Crônicas do Isolamento -- O peso e o pesar de uma Pandemia

1.726 vidas perdidas em 24h. 
Se iniciou um novo março, em um novo ano, e a situação de destruição causada inicialmente por um vírus é ainda maior do que naquele março de 2020 em que a gente ainda colocava em dúvida a capacidade de alcance do tal covid-19.

Se a máscara incomoda, incomoda ainda mais saber que a contaminação anda tão desenfreada. 
É aqui que entra a minha justificativa para aquele "inicialmente" colocado ali em cima. 
No início, não sabíamos ainda o verdadeiro potencial de fatalidade e de alcance do vírus. No início, não sabíamos ainda que a pandemia duaria tanto tempo. 
Por isso, no início, o que nos cabia era ouvir as instruções e seguir conforme o protocolo. E, ao que parece, isso ficou lá no início...

Hoje em dia, numa saída rápida para ir ao mercado, vejo pessoas inovando com o uso da máscara: tem no queixo, pendurada na orelha, até no cotovelo! E ouvi recentemente médico que continua defendendo coquetel de medicamento que não tem eficácia. 

O que falta para a população entender que aglomerar é um risco 100% comprovado? 
Saber das vidas que se foram não é suficiente? Saber que tem hospital sem oxigênio e sem vaga não assusta? 

Eu sinto tanto... 
Esse vírus não é estático. Ele não pára no sujeito inconsequente que quebra a barreira de isolamento e se expõe. Ele pode passar dessa criatura sem noção e chegar em mim, em você, em um profissional que esteja no caminho de ida ou volta do trabalho porque não pode se dar ao luxo de ficar em casa. 

Quanta tristeza nesse egoísmo. 

O Brasil, mundialmente conhecido por ser o incível país tropical acolhedor, se revela mais individualista do que nunca.

Parem!! Por favor, parem. 
Pensem em quem vocês querem ter por perto depois que isso tudo passar e parem. 
Protejam os seus, pelo menos. 
Só isso já pode gerar uma onda de retenção enorme da pandemia. 

Usem máscara. 
Lavem as mãos. 
Mantenham o distanciamento. 
Se tiverem qualquer suspeita de sintomas, procurem um médico e se isolem. 

Foram 1.726 mortes em 24h.
28 mortes em Santa Catarina em um único dia por falta de UTI. 

O que mais pode abalar essa gente que segue aglomerando em bares e praias?? 

Nesse Brasil tão grande e desigual, ver essas ações irresponsáveis por puro individualismo dói demais. 

Respeitem.
Repensem!

Eu também estou cansada...
Cansada de ter que ficar longe dos meus.
De não poder sair pra passear nos finais de semana.
De não poder ir à praia e passar horas entre os mergulhos e o mate.
De não poder ir ao cinema ou curtir um show.

Só que risco maior, para mim, é passar por isso tudo e chegar ao final faltando alguém. 

Por isso, mesmo cansada, prefiro seguir me protegendo - diabetes tipo 1 tá ali me lembrando que sou grupo de risco a cada alicação de insulina - e protegendo minha famílias, meu amor, meus amigos. 

Ao nosso alcance, o que é possível deve ser feito: máscara, isolamento.  

No mais, ligue para matar a saudade, faça chamadas de vídeos para tomar café da manhã junto, marquem um bate papo com vinho ou suco.
Tem alguma questão de saúde que precise de atenção? Mantenha seu tratamento em dia.  
Meça sua glicemia. Corrija quando for preciso. 
Fique atento às suas doses de insulina ou aos horários dos medicamentos. 
Coma uma fruta. E uma pizza também! 
Assista um filme. Ria, chore...
Durma. 
Faça exercícios!! Caminhe dentro de casa, faça polichinelo no meio da sala, pule, dance!
Ligue o rádio e deixe a música te levar. 
Limpe os livros da estante e escolha um para viajar pelo mundo da literatura.
Ou não.
Se achar que é melhor assim, dê uma pausa nisso tudo.
E tudo bem. 

Lembre que, apesar dos pesares, vai passar!

Quarentena. 
Dia 353.


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