Crônicas do Isolamento -- Entre dias reinventados...

Quarentena, semana 10, dia 64. Que loucura! 

Os números dos gráficos seguem sendo manchete de jornal. Não gosto nem de falar sobre a quantidade de nomes e histórias que preenchem cada pontinho dessa curva.

Continuo escolhendo acompanhar de longe. Não por alienação, mas por sanidade. 
O diabetes, a hipertensão, as doenças pré-existentes ainda são a máxima dos anúncios de uti's, gravidade e tudo mais... 

Enquanto isso, aqui um outro gráfico vem sendo monitorado com muito mais afinco: o das variações glicêmicas. Nunca tomei tanto cuidado com um sensor do libre preso no meu braço. Nunca cuidei tanto das horas, do rodízio de aplicações, da contagem de carboidratos. É tudo que está ao meu alcance fazer. 

Os dias passam dentro uma rotina reinventada de trabalho que agora se espreme às tarefas de casa - a comida, o mercado, a limpeza -, o sono (ou a falta dele), um filme vez ou outra, uma partidinha de buraco... E a cada dia que se soma ao placar do isolamento social, as coisas vão se encaixando melhor.

A espera inicial pelo "até quando vai ser assim?", na expectativa de que em uns dois meses tudo isso teria passado, vai dando espaço a um sentimento de que ainda falta um tanto nesse tempo. A imprevisibilidade assumiu a liderança. 
Tô com saudade de mar e de mãe.
Tô com saudade de cinema e livraria. 
De pão na chapa na padaria. 
De andar por aí sem hora, sem máscara, sem medo.
Saudade de viajar. 
Saudade de tamborim e boteco. 

Já pode ser carnaval quando acabar?
Quem sabe um novo réveillon? Tipo um 2020.1...
Já vale o registro: "quero que tudo saia como um som de Tim Maia, sem grilos de mim, sem desespero, sem tédio, sem fim".
Pode ser?

Que venham dias melhores. 
Que tenhamos pessoas melhores. 
Que se moldem valores e escolhas melhores. 
E que seja breve.
Pode ser?






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