Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

13 março, 2017

Força, raça e gana sempre...

Há 8 anos eu venho aprendendo diariamente a ser doce.
Há 8 anos eu resolvi que faria de um susto, um recomeço.
Há 8 anos eu decidi que a doçura não seria um obstáculo para nada.

Há 8 anos o diagnóstico que chegou de supetão me fez parar e, depois de muito choro, respirar fundo e levantar a cabeça para me jogar com tudo naquela nova realidade.

2 consultas com a Endocrinologista e mais uma com a Nutri, algumas lancetas jogadas fora enquanto eu descobria como funcionava o mecanismo do glicosímetro e dez dias depois, um atestado em inglês e outro em francês seriam, junto com as minhas insulinas, os companheiros de uma viagem de trabalho fora do país. Em nenhum momento pensei em não ir... Não se tratava de um desafio, mas da vontade de mostrar - já naquele momento - que não seria o diabetes que ia impor qualquer limitação aos meus dias.

Até hoje tem sido assim!
Nem todo dia é bom, nem todo dia é calmo... O receio de uma hipoglicemia ainda paira no ar algumas vezes; a tensão na espera pelo resultado dos exames ainda acontece.

Mas a parceria da minha médica, sempre respondendo todas as minhas perguntas e esclarecendo as minhas dúvidas com paciência, o cuidado e o amor de quem está comigo, tomando conta e fazendo o possível para entender como esse tal diabetes tipo 1 funciona, são fatores insubstituíveis no meu tratamento.

São 8 anos sem complicações!! (ufa!)
Sorte? Não. Dedicação, empenho. Acima de qualquer coisa, querer estar bem.
De lá para cá, foram quase 12.000 furinhos nos dedos e mais ou menos 8.500 injeções na pancinha ou na perna.
Reclamações?? Nenhuma!
Nem um roxinho eventual me tira o foco de que estou prezando pela minha vida todos os dias.

Em todo esse tempo eu também aprendi que não é sempre assim.
Que faltam recursos, falta informação, falta atenção à quem convive com esta condição. E exatamente por causa dessa situação, nesse tempo eu consegui enxergar que educação em diabetes não é só para o paciente.

Uma vez minha Super Endócrino brincou dizendo que por minha causa ela estava reavaliando os conceitos que tinha em relação ao diabetes tipo 1. Que quanto mais tempo passava, melhor era o meu controle e menores as minhas doses de insulina; que até então, tudo que ela via era o oposto.
Nem pensei para responder, só disse a ela que eu nunca estive sozinha. Que desde o início, sem qualquer pedido meu, as minhas pessoas buscaram se informar sobre o que era esse tal diabetes para poder me ajudar com o que fosse preciso. E assim, desde o início eu me senti segura e acreditei que tudo ficaria bem.

Se a família, os amigos, os amores se envolvem e buscam entender, a gente se sente mais confiante. Isso torna tudo mais fácil!
As decisões em relação aos meus hábitos e ao meu tratamento são só minhas e sigo optando por me cuidar. Mas ter apoio total e ver quem está por perto 'participar' na minha doçura deixa cada etapa do meu dia melhor e mais leve.

Por isso, há 8 anos eu venho agradecendo, bem lá do fundo do meu coração, a cada um que entrou nesse barco comigo desde o primeiro momento e segue junto até hoje.
A cada um que me faz confiar quando estou me sentindo culpada por um resultado mais alto, que me faz ter calma quando eu fico de saco cheio, que me faz comer para evitar uma hipo, que me faz medir a glicemia no meio de um ensaio, que aprende uma receita alternativa para tirar um pouco a carga dos carboidratos, que compra um chocolate diet novo que viu no mercado, que dedica um tempinho por mim...
Amo vocês!

São 8 aninhos de uma vida nova que me trouxe mais amigos, novas experiências e tantos, tantos ensinamentos.

Enquanto a cura não chega, vou em frente com toda a minha força, em busca de mais e mais bons anos convivendo em paz com essa condição de saúde que requer atenção sim, mas que em nenhum momento me limita.


Viajo por aí.
Passeio por aqui. 
Desfilo a vida nos meus carnavais. 
Fico de ponta-cabeça no meu pilates. 
Defino meu rumo. Eu defino, não o diabetes! Esse me acompanha e vivemos bem assim.




Nenhum comentário:

Postar um comentário