precisa (e se precisa), por decidir como se exercitar, por querer seguir em frente 'de bem' com o diabetes.

O paciente, que precisa pensar e definir tudo isso, tem que acreditar que ele pode.

comentei sobre isso com a minha Endócrino na época do Congresso Mundial, já conversei com amigos - da área de saúde ou não, já coloquei esta posição para a família e sou mesmo a maior defensora dessa tese.

Vejo na prática (comigo!) como faz diferença e influencia de maneira positiva todos os dias.

Conviver com a condição demanda que haja sim uma mudança. Se não se alimentava bem, precisa se ajustar. Se comia muitos doces, se adequar. Se não fazia exercícios, começar. O foco deve ser no que se quer conquistar, acima de tudo: melhor condição de saúde, melhores níveis de glicose, mais energia, corpo mais definido, entrar numa roupa que não cabia mais... seja o que for, determine uma meta e vá atrás.

Juro que hoje, com um pouco mais de conhecimento e levando o diabetes de uma maneira leve e sob controle, minhas metas são colocar a atividade física na minha rotina diária e - ainda!! - baixar a minha hemoglobina glicada!

Defina um prazo para voltar às metas estabelecidas e avaliar os resultados. Isto certamente vai ajudar no processo de tomar as rédeas da situação.
O nosso próprio exemplo deve ser nossa maior fonte de aprendizado e nosso maior motivador.

Como destaca a Aliança Internacional de Pacientes (International Alliance of Patients' Organization - vou falar sobre eles em post específico...), com base em diálogo e parceria entre os pacientes e os médicos o paciente se sente mais motivado. Este é o passo inicial para o processo de 'empowerment', que em tradução livre significa dar poder ao paciente.

Ainda de acordo com a Aliança, para que este processo aconteça é necessária uma mudança na maneira como os pacientes são atendidos. O atendimento deve passar a ser centrado no paciente, de modo que ele seja informado e envolvido em todas as fases do tratamento. A partir daí, as decisões acerca do tratamento passam a ser tomadas em conjunto pelo médico e pelo paciente e o paciente representa um papel importante: o de relatar os avanços do seu tratamento para o correto acompanhamento do especialista.

O mais importante desta nova maneira de lidar com o paciente é que ele passa a ter o entendimento pleno da sua condição de saúde e a ter um maior comprometimento nos seus cuidados diários!
Dê o primeiro passo: pergunte, tire dúvidas, tenha interesse e questione sobre o seu tratamento!

16 março, 2015

Nem mais, nem menos!

Até ser diagnosticada com o diabetes, eu não conhecia de fato a condição. Como já contei aqui no IP, naquela época minha falta de informação me fazia considerar que o uso de insulina significava que a situação era grave!

Mas uma vez na estatística do tal diabetes melittus, mergulhei a fundo nesse mundo para poder me cuidar da melhor maneira possível e entender e aprender foram parte bem importante neste processo.

É bastante comum que as pessoas tenham dúvidas sobre os tipos de diabetes, que me perguntem sobre como eu descobri, como me cuido, o que pode causar, o que fazer para evitar... e respondo com o maior prazer.

O que ainda me assusta - e está diretamente ligado com um tema que levanto com bastante frequência  - é a falta de conhecimento por outros pacientes.
Junto com o acompanhamento clínico, insisto que os médicos deveriam explicar sobre o DM, ajudar a entender o que está acontecendo, o que significa conviver com a doçura, qual o papel de cada um no controle e no sucesso do tratamento. Além disso, nos centros de atendimento, sejam hospitais, clínicas ou postos de saúde, faltam programas de educação em diabetes.

Mas também sei que muitos pacientes não procuram compreender mais sobre a questão e fazem isso porque acham que a responsabilidade é do médico e pronto.

Por isso, cada vez que escuto coisas 'erradas' de pessoas com diabetes fico pensando em como deve ser o controle e o cuidado diário da condição. Falta estímulo e acima de tudo integração entre médicos e pacientes. 

Que haja uma mudança de comportamento - dos dois lados - e que seja bem breve, para evitar que docinhos sigam repetindo coisas como "o meu diabetes é tipo 2, o seu diabetes é tipo 1 e por isso muito mais sério" ou outras coisas bem pesadas que, infelizmente, tem sido ditas...

Não existe mais ou menos grave. 
Sério é qualquer um. Sério é pensar que não é sério!! Mas mais sério ainda é acreditar que a 'doença' é uma sentença e usar isso como justificativa para não se cuidar.


15 março, 2015

Saúde em jogo?!

Não tenho dúvida que a tecnologia e os aplicativos hoje tem crescido e se expandido para todas as áreas e a medicina não fica de fora. Só sobre o diabetes temos redes sociais, aplicativos para ajudar no controle da glicemia, glicosímetros que se conectam aos telefones celulares e por aí vai.

Dentro desta linha, dois médicos da Universidade Estadual de Londrina lançaram um jogo online que, segundo eles, visa auxiliar os médicos das unidades de atendimento básico de saúde na administração de insulina aos pacientes com diabetes, o InsuOnLine: "como se trata de uma ferramenta de ensino, optamos por montar um game bastante direcionado ao tópico que queremos ensinar: manejo de insulina no diabetes em um contexto de Atenção Primária à Saúde (ou seja, na Unidade Básica de Saúde), especialmente em pacientes com diabetes tipo 2, que correspondem a mais de 90% dos casos de diabetes. Conversamos muito sobre isso no início do projeto, e a equipe decidiu que incluir a discussão de outros pontos do tratamento do diabetes, igualmente importantes (como a dieta, exercício, uso de drogas orais, etc.) poderia acabar distraindo o usuário do game e atrapalhando o seu aprendizado sobre o assunto que queremos ensinar: insulina."

Um dos responsáveis pelo projeto explica, nesse vídeo, a motivação pelo desenvolvimento do InsuOnLine, e destaca que há diferentes fases, subindo o nível das questões apresentadas:


O jogo foi premiado na Copa de Inovação da Microsoft, em 2013, e passou por um teste no qual dois grupos participaram de treinamentos em paralelo, sendo um por métodos tradicionais e o outro utilizando o game.

Não sou especialista e nem pretendo julgar ou avaliar temas que eu não conheço a fundo... mas apesar da intenção ser diretamente a aplicação de insulina, como eles destacam, acho muito estranho que este ponto seja isolado dos demais que interferem no controle da glicemia e, consequentemente, na dosagem necessária de medicamento a ser administrado (dieta, atividades físicas, medicamentos...).

E, pessoalmente, não gostei da apresentação do jogo (também está disponível em vídeo...).

Sem querer ser cartesiana, não fiquei muito convencida sobre a ferramenta, apesar de não ter nenhuma posição de algum usuário, seja positiva ou negativa.
Mas num momento em que se busca estreitar laços entre médicos e pacientes, substituir uma aula por um game, tirando o espaço para maiores discussões reais sobre casos clínicos não me soa bem - sem contar que os tratamentos não podem ser pré-estabelecidos e aplicados de maneira uniforme a cada paciente...


14 março, 2015

Olha o mate!!

Carioca da gema e de praia desde sempre... E praia significava mar (com direito a alguns caixotes!), castelo de areia, picolé, biscoito Globo e mate de galão.
Hoje, já que o melhor mate da praia não tem ainda a opção sem açúcar (fica a dica!), sigo no diet comprado pronto ou mesmo no fervido em casa, à moda antiga.

A boa nova é que a bebida queridinha ainda faz bem e ajuda a controlar o docinho!

De acordo a matéria divulgada pelo portal Minha Vida, "entre os nutrientes da erva-mate, e consequentemente de seu chá, destacam-se metilxantinas (cafeína e teobromina), compostos fenólicos, flavonoides e as saponinas."

Pois são estes 'compostos fenólicos', "que tem ação antioxidante" que ajudam a combater o diabetes.



Café da manhã, lanche, acompanhando um sanduba ou o almoço, a pipoca com o filminho da tarde, antes de dormir... quente ou frio... escolha o seu e tim-tim!











11 março, 2015

Nos passos da Educação...

Hoje é dia de comemorar. O passo é grande para mim e, me atrevo a dizer, para todos os muitos (ainda!) docinhos espalhados por aí.

Desde que conheci o conceito e entendi como tinha um efeito positivo no tratamento do diabetes – e aqui faço questão de pontuar que considero positivo para os pacientes, para os médicos, para a família e os amigos de quem convive... – tento me aprofundar na Educação em Diabetes. 

Não é somente uma teoria, nem mesmo uma simples aula. É um processo que interfere da maneira mais positiva possível na qualidade de vida e no dia a dia de quem convive com a doçura, interfere na maneira do paciente enxergar o diabetes.

É um meio de mostrar ao paciente de forma mais clara que ele pode levar uma vida normal, que precisar se cuidar não é um problema e que ele é parte fundamental (de novo, venho de atrevimento: parte principal!) no controle da sua glicemia e da sua saúde.

A educação em diabetes parte do princípio que o paciente deve se conhecer, deve saber sobre o significado de ter uma condição específica e qual o impacto disso. 

Voltando ao motivo da comemoração... Por pouco mais de um ano venho questionando à Sociedade Brasileira de Diabetes e à Associacao de Diabetes Brasil (os organizadores) sobre a paticipação no curso Educando Educadores, reconhecido pela Federação Internacional de Diabetes. 
E a resposta é sempre a mesma: o requisito básico é ser profissional da área de saúde (já até falei sobre isso por aqui).

Desta vez, fiz a mesma coisa quando recebi o e-mail falando sobre o próximo Curso que acontecerá em Abril, em São Paulo.
O diferente foi a resposta: fui autorizada a participar como ouvinte!! Não serei certificada, mas poderei participar do curso integralmente!

Mesmo não tendo o reconhecimento formal como Educadora, sei que participar do Curso vai ampliar o meu conhecimento e me ajudar ainda mais no controle e no cuidado com a doçura (sem contar os projetos que vem sendo pensados...). E é claro que tudo vai ser contado e mostrado aqui pelo IP... 

Feliz demais e já contando os dias ate lá!

08 março, 2015

Pra focar nos cuidados com a doçura!

A agenda de atividades da ADJ para este mês chegou com um pouquinho de atraso, já que eu estava viajando e não consegui postar a tempo... mas mesmo já tendo acontecido o primeiro encontro (Grupo de Crianças e Pais, que foi ontem), dá tempo de conhecer e se planejar para os próximos!

Grupo de Adolescentes e Pais
14/03 – 10h


Grupo de Adultos
18/03 - 14h

Grupo de Jovens maiores de 16 anos 
21/03 – 14h

Lembrando que, além destas reuniões específicas, há outras atividades na Associação que buscam orientar e ajudar o paciente docinho:

Entrevista inicial e testes de glicemia: de segunda a sexta-feira.

Dia-a-dia com Diabetes tipos 1 e 2: todas as terças e quintas, dividido por grupos de 6 a 11 anos, 12 a 17 anos e adultos - Atividades interativas, acompanhadas por equipe multidisciplinar.

Arte Terapia: toda sexta-feira, às 09h.
Odontologia Preventiva: de segunda a quinta-feira.

Atendimento Jurídico: às terças e quintas.

Atendimento de enfermagem e nutrição: de segunda a sexta-feira.

Podologia: segundas e terças - avaliação, teste de sensibilidade, corte de unha e hidratação.
Atendimento e orientação para atividade física: quinta-feira, na parte da tarde.

Atendimento de Psicologia: quartas e quintas.








Torcendo para que neste ano a educação em diabetes, a divulgação de informações importantes e a viabilização de tratamento de qualidade para quem precisa seja cada vez maior!






07 março, 2015

Direto no ponto!

O papel da insulina é compensar o açúcar no organismo, fazendo com que entre nas células para se transformar em energia. 
Normalmente, esta compensação é feita o tempo todo em pessoas que tem o pâncreas trabalhando. 

Em quem convive com o diabetes e precisa tomar insulina diariamente, um dos desafios é manter a glicemia controlada. Isso porque a insulina age por certas horas (varia conforme o tipo e o uso) e algumas vezes a dose injetada não compensa tudo o que foi ingerido (é uma matemática!!).

Algumas pesquisas já trouxeram soluções que melhoram bastante a forma de manter esta conta com saldo positivo (bomba de insulina, pâncreas artificial, insulinas de longa e longuíssima duração).
E - ainda bem que eles não pararam por ali - os estudos seguem!!

Agora o foco vem para uma insulina classificada como 'inteligente'.
Também de longa duração, o que faz dela diferente das demais é que, uma vez injetada, ela atua cada vez que há a ingestão de alimentos, durante um período de aproximadamente 14 horas. 
Os especialistas bioquímicos da Universidade de Utah, que estão liderando este estudo, chamam o medicamento de "derivado de insulina" e garantem que ele controla a glicemia "melhor do que qualquer outra coisa disponível para pacientes com diabetes".

Os testes em ratos mostraram bons resultados, mas seguirão por mais um tempo, com a expectativa de que os primeiros testes em humanos ocorram entre dois e cinco anos!

Avanços a passos largos...
E que sigam neste rumo!


06 março, 2015

Com rum, sem açúcar!

Praticamente duas semanas desligadas do mundo e estamos de volta. Passamos os últimos 12 dias em Cuba.

Para começar, vou falar sobre uma coisa que deve ser de atenção máxima tanto na ida quanto na volta de uma viagem internacional: o fuso horário. Sei disso, mas dessa vez acabei não prestando atenção neste detalhe quando foi servido o café da manhã no voo, quase na chegada no Panamá para a conexão.

O intervalo de tempo menor do que o devido entre as duas doses da insulina basal, a da noite e a de jejum, acabou fazendo com que ficassem sobrepostas.
Consequência: hipoglicemia logo que desembarcamos!
Compramos um chocolate e correção feita.

Mas isso acabou me deixando perceber que eu tinha cometido uma outra falha de principiante: dentre os lanchinhos comprados especialmente para levar, não tinha nenhuma opção que fosse com açúcar!!
Voltei na lojinha e me abasteci de chocolate para evitar qualquer problema em caso de uma hipo durante o período da viagem.

Carmencita, amiga-irmã caçula que viajou comigo, sabe sobre o DM e cuida! 
Presta atenção nas minhas glicemias, fica de olho nos horários pra não ficarmos muito tempo sem comer... Mas, repassamos os procedimentos e instruções para medir a glicose e aplicar a insulina ou o glucagen (novidade na área... logo farei um post específico), caso preciso.
Tudo certo, embarcamos novamente!





Chegamos em Cuba. 
Primeira parada: Havana. 
Não nos levou nem um dia para perceber que tínhamos chegado também em outros tempos, por volta de 1950.


Modos, hábitos, costumes, valores... 
Nada fácil de assimilar e, menos ainda, se acostumar.












O compromisso não é exatamente com uma reserva feita para hospedagem em uma Casa Particular específica, mas sim em conseguir para você uma Casa onde possa ficar.
Sem qualquer constrangimento, eles te recebem e informam que, por alguma razão, o hóspede anterior não pôde sair e com isso sua reserva agora é em outra casa. De parentes ou amigos, não importa. Funciona assim!
Água quente e disponível 24h também deve ser levado em consideração na escolha da Casa... Vimos - na prática - que não são todas que te oferecem um banho quente a qualquer hora!

De início, ficamos hospedadas no bairro Vedado, menos turístico, tipicamente cubano. 
A vida como ela é: difícil achar uma padaria, mercado, uma garrafa de água mineral para comprar.
Nos deparamos com ruas escuras, calçadas quebradas, prédios e casas bem destruídos, os centros de distribuição de alimentos para a população...






Depois da chuva e do frio inesperados do primeiro dia, decidimos voltar pra casa mais cedo e descansar. Não jantamos... Comemos um biscoitinho salgado no quarto mesmo e, para garantir que a glicemia não ficasse descompensada, tomei uma unidade a menos da Levemir.







No dia seguinte, 108 mg/dL. Não corrigi e reduzi em uma unidade a dosagem de jejum, já que tínhamos decidido tomar o café da manhã um pouco mais tarde.

Começamos a explorar a cidade e ver de perto lugares de grande importância para a história. 
Muita caminhada e alguns passeios depois, meu docinho estava 79 mg/dL!

A noite foi de jantar com pizza... Por lá, todas as pizzaria são cheias, das menores, que são quase escondidas numas janelinhas de uma casa, até as maiores (a Habana Pizza vale a pena! A pizza é boa e barata. Ah, e servida na mesma travessinha em que é assada, sem talheres ou guardanapos). 

Em relação à alimentação, apesar de ter ficado com a impressão de que eles se alimentam de pizza e sorvete (a sorveteria Copellia, bem tradicional, tem filas enormes de pessoas locais), comemos bem. Ótimas lagostas e peixes (outros nem tanto), porções enormes mas com acompanhamentos frios. 
Destaque para os chips de banana fritos e para o arroz com o feijão, temperados com cominho.

Mojitos são opção fácil e quase obrigatória em qualquer esquina (não amei, as Piñas Coladas eram bem melhores e o rum vinha na mesa para gente completar ao nosso gosto!). Já toalhas de rosto e pisos no banheiro são artigos raros.
Na noite que resolvemos ir a um Jazz Club (um sábado) a abordagem na rua foi desconfortável. Desde beijinhos jogados e 'psius' até tentativas infinitas de saber de que país nós éramos, uma sensação de invasão e opressão. Nada aconteceu, mas não foi uma boa experiência.

Na manhã seguinte, uma hipo de leve. 
Para evitar que se repetissem, considerando as grandes distâncias que estávamos caminhando descobrindo os cantinhos das cidades, passei a não corrigir mais as glicemias pré-prandiais (que ficaram entre 85 e 105 mg/dL na maioria das vezes).
Além disso, a decisão de reduzir em mais uma unidade a dose de insulina da noite.

Bem pertinho da nossa casa no Vedado (praticamente em frente), Carmem viu uma casa que era, na verdade, um Centro de Atenção ao Diabético.
Uma pena não ter tido a oportunidade para saber mais informações sobre os atendimentos e o funcionamento... 

Continuando pela história de Cuba, pegamos a estrada para Trinidad.
O café da manhã foi no caminho e quando chegamos, decidimos ir almoçar em um dos restaurantes mais comentados da cidade. Nada mais justo do que comer o prato que era o carro chefe da casa: frango com molho de limão e mel. Corrigi o docinho por conta e medi duas horas depois: 115 mg/dL! Bingo!!

Na manhã seguinte, programação especial: uma pedalada até a Península de Ancón - cerca de 25km, ida e volta. 
Dose de Levemir de jejum reduzida já que a atividade física maior que a usual já seria um fator de compensação.
O café da manhã foi especial também... Sem contar o suco, o capuccino (vale observar que quase 100% das vezes que pedimos às bebidas sem açúcar, nos informaram que o preparo não tinha açúcar adicionado... Ótima surpresa!) e as torradas com manteiga, me dei ao luxo de comer um pouquinho de mel.

Aqui aproveito para dar uma dica: para quem usa adoçante, se quiser ir a Cuba leve o seu... Praticamente não vimos, mas para mim isso não era um problema já que bebo sucos e cafés purinhos.

Mas vale avisar, quando a escolha for o café da casa, para não colocarem açúcar no suco. Uma única vez o nosso suco de goiaba (as goiabas de Cuba são maravilhosas!!) estava adoçado, mas quando comentamos que eu não podia, a nossa hostess fez uma outra jarra sem! 

Em todas as casas que ficamos, tínhamos uma geladeira ou frigobar à disposição, mesmo que fora do quarto.
Para as insulinas que estão em uso, não é preciso refrigeração. Mas sempre que viajo, levo refis (lacrados) a mais e estes sim precisam ser mantidos refrigerados.

Pois bem... Quando eu achava que não podia pensar em mais nada em termos de cuidado e precaução, Camencita veio com a ideia de pegarmos sachês de açúcar e deixar na bolsa, para o caso de uma queda brusca e repentina no docinho ("a gente não vai precisar usar, mas é bom ter").

A tranquilidade máxima durante a viagem estava garantida, tendo do lado alguém que é doce junto.

Pegamos estrada de novo, dessa vez para cachoeiras de tirar o fôlego de tão lindas

Seguimos para Cienfuegos e, de novo, a surpresa de chegar numa cidade e a nossa casa não ser a que reservamos...

Stress, desapontamento, até que depois de um belo pôr do sol conseguimos enfim acalmar e sentar para comer e beber.
E olha aí o registro: piña colada 'sin azucar'!
Como fomos de pão, muito azeite e cogitamos a possibilidade de comer uma sobremesa, corrigi a glicemia já contabilizando tudo.
E não é que me precipitei??! Nosso jantar que foi só de entradas bem gostosas e não teve prato principal, não deixou espaço para o doce de sobremesa. Um café com rum para encerrar!
No meio da madrugada, uma hipoglicemia bem grandinha!! Susto na caçula, que ficou preocupada, uma dose de chocolate e a lição de só corrigir o que será ingerido no momento.
Se depois decidir comer mais e for preciso, faz-se uma nova correção...

Uma percepção foi a de que, apesar de não ser um fator limitador, não é bom logo depois de uma semana de ritmo puxado e já um pouco fora da rotina, como o Carnaval, emendar uma viagem a um lugar diferente e onde o acesso a produtos considerados simples não é exatamente fácil, como Cuba.
Talvez a opção por um lugar mais tranquilo e de cultura mais próxima à nossa seja melhor para colocar mente e corpo de volta ao eixo.
Uma carga emocional, tal qual a trazida pela cultura e pela maneira dos cubanos em tratar com pessoas e certas questões, pode interferir no controle e na manutenção das glicemias em índices estáveis.

Voltando aos hábitos locais, era raro ter sabonete nos banheiros de lugares públicos (às vezes, nem água!). Por isso, nosso kit de sobrevivência - lenço umedecido, lencinho de papel, sabonete líquido e álcool gel - ia junto sempre.
Medir a glicemia sem lavar as mãos com água e sabão pode levar a um resultado falso e a consequência pode ser uma correção desnecessária no docinho.

Na volta pra casa, café da manhã reforçado, já que não daria tempo de almoçar, e um lanchinho sem vergonha no aeroporto para despedida: pizza e cerveja.

Para fechar com chave de ouro e colocar mais um item na lista de aprendizados da Carmem, medimos a pós-prandial: a minha e a dela.
Como eu não tinha corrigido a glicemia pré por conta do tempo que teríamos pela frente sem comer (fiz de caso pensado e sem me arriscar, qualquer coisa diferente disso seria errado), estava um pouco mais alta do que deveria... Mas corrigi na refeição seguinte e assim sabia que evitaria grandes variações durante os voos.
A dela estava tinindo, dentro do previsto.

Por fim, mais uma vez a certeza que o diabetes não é um fator impeditivo para nada, desde que nós sejamos plenos conhecedores da condição e dos cuidados mínimos necessários. 

E, seja no dia a dia ou correndo o mundo, ter alguém para dividir e ajudar só deixa tudo ainda mais fácil.
Explique, fale sobre, divida.
Eu garanto que é melhor!

Agora, de volta às pesquisas, aos estudos e assuntos da vida doce.
Sabe aquela máxima de que "viajar é muito bom, mas voltar pra casa é melhor ainda"?! 
Feliz por estar de volta.
O saldo da viagem foi positivo. Foi incrível e uma experiência e tanto, mas já estava com saudade.