Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

11 outubro, 2015

Os 'buenos dias' latinos!

Mais uma saída pelo mundo. E mais uma vez, a volta com a certeza que viajar é sempre bom demais!

Na companhia de amigos tão queridos, os dias pelo Peru e pela Bolívia foram sensacionais, de muita parceria e muita diversão.

Apesar de dois sustinhos no caminho, no fim tudo deu certo e mesmo os imprevistos viraram histórias para contar.

Saí do Rio no dia 20/09. Voo com destino a La Paz e uma conexão estendida em Lima.
Como o voo era de madrugada e eu tinha alguns eventos que não podia deixar de ir, acabei não dormindo. Viajei virada.
Nenhum problema nisso, a não ser pelo fato de que eu acabei me desligando da hora e tomando a dose da insulina da noite mais tarde que o de costume.

Por volta das 07h, foi servido o café da manhã no voo. Tomei a dose de insulina de jejum normalmente. Pouco tempo depois, hipoglicemia! O que aconteceu é que o intervalo entre as duas doses foi pequeno. Erro repetido... falta de atenção! Mas comi um chocolatinho e logo estava tudo certo.

Ah, as refeições especiais que eu tinha pedido à companhia aérea (Avianca) vieram certinhas e estavam bem equilibradas. Só deixaram a desejar com as bebidas: não tinham nenhuma zero.

Como todas as vezes que viajo, procuro levar uma quantidade razoável de lanchinhos sugar free. Desta vez não foi diferente e eu, por puro ‘achismo’, imaginei que não fosse ser fácil ter opções mais saudáveis e/ou sem açúcar.

A primeira surpresa veio ainda em Lima. Passeando pelo Larcomar, um shopping à céu aberto na beira do mar, uma parada para um sorvete e a descoberta do Congelatte, um carrinho de picolés deliciosos, feitos com frutas locais e que tinham vários sabores sem glútem e outros adoçados com stevia.

Tomei o de lúcuma, essa fruta aí da foto:
Sabor forte, mas bem gostoso.

De volta ao aeroporto para embarcar para La Paz, outra surpresinha: cookies de coca, também com stevia.
Comprei!


Já que os milhares de metros de altitudes nos aguardavam, tinha que provar!

Assim como a folha e o chá, o sabor é parecido com o do nosso mate, mas mais suave.

O cookie? Razoável, um pouco seco.





Durante toda a viagem, encontrei muitas opções de produtos usando stevia, tanto na Bolívia quando no Peru. Mas uma coisa me chamou a atenção: a maioria dos produtos – e aqui entram os com açúcar e os sem – não tem rótulos com as informações nutricionais.
O jeito foi pensar nos nossos semelhantes para calcular as quantidades de carboidratos, quando preciso.

Seguimos na rota e em La Paz passeamos pelas muitas curvas da cidade e pelas centenas de lojas de artesanato local, com uma parada em especial: Gravity, uma agência de passeios radicais.
O foco? Descida de bicicleta pela Estrada da Morte!!

Uma apresentação completa sobre a aventura e não precisamos de muito tempo para fechar.
Ansiedade no alto e eram praticamente 5 crianças esperando a hora de começar a brincar!

No dia seguinte, logo depois da primeira pedalada na bike, a emoção tomou conta. Agradecimento por estar ali. Oportunidade única, desafio, uma beleza sem fim.
Foi fenomenal, inacreditável. A cada etapa cumprida, um novo agradecimento.
Uma queda no caminho: uma amiga precisou de atendimentos médicos, mas tudo ficou bem!!

Docinho comportado e a sensação de plenitude no final do percurso. Mas os detalhes conto logo, num post exclusivo sobre isso!

Nosso plano inicial era alugar um carro na Bolívia e seguirmos para o Peru, parando no Lago Titikaka e seguindo até Cusco.
Não deu: lá soubemos que o Peru é o único país que só permite a entrada de veículos próprios.
Novo planejamento e decidimos ir de avião para Cusco.

A cidade já agradou logo na chegada. Além de ser muito maior do que eu imaginava, é bem organizada e bonita.
A Plaza de Armas, onde a maior parte da história está concentrada, é charmosa e parece que te chama para ficar por ali.

Já no primeiro dia, começamos a explorar a gastronomia: alpaca, lhama. Sabores diferentes, exóticos e bons.

À noite, a preguiça pelo cansaço e o frio falaram mais alto e acabamos indo jantar num restaurante em frente ao hotel.
Não sei se pela gordura em excesso do prato escolhido ou se pela combinação das opções exóticas do almoço, enjoei sério!
Passei a noite super desconfortável e no dia seguinte mal conseguia colocar alguma coisa no estômago.
E aí, como gerenciar insulinas e glicemias??

Decidi pegar bem leve no café da manhã: meia tangerina e uma xícara de chá de camomila. No almoço, uma sopa de batatas.
Ao longo do dia fui melhorando, mas segui monitorando a glicemia para evitar qualquer susto.

Para tomar a insulina da ceia, meus biscoitos de castanha companheiros – que tinham vindo do Rio - foram a salvação!
No dia seguinte tudo estava de volta à normalidade.

Exploramos um pouco mais a cidade e os arredores do Vale Sagrado: Pisaq, Moray, Salinas de Maras, Ollantaytambo.
Uma parada em Águas Calientes para, enfim, chegarmos a Machu Picchu.

A imensidão, a história, as conquistas, a funcionalidade... tudo tem uma razão. Andamos por cada pedacinho, tentando alcançar um pouco de tudo que foi vivido por lá um dia, tentando capturar um pouco de toda aquela energia. 
Como sabia que seria um dia de muita caminhada, subidas e descidas, caprichei no café da manhã de novo e reduzi a dosagem de insulina de jejum. Água, lanchinhos e mel na bolsa, fui tranquila.
No final, docinho estava 108 mg/dL!

Na nossa última noite em Cusco, um imprevisto grandinho: estávamos praticamente prontos para sair, Cusqueña (a ótima cerveja peruana) em punho, quando um dos amigos precisou ir para o hospital.
Suspeita de cálculo renal... foi medicado e, depois de todos passarmos a noite com ele, voltamos para o hotel bem rapidinho, porque em seguida já íamos embarcar de volta à La Paz.

Durante os dias de viagem, registrei 3 hipos seguidas! As três na madruga e bem baixas: entre 45 e 50 mg/dL!!
Tive que reduzir um pouco a dose de insulina da ceia. 

Algumas razões possíveis: exercícios mais frequentes e com uma carga maior do que as minhas atividades físicas normais; alimentação diferente do habitual, afetando a relação insulina e glicemia; altitude.

Com todas essas hipos, resolvi pesquisar e descobri que a altitude pode influenciar diretamente os níveis de glicose medidos: 
"Altitudes extremas, com alteração da concentração de oxigênio, podem levar à superestimação da glicemia (...)".
(Fonte: SBD)
Passei a ficar mais atenta nos valores medidos em relação às refeições feitas. Foi na base da tentativa e erro mesmo.

Na véspera de voltarmos, ainda fui surpreendida mais uma vez: estávamos todos no movimento de arrumar as malas, porque no dia seguinte nosso voo saía cedinho e, para facilitar, pedimos uma pizza. Medi o docinho, fiz a correção necessária com a insulina e comi. Menos de duas hora depois, antes de dormir resolvi medir a glicemia mais uma vez, para garantir que nada ficasse fora do eixo... Ainda bem!!
Mesmo comendo pizza, já estava com a glicemia em 72 mg/dL. Parti para um copo de coca-cola e reduzi um pouco mais a dose da insulina da ceia.


Enfim, preferi arriscar e corrigir em jejum do que ser despertada por mais uma queda na doçura.

De vota para casa, voltei também para a minha rotina. 
Em pouco tempo, doses de insulina ajustadas e glicemias reguladas!

Na bagagem, muito aprendizado para uma próxima viagem e a alegria de conhecer mais um pouquinho desse mundo tão grande.


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