Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

30 abril, 2018

Diabético por tabela?? Diabético por amor...

Recentemente estava no Chá de Bebê de uma amiga e, em algum momento, uma senhora me parou e pediu para prestar atenção ao que o marido dela me mostrava. Quando olhei, ele estava apontando para o braço para me mostrar que também estava usando um Libre. Ele tinha visto o meu e isso foi a deixa... Perguntou se eu estava bem, voltou para o papo com os amigos e a mulher dele puxou a conversa comigo. 

Ele tem diabetes tipo 2 e há algum tempo já faz o uso de insulina. Ela não... 
Mas é ela quem 'faz' o tratamento dele.

Num desabafo, ela me contou que geralmente ia a todas as consultas com ele, entrava na sala dos médicos, apresentava o histórico de glicemias e doses de insulina e ele mal comentava. Uma situação em que ela estava no papel principal - sendo a paciente - e ele como um mero coadjuvante. 


A questão é que para o bom controle do diabetes, não bastam insulinas e glicosímetros. É preciso assumir a sua própria condição, tomar à frente, focar no autocuidado! 
Eles chegaram a ter problemas com um médico. Chegaram para uma consulta, mal foram ouvidos, os exames ficaram de lado sem qualquer análise... Decidiram buscar outro especialista. 
Foi o momento em que tudo começou a mudar para eles. 

Enquanto esperavam, ela repassava mentalmente tudo que precisaria ser dito e apresentado para a nova médica. E aí, uma surpresa: quando a médica abriu a porta do consultório e chamou pelo paciente, disse que ele deveria entrar sozinho, sem acompanhante. 

Assim foi feito. 
Não era o caso de um paciente que precisa da ajuda integral de um terceiro ou mesmo de uma pessoa que não tem entendimento nem discernimento do que precisa fazer. 
Ele sabe aplicar a insulina, ele sabe medir a glciemia. Mas acabou se acomodando porque ela, por preocupação, assumiu a frente. 

Ao final da consulta, ela foi chamada.
Estava tudo bem e, a partir dali, havia uma nova visão dos dias de doçura para aquela família. 
A posição da médica tinha uma explicação: ele é o responsável, ele é o paciente. Enquanto ela assumir a condição dele, não vai haver iniciativa para o cuidado efetivo. 

Eu tenho certeza que esse caso não é único. 
Por amor, a tendência de quem está perto pode ser essa de assumir para garantir que nada dê errado. 
Não critico jamais. Mas precisamos dosar a interferência para não travar as pessoas com diabetes. Quanto mais sabemos e entendemos sobre a condição  mais liberdade e qualidade de vida teremos em troca. 
A educação em diabetes aliada ao conhecimento leva à aceitação.

O apoio familiar é fundamental, eu sei e comprovo!
Emponderar, aprender, se envolver, ter empatia e cumplicidade nos ajudam sempre, diariamente. Só não pode ocorrer uma inversão de papéis, porque quando há a tendência de alguém assumir a nossa condição, isso pode gerar um efeito grande e complicado: a insegurança.

- Ah, mas e o casal? Eles se adaptaram à esta nova forma de rotina com a atenção ao diabetes?
Sim!!
Hoje em dia, ele já compra as insulinas que usa. Antes, não sabia nem o nome...
Ela está confiante e percebe que atualmente ele se preocupa mais com o controle. 
No mais, ela segue se aproveitando dos benefícios da tecnologia e checando a glicemia dele, vez ou outra, com a facilidade do sensor. Um carinho que não interfere no 'protagonismo' dele e que faz um bem danado. 

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