Uma boa viagem!

O mar cura. 


Amar cura. 

Viajamos eu e Rafa. 
Precisávamos desses dias de sossego, riso, choro, calma, sono, preguiça.
De calor, de mergulho, de aventura, de registros iluminados dessa nossa caminhada juntos. 

Há dois anos vinha esperando por férias efetivamente sentidas como férias. E agora, depois de viver a pandemia com todo cuidado, precaução e respeito, decidimos viajar e aproveitar o - merecido - tempo de descanso para curar mente e corpo.

Das dores pandêmicas de tanta perdas geradas pela irresponsabilidade dos nossos governantes, das dores físicas geradas pela falta de movimento trazida pelo isolamento, das dores do coração que eventualmente surgem em momentos de decisões difíceis... 

Como esses dias foram importantes e fizeram bem. 

Fomos para Ilha Grande e, aos quarenta e cinco do segundo tempo, decidimos complementar a viagem com uns dias em Paraty. 





Vacinados com as três doses, conseguimos curtir sem o grande receio que até então vinha acompanhando todos os passos dados.

A Ilha nos recebeu com um sol espetacular. 
Mas, sem máscaras. 
Percebemos ainda no porto de travessia de Conceição de Jacareí que éramos das poucas pessoas ainda usando máscara. 

Chegando lá, percebemos que desde as pessoas que estavam andando pelas ruas até os que estavam trabalhando e atendendo em ambientes comerciais tinham deixado a máscara de lado. 
Na nossa pousada, o uso era obrigatório somente para nos servirmos no café da manhã e no lanchinho da tarde. No mais, sem nenhuma obrigação.

Aliás, vale um comentário especial sobre a pousada: perto do buxixo, mas afastada o suficiente para manter a tranquilidade. Na beira do mar, a poucos passos de tudo que a gente precisava e queira! Foi uma indicação super acertada de uma amiga querida que conhece bem a ilha...
 
Chegamos no horário do almoço e teve peixe, caipirinha e mar para começar. Depois, uma trilha curtinha (mais ou menos quarenta minutos caminhando) e a doçura dando sinais de que seria necessário reduzir a quantidade de insulina. 

Aquele básico que a gente sabe e no dia a dia às vezes esquece: quando o exercício está na rotina, o corpo em movimento ajuda no controle da glicemia. 

Assim eu fiz. Já no dia seguinte ao da chegada, reduzi em uma unidade a basal (aquela dose diária para manter o corpinho são). Passei a monitorar a glicemia com mais frequência e diminuí também a dose da insulina de bôlus (aquela de correção principalmente para as refeições). 
A grande vantagem da gente entender sobre cada passo do nosso processo da vida com o diabetes é essa: a gente sabe logo o que fazer quando é preciso um ou outro ajuste. 

Ah, e um detalhe muito importante é sobre a conservação da insulina em tempos de muito calor e de passar o dia entre praias. Eu uso um estojo térmico que adoro (mostrei ele aqui) e mantém a insulina em temperatura adequada por umas doze horas. 
Mais um cuidado bem importante: sempre ter o que comer ou beber para o caso de uma hipoglicemia. E nesse ponto, desta vez eu não me preparei muito bem nos primeiros dias. Acho que não levei em consideração o quanto ia gastar de energia com as caminhadas até o porto de saída dos passeios de barco e nem nos mergulhos ao longo do dia. O fato é que paramos em uma praia que não tinha qualquer estrutura de restaurante ou bar e eu já tinha dado conta do mel que eu tinha levado... comi biscoito doce, mas ainda assim não estava subindo a glicemia como deveria. Rafa viu umas meninas bebendo coca-cola e perguntou onde elas tinham conseguido... explicou a situação e elas me deram uma (tinham levado com elas no barco). 
Pronto, a solidariedade de pessoas legais me ajudou e a partir de então, eu só saía levando minhas coquinhas junto! 

As glicemias ficaram bem confusas nessa viagem. Primeiro pelas quedas bruscas causadas pelos exercícios que eram parte natural das nossas atividades. 
Segundo, porque as refeições eram mais voltadas aos pratos típicos da beira-mar (moqueca, aipim frio, peixe ao molho de camarão, pirão... tudo tão gostoso!!). 


Não são comidas e temperos que eu estou habituada a comer e a correção acaba sendo um mistério, mesmo tentando acertar na contagem de carboidratos. 

Mais uma vez reforço: meçam a glicemia. Sempre que puderem, sempre que for necessário. 
Eu estava com o Libre e o sensor se comportou muito bem, apesar de sol, sal e protetor solar em doses grandes!
De qualquer forma, para garantir que eu não ficaria 'às cegas' caso desse algum problema no sensor, tinha levado tirinhas e lancetas na mala.

Mas é isso: tenho as ferramentas, sei como e quando usar e como devo ajustar quando for preciso. 
Viva a educação em diabetes! Viva a apropriação da nossa condição de pessoa com diabetes e o autocuidado. 

Disciplina é liberdade, lembram?
Andar por aí e conhecer o que o mundo tem a nos oferecer é uma das maiores alegrias que eu tenho. 

Diabetes não é sentença.
Que venham as próximas viagens. 
Que venham os novos pontinhos a marcar no mapa.

Sair, passear, descansar. Tudo isso faz um bem enorme. 
Viagem!! 
Se cuidem, aprendam a cuidar da sua doçura do diabetes e viagem!





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