Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

13 setembro, 2016

É preciso falar sobre diabetes...

Nos últimos dias um termo até então pouco conhecido tem se alastrado pela internet: diabulimia.

Conforme explica a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - SBEM, é uma "situação em que o paciente diminui as doses de insulina ou deixa de tomar o hormônio para provocar o emagrecimento".
A palavra é a junção de outras duas: diabetes + bulimia.

Para ficar claro, destaco a definição de bulimia, ainda de acordo com o que estabelece a SBEM: "é caracterizada por compulsões periódicas, em que o paciente ingere grandes quantidades de alimento e tenta se livrar do alimento e das calorias ingeridas com métodos compensatórios".

Tratam-se de distúrbios alimentares que trazem graves consequências.

No caso da diabulimia, surge após um diagnóstico de diabetes no qual o paciente passa a ganhar peso em função da insulina utilizada no tratamento., como colocado pela Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes: "pesquisadores estimam que entre 10% e 20% das adolescentes até os 16 anos e entre 30% e 40% das jovens entre 16 e 25 anos com diabetes alteram a dosagem de insulina para controlar o peso".

O efeito direto no controle da glicemia é imediato e, em situações extremas, pode ser irreversível, como aconteceu com a Lisa, num caso que foi recentemente divulgado. Ela sofria de diabulimia e morreu há um ano... Na matéria divulgada pela BBC (link aqui) tem alguns trechos do diário dela, que a mãe e a irmã encontraram depois de tudo e só então descobriram o que acontecia. A Lisa tinha 14 anos quando foi diagnosticada, em 2001, e desde então sofria com o diabetes tipo 1 e a bulimia.

Eu reforço diariamente que é possível conviver com o diabetes numa boa e faço isso porque realmente é assim que lido com a doçura. Não é simples e requer muita disciplina e cuidado, mas é  possível. Por outro lado, sei que lidar com todas as adaptações que se tornam necessárias, das mais simples às mais complexas, pode não ser uma tarefa exatamente fácil. Sem contar o bulling, que pode ser devastador para um adolescente que só quer fazer parte, seja do que for.

Eu agradeço por ter um apoio incondicional da minha família e dos meus amigos desde o meu dia 1, não tenho dúvidas de que isso segue fazendo a diferença. E, honestamente, tenho consciência de que tive sorte por não ter passado por qualquer susto antes de ser efetivamente diagnosticada.

Eu já vinha perdendo bastante peso, mas aquilo não me chamava atenção... Quem vai achar ruim comer à beça e continuar magrinha? Não esqueço do que uma amiga querida, que é psicóloga, me disse uma vez: 'se você tivesse engordado na velocidade que emagreceu, certamente teria buscado ajuda profissional'. Sim, é fato! A gente se incomoda com tudo que sai do eixo e do que consideramos 'ideal'.

Não dá para julgar, não dá para apontar o dedo. O momento é de entender o que é esse distúrbio, falar sobre isso, de como deve ser tratado, de como podemos perceber que há algo errado. Mais um motivo para insistir no atendimento multidisciplinar dos pacientes docinhos.
Endócrino, Nutricionista, Psicólogo, Educador Físico... Não é exagero e nem preciosismo, é saúde e bem estar como prioridade.

Diabetes vai muito além de insulinas, agulhas, glicosímetros e zero açúcar. Os mitos estão aí, pipocando pelos cantos, enquanto assuntos sérios estão passando despercebidos. É preciso estar atento e forte. É preciso trazer à tona o conhecimento, como forma de prevenção de complicações e situações tristes - mas reais - como esta. É preciso falar sobre o diabetes diariamente!


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