Colômbia, con mucho gusto!

Para mim, viajar é um dos grandes prazeres da vida. A cada nova viagem, uma nova visão de mundo. Mais cultura, mais conhecimento, mais alegria, mais vontade de sair por aí e seguir explorando o planeta.

Um dos medos que eu tive no meu diagnóstico foi justamente o de não poder mais viajar. Na minha falta de entendimento sobre a condição, eu cheguei a pensar que o diabetes se tornaria um fator impeditivo.
Não! Não mesmo. Mas isso só foi possível porque eu decidi aprender sobre o diabetes e me dispus a ficar de bem com ele.

Hoje, com a saúde e a doçura numa boa, nada me impede de fazer o que eu gosto e nem de viajar!

O destino desta vez foi a Colômbia.

Foram 6 horas de voo.
8 dias pelo país
que tem 10.000.000 de habitantes na capital
está a aproximadamente 2.600m acima do nível do mar
com 2 horas a menos de fuso horário.

Foram 35 agulhas
1 dose a menos de insulina basal por dia
1 tirinha para testar cetona
19 hipoglicemias registradas
20 episódios de hiperglicemia
Cerca de 132 medições feitas nesse período.

Não sei se foi a altitude ou só a gastronomia local, mas alguma coisa foi a grande responsável pela bagunça na minha glicose. Hipo - compensa - hiper - corrige... Nessa confusão, o vai e vem dos números do meu doce trouxe cansaço e vez ou outra um enjoo.

Quando fui à Bolívia e ao Peru não cheguei a sentir os sintomas da altitude. Aconteceu uma alteração / interferência da altitude no glicosímetro - que eu só descobri no final da viagem - e por isso desta vez eu já fui preparada. Estava usando o Libre e levei também as tirinhas. Queria ter todas as ferramentas para garantir que poderia monitorar a condição da melhor maneira.

Fiz o que pude: deixava coca-cola, chocolate, mel e um biscoitinho doce ao alcance, para o caso de precisar recorrer ao açúcar e acabei ficando super alerta em relação à monitorização de glicose. Depois do terceiro dia seguido de hipoglicemia durante a madrugada, resolvi reduzir a dose de basal em uma unidade. A partir desta redução as coisas melhoraram um pouquinho, mas aí veio o outro lado da questão: fiquei com um grande receio de ter hipos novamente e passei a tomar menos insulina de ação rápida para corrigir os carboidratos das refeições.
Resultado?? Hiper!

O fato é que a alimentação acabou tendo uma grande interferência. Fazer a contagem de carboidratos de pratos típicos não foi fácil como eu pensei que seria. A comida colombiana é gostosa, mas de forma geral, bem gordinha. A base da culinária tem arroz, milho, batata e banana em um mesmo prato, na maioria das vezes. E a carne de porco também vem como estrela nas refeições. Outra coisa que eles comem do café da manhã ao jantar é a arepa. Parece uma panqueca, só que feita de milho e bem adocicada. Essa eu não curti muito...
Já a 'bandeja de paisa', um prato caprichado e completinho, com carne picadinha, toucinho de porco assado, feijão e uma fatia de abacate fresquinha, além da base de arroz e banana frita, eu adorei!

As bebidas (cafés, chás, sucos) em sua maioria já vem adoçadas com 'água de panela', que é a infusão de uma 'rapadura', um doce local feito à base da cana de açúcar, e usada em substituição ao açúcar comum.

E dá-lhe insulina!!!

Calculadora, contagem, bôlus e quase na véspera de voltar eu consegui entender os efeitos dessa comida toda na minha glicemia. A doçura ficou mais comportada, finalmente.
Essa ciência inexata do diabetes dá umas rasteiras na gente de vez em quando!
No final das contas ficou tudo bem.
Sem grandes sustos, nada grave e mais e mais (e mais ainda!!) aprendizado.

Além do Cundimpro, festival de teatro de improviso que o Rafa participou e que motivou a viagem (ele e a equipe da Cia de Teatro Contemporâneo ficaram em 3º lugar no pódio! Parabéns, meninos!!), o ponto alto foi a visita à Associação Colombiana de Diabetes. Me emocionei e me encantei com todo o trabalho que esta organização sem fins lucrativos e que não recebe qualquer subsídio do governo realiza. Fui muito bem recebida pela Angela (educadora em diabetes) e pela Liliana (psicóloga), que me apresentaram toda a instituição. Agradeço mais uma vez!

Mosquera (a mais ou menos 20km de distância de Bogotá) ficou no coração.
Uma cidade pequena com jeito de cidade grande, que oferece cultura e educação de primeira, além de ser muito acolhedora.


Arturo e Juancho, os organizadores do festival de teatro, atenciosos e cuidadosos sempre.
Michele, Wilson e a fofura da Sofia e do Samuel, que nos recebiam diariamente para todas as refeições temperadas com amor no Maralú.
Todo o neon do Hotel Gol Center!

Tabio, uma cidadezinha que encanta já na chegada.


A enorme e diversificada Bogotá.



A Colômbia em números, cheiros e cores...
Mais uma viagem para a conta.

De volta, a glicemia já se organizou, a casa está ficando em ordem e o trabalho sendo colocado em dia.



Na mala vieram muitas fotos, um livro novo (não resisto a livrarias, seja onde for) e a grande certeza repetida nas letras de Gabriel García Marquéz: "A vida é uma sucessão contínua de oportunidades".

Só nos cabe saber aproveitar cada oportunidade que a vida oferece.














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