Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

10 janeiro, 2013

"Senta que lá vem história!"


Com pouco mais de dois anos de Insulina Portátil, realizei que em nenhum momento eu contei aqui como tudo de fato foi descoberto.

Então chegou a hora. 
Porque foi de uma forma inesperada e onde só eu não percebia os sintomas. Mais: deixei passar um ano entre a primeira suspeita e o diagnóstico!



Como todo ano, marquei consulta com a minha ginecologista para fazer todos os exames de rotina. E como todo ano, o resultado saía e era encaminhado direto para o e-mail dela, que analisava, me ligava dizendo que estava tudo ok e pronto. "Um beijo e te vejo ano que vem".

E foi quase desse jeito em Março de 2008, a não ser por um único detalhe: minha glicemia estava alterada. Em jejum, tinha dado como resultado 170mg/dl. Já que todo o exame estava bom e dentro dos índices esperados, a recomendação foi para que eu repetisse o exame apenas para confirmar a glicemia, pois tudo indicava que era erro do laboratório.

E foi justamente esse ponto que eu fixei. E assim segui... afinal, se era erro significava que tudo estava bem. Não refiz. Deixei passar.

1 ano depois voltei para a consulta com a ginecologista. Tudo de novo e o resultado: a glicemia estava em 330 mg/dl!

Ela já desconfiava do que aquilo significava. Eu não fazia idéia!

Os sintomas eram claros, mas não pra mim.

Eu estava trabalhando em um projeto no Maranhão e justificava a sede constante ao calor que fazia por lá. Da mesma maneira, a vontade constante de fazer xixi era porque eu bebia muita água... Simples assim.
Sempre comi muito bem. Desde pequena, mau humor significava fome. Então, de novo um sintoma passou despercebido. E olha que eu tomava café da manha, saía de casa para trabalhar e quando chegava no escritório já estava novamente com fome.

Também tinha perdido muito peso em pouco tempo, mas creditava isto ao ritmo de trabalho + ensaios, embora algumas pessoas próximas me alertassem com frequência para o fato de que eu estava muito magra, que eu deveria procurar um médico...

A apenas 10 dias de fazer uma viagem de 3 semanas a trabalho para o exterior, fui pela primeira vez na vida a uma consulta com endocrinologista.
Minha Super, que foi indicada pela ginecologista (elas são amigas e isso fez diferença para mim e ajudou bastante!).

"Louca! Ela só pode estar louca. Eu não tenho diabetes." Este foi o pensamento no segundo em que ela me deu o diagnostico: diabetes mellitus tipo 1.

Sim, sim... a reação de imediato foi negar! 

Ela me examinou da cabeça aos pés, conversou à beça comigo.

Eu não consegui acreditar. Não eu. Que não comia doces, que me alimentava bem. Levei um susto dos grandes!

E aí veio a segunda noticia: que a partir de então eu deveria tomar insulina diariamente. Pronto, como se não bastasse a "doença", já estava num estágio grave!

E, ainda bem, eu estava completamente enganada com essa conclusão. Na mesma consulta, ela já me explicou a diferença entre os dois tipos de diabetes mais conhecidos e as formas de tratamento de cada um deles, o que me fez aprender que o fato de tomar insulina não estava diretamente ligado à gravidade do DM.

Além disso, foi super gentil e soube lidar com meu susto (e o meu choro!). 
Ali ela conquistou a minha confiança e a mim.

Confesso que não absorvi muito do que me foi dito nesta primeira consulta, mas aos poucos fui aprendendo a lidar com toda aquela 'novidade' e a tal viagem a trabalho (que teve uma semaninha a mais dedicada exclusivamente a passeios e turismo!) foi o primeiro passo para eu entender que o diabetes não era uma bola de ferro presa no meu pé.

Cada um reage de uma maneira à situações difíceis. Isso é inquestionável. 
Mas o que fica e eu faço questão de ressaltar com meu lapso, é que quando se trata de saúde não se pode e nem se deve esperar.
Não pode deixar a dúvida no ar. 
Busque, investigue, corra atrás.
Longe de mim entrar na onda do "e se...".

Mas como bem disse a minha Super lá em 2009, só agradeço a sorte (e ao meu Anjo da Guarda forte, que estava do lado!) por não ter tido nada grave e sério neste período!

6 comentários:

  1. Voce é um exemplo, beijos tia Ci

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  2. O mais triste é que nós, da família, não soubemos alertar...Até hoje eu penso muito nisso. Mas graças a Deus você soube superar com sua alegria contagiante! Você é MIL!
    Beijos da dinda.

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  3. Ju, belíssimo texto. Beijos!!

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  4. Obrigada, meus amores!! :)

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  5. Reli várias vezes. !!!
    Preciso desse exemplo !!!

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