Status: robô em modo tentativa e erro!

Tudo que se refere à tecnologia em saúde me enche de esperança, principalmente quando falamos do tratamento para o diabetes tipo 1!

Mesmo eu, que já fui diagnosticada em tempos de caneta de aplicação de insulina, agulha pequenininha, ponta de dedo com resultado em segundos, sei da importância de cada avanço... 
Se antes era preciso ferver a urina e com uma tira reagente era possível saber - sem nenhuma exatidão - a faixa em que a glicemia devia estar (e isso já era uma baita tecnologia para a época), ter um sensor colado no braço que alerta sobre variações glicêmicas sem que sejam necessários grandes esforços de nossa parte para medir é a realização maior do dia a dia de quem fica no fluxo mede - aplica - corrige - ajusta - mede de novo e repete!!

Por aqui, eu vinha usando o Libre desde 2016... 
Logo que ele chegou no Brasil, mesmo com uma certa desconfiança, me rendi ao modo robô.  
E quando lançaram o Libre 2 não foi diferente.
Mas de uns tempos para cá, o Libre 2, pelo menos comigo, começou a apresentar muitas perdas de sinal e conexão com o sensor, mesmo com o celular na minha mão, além de apontar erros e necessidade de substituição do sensor frequentes... 
Pronto! Era o que eu precisava para, enfim, começar a testar o que a concorrência tem a oferecer.
 
O escolhido da vez foi o novo sensor da Roche, o Accu-Chek Smart Guide. 
Escolhi o Smart Guide por ser de uma marca que eu conheço e gosto dos produtos (os glicosímetros que eu mais gosto em termos de conforto e confiabilidade são o Performa e o Guide, também da linha Accu Chek).

No geral, os sensores são parecidos. 
A aplicação do Smart Guide também deve ser feita nos braços, o sensor tem uma duração de 14 dias, o aplicativo apresenta previsão da hemoglobina glicada, temo no alvo e gráficos de variação das glicemias ao longo do dia. 
O Smart Guide é um pouco maior que o Libre. 
A forma de aplicar também não difere tanto, só achei o aplicador um mais bruto, mais duro.

Para instalar, é preciso abrir o aplicativo, pedir pra localizar o sensor (a busca é pelo número de série) e, depois, digitar o código que fica na tampa azul da embalagem.


A partir dali, esperamos 60 minutos para a ativação.
Aqui é que as diferenças entre o Smart Guide e o Libre mais se destacam.
No Smart Guide, as primeiras medições aparecem em 'modo tendência'. 
Isso significa que o sensor ainda não foi calibrado e, inclusive, a fabricante recomenda que se faça ponta de dedo durante esse período. 

A calibração é solicitada duas vezes nas primeiras 24h de ativação do sensor e só depois disso é que o sensor entra em 'modo terapia'. E, além do aplicativo de monitoramento, tem um aplicativo auxiliar que apresenta a expectativa de glicemia para os 30 minutos seguintes. 
Tudo isso com a possibilidade de ligar alertas de queda ou elevação de glicemias, além de perda de sinal. 

Eu estou usando o Smart Guide há quase três meses...
Consigo perceber claramente que me bateu uma ansiedade de leve bem típica de início de tratamento. 
Acho que por não saber exatamente como o sensor ia se comportar, se estaria compatível com a glicemia de ponta de dedo ou não, eu acabei entrando num movimento de checar a doçura pelo aplicativo várias vezes ao longo do dia. 
E o fato é que, até aqui, eu não entrei no modo automático de confiança!

Nos últimos quatro sensores usados, tive problemas de perda de conexão e - o mais complexo! - glicemias no aplicativo muito diferentes das glicemias de ponta de dedo, mostrando hipoglicemias que não faziam qualquer sentido (LO ou muito baixas, sem sintoma).





No primeiro sensor que deu problema, o próprio aplicativo me 'avisou' que era preciso substituir. 
Fiz todo o atendimento pelo 0800 da Roche. Me pediram algumas informações específicas (nota fiscal ou comprovação da compra no site da Accu Chek, fotos ou prints das glicemias diferentes, número de série do sensor e o envio do sensor defeituoso).

Já no segundo caso, mesmo comprovando diferenças de valores que iam de 51mg/dL no sensor à 98mg/dL na ponta de dedo, a Roche me informou que isso estava "dentro dos parâmetros aceitáveis de variação". 
Honestamente, isso me irritou além da conta! Essa dita 'variação aceitável' pode valer uma vida. 
Quem sabe o mínimo sobre cuidados no tratamento do DM1 entende que para um caso é preciso consumir algum carboidrato de rápida absorção (um suco adoçado ou uma coca-cola, por exemplo) e no outro é preciso até aplicar insulina). E aí? Qual risco assumir? 

Me assustou muito quando a atendente da Roche se espantou quando eu disse que tomava decisões de aplicação de insulina com base no que o sensor me mostrava... 
Fiquei com a sensação de que a empresa não tinha oferecido o mínimo treinamento à quem coloca no serviço de atendimento. 

Dois dias depois, com o sensor ainda apontando grandes diferenças da ponta de dedo, liguei de novo e dessa vez informaram que este sensor também será substituído. 
(não vou nem entrar no mérito de que eles pedem um prazo de 10 a 15 dias úteis para entregar o novo sensor...)

Segui tentando, coloquei outro sensor, mas também houve diferenças muito grandes de glicemia.
Hipoglicemias severas no Smart Guide, enquanto na ponta de dedo passava dos 100mg/dL, perda de conexão mesmo estando com o celular do meu lado... 
E, do mais absoluto nada, em um domingo tranquilo no sofá de casa, o aplicativo alarmou avisando que MAIS UM sensor tinha parado de funcionar e precisaria ser substituído -- faltando 5 dias para encerrar o prazo.

 

Enfim, cansei. Não posso colocar a minha saúde em risco por qualquer tecnologia que seja! 

Sei que o sensor pode funcionar para uns e não dar tão certo para outros (assim como acontece e já ouvi relatos com o Libre que nunca aconteceram comigo). 

Sem dúvidas, quanto mais opções tivermos no mercado, melhor será para a nossa saúde e para tratamentos mais eficientes. 
Pois que a Roche e cada uma das empresas concorrentes se preocupem com quem usa e precisa do dispositivo, para além de querer buscar uma fatia de lucro -- que sabemos que existe e é necessária para manter uma empresa funcionando.
As empresas precisam entender que têm uma responsabilidade que está totalmente ligada ao produto que fornecem!

Vou para o próximo...
E, dessa vez, pelos caminhos que levam à China!









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