A volta aos canteiros de obras!

Entrei na Enel em julho de 2019. Oito meses depois, foi declarada a pandemia. 

Inicialmente fomos orientados a ficar em casa por duas semanas, enquanto se avaliava - mundialmente - a real proporção da transmissão do vírus, até então, desconhecido. 

Antes que se completassem as duas semanas, já recebemos a nova orientação: sessenta dias em casa. 
E no meio desse período, com a gravidade da situação e o grande aumento no número de casos e de perdas registradas diariamente, já se anunciou na empresa que até o final daquele ano deveríamos ficar na modalidade de trabalho remoto. 

2020 passou, veio 2021 e entre os altos baixos pandêmicos, chegaram as vacinas! 
O alívio trazido pela ciência foi, aos poucos, nos libertando para reencontros e possibilidades de respirar do lado de lá da porta de casa. 

Eu, viajante fugaz, já sentia tanta falta de estar rodando por estradas e voando pelos céus do Brasil e do mundo, que me bastava uma voltinha de carro pela cidade para que a emoção tomasse conta. 

Voltei a ir eventualmente à restaurantes, parques e... ao escritório. 
Como foi bom rever pessoas que vinha 'encontrando' só pelas telas. 
Como foi bom conhecer pessoalmente os que eu havia conhecido já em modo virtual.

Em 2022, recomeçamos na modalidade de trabalho híbrida, alternando mais dias de forma presencial entre os que continuariam em home office. Máscaras, um certo distanciamento nas salas...
Agora, finalmente, recebemos a autorização para voltar à visitar os nossos projetos em andamento!

Uma viagem de trabalho, depois de tanto tempo! 

Lá fui eu, me preparar para essa experiência de (re)ver de perto uma obra. 
Sempre gostei disso. Apesar do cansaço do longo deslocamento, do ritmo mais intenso de trabalho, estar no local de construção de uma obra de geração de energia é indescritível.

Assim fomos: éramos 9 dessa vez. 
E a obra, agora, é de um Parque Eólico. Sim, aqueles cata-ventos enormes (e lindos!) que produzem energia limpa e renovável.

Um voo até Salvador e, de lá, sete horas de estrada. 
Cansativo sim, mas a expectativa por poder voltar a estar no local onde minha obra acontece era maior que o cansaço.

No aeroporto, obrigatoriedade de uso de máscara a partir da área de embarque. 
Dentro do avião, permissão para retirar a máscara somente para crianças e idosos ou pessoas com necessidades especiais de alimentação (já me incluí nessa, caso tivesse uma hipoglicemia...).

O projeto está bem no comecinho, então ainda sem registos daquelas enormes pás girando à força do vento. Mas ainda assim, com o registo do orgulho que vem ao saber que estou contribuindo para um mundo mais limpo e seguro.


No escritório, uso obrigatório das máscaras.
No canteiro, além delas, capacete e as perneiras para proteger contra picada de cobras!!


Fazer a engenharia acontecer, na prática, sempre levou a muitos questionamentos: até onde podemos ir sem impactar na vida dos que vivem no entorno dos projetos? até onde conseguimos os mover sem trazer desconforto para os que estão lá?
Da hidrelétrica às plantas eólicas e solares avançamos muito nos últimos 20 e poucos anos. 

E aí, eu não posso deixar de traçar um paralelo aos avanços no tratamento para o diabetes. 

Se a tecnologia avançou e nos permite hoje em dia construir uma usina de geração de energia de maneira mais otimizada e menos destrutiva, na doçura o sensor me permite viajar e passar o dia na minha obra com a tranquilidade de ter um sensor me monitorando a todo momento.

Sempre que estou fora de casa e, principalmente, sempre que saio da minha rotina, a monitorização acontece com mais foco e atenção. Qualquer coisa diferente pode interferir na glicemia - até as muitas horas de estrada pelo caminho.

A alternativa, então, é me preparar adequadamente: levei meus lanchinhos para o caso de precisar dar um reforço nos carboidratos entre as refeições e levei o dobro de insumos do que eu efetivamente precisaria. 



Na mochila e na malinha de mão tinha, também, atestados médicos. 
Não sei como estão os processos das companhias aéreas nesse momento de transição entre a pior fase da pandemia e esse agora, mais controlado. Preferi não arriscar. 

Exagero? Nenhum! 
Fui para uma cidade no interior da Bahia, ao norte do estado. Mais ou menos 20.000 habitantes e a aproximadamente 500km de Salvador. 
Não sabia se, numa urgência, encontraria tirinhas ou insulina por lá. Imaginei que não, mas resolvi parar nas duas farmácias de referência do município e verificar... 

Insulinas, de fato, não tinham para compra e retirada imediata. Mas nas duas farmácias me deram a opção de encomendar e receber em um dia. 
Sobre os insumos, só não tinham sensores:



Não tinham em quantidade e variedade como encontramos por aqui, mas tinham bastante coisa! 

Tudo correu bem, não tive nenhum episódio de hipo ou hiper que me deixasse tensa ou assustada e ainda deu tempo de encarar uma boa moqueca baiana em Itapuã antes de voltar pra casa!



Mais uma vez a educação em diabetes e a consciência sobre as nossas obrigações e o nosso protagonismo me fazer rodar e voar tranquila por aí...







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