Abre aspas...


Tudo pode mudar, dependendo da maneira como as coisas são ditas. 
E essa é daquelas teorias que valem para qualquer assunto ou situação.

Hoje fui fazer os exames periódicos da empresa. 
Nada demais, controle padrão. Mas em uma das etapas, justamente na conversa com a clínica geral, ela me pergunta, sem qualquer delicadeza: "tem doença?".
Eu levei um susto. Cheguei a ficar alguns segundos repassando a pergunta para entender se eu tinha ouvido corretamente... 
Respirei e respondi: tenho um diagnóstico de diabetes tipo 1. 

Não tenho problemas em assumir meu DM por aí. Nunca tive e nunca fiz isso. Só que também nunca me vi ou me considerei doente. Tenho uma condição de saúde que requer cuidados. E não, isso não é negação. É a minha maneira de enxergar o diabetes. Se eu não me cuidar e não seguir o meu tratamento como devido, aí sim posso ficar bem doente. 

Para deixar claro o que eu quero dizer, durante o mesmo exame, quando fui conversar com a psicóloga, a pergunta foi feita de outra forma: "tem alguma doença crônica ou psíquica diagnosticada?". Mesma questão levantada, outra abordagem. Esta, humana e delicada, como deve ser sempre. 

Fiquei realmente incomodada. 
E por isso consigo entender quando ouço ou leio relatos de pessoas que foram dispensadas de empregos quando abriram que têm diabetes. 

Pessoas com diabetes ainda são vistas como incapazes, menos desenvolvidas, sei lá. 
Mais uma vez isso tudo se deve à falta de conhecimento sobre a condição, sobre os tratamentos, sobre o que de fato pode causar uma complicação e, principalmente, sobre a falta de acesso de todos, inclusive para os profissionais, à educação em diabetes. 

Longe de mim ser radical e querer que cada um da área da saúde seja expert em diabetes. Adoraria, mas para isso temos os especialistas. Só que educação em saúde vai além. 
É preciso que esses profissionais se atualizem e entendam que cada vez mais pacientes de qualquer doença tem mais acesso à informação e, consequentemente, melhores condições de gerir seus tratamentos. 

'Ter a doença' não nos faz menor. 

Repensem.
Não nos tratem como algo maior do que o ser. 
Não somos a doença. Somos pessoas que, apesar dela - seja qual for - vivemos para muito além de medicamentos e insulinas e afins. 

É preciso falar sobre diabetes!
Sempre.
Muito.
Em todos os lugares. 

Respeito, por favor.  


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