Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

19 abril, 2018

4º Ato: os números do Combo da doçura...

É pré, é pós, é na hora de fechar os olhinhos para sonhar, é no meio da madruga...

Um bom controle do diabetes está diretamente relacionado ao auto-monitoramento da glicemia.
Na prática, a gente sabe que nem sempre é possível medir a glicemia tanto quanto seria o ideal. Mas, em teoria, o glicosímetro é um dos nossos melhores amigos e, seja com sistema de monitprização contínua - sensor - ou com tirinhas e furos nos dedos, acompanhar a variação glicêmica é o passo fundamental para manter a doçura em ordem.

Com o AccuChek Combo, tenho conferido a minha glicemia entre 8 ou 9 vezes ao dia. E aí estão os meus números desde o começo da vivência em modo biônico:

Já fizemos ajustes nas dosagens de insulinas depois da análise de alguns deles e continuamos buscando uma adequação.

Pois bem, o que é uma grande vantagem no AccuChek Combo - a possibilidade de programar doses diferentes de insulina por intervalos de tempo (a cada hora!), é uma questão que acaba me deixando insegura. A cada dois ou três dias estamos analisando as minhas glicemias registradas. Em cima desses resultados, minha endócrino e as educadoras fazem os ajustes necessários.
Para mim, isso acaba remetendo a uma instabilidade no meu controle.

Com a caneta, tenho doses de insulina praticamente constantes. Quando muito, altero em duas unidades (a mais) no período menstrual.

Por outro lado, consegui perceber nesse tempinho uma leve melhora na minha pancinha em relação à lipohipertrofia (porque apesar de saber que devo revezar os locais de aplicação, nem sempre faço como deveria ser... contei sobre isso aqui no IP). Menos picadas na barriga = menos gominhos de gordura indesejados = menos risco de não-absorção de insulina.

Acho que toda essa tensão e ansiedade por estabilidade é natural em um momento de adaptação a um novo tratamento...
Então, seguimos nas avaliações e no empenho máximo nesse período de teste!

18 abril, 2018

Do tipo que se importa...

Há algum tempo fiz um post comentando sobre um desenho que eu tinha visto referenciando uma pessoa com ‘diabetes tipo 3’.
Brincadeiras à parte, achei a classificação justa e bem bacana.

Não posso falar por todo mundo, mas eu sei a diferença que faz ter alguém cuidando, mesmo sem a gente pedir, se preocupando, mesmo quando a gente sabe que está tudo bem, questionando, só por querer aprender o que fazer para ajudar a deixar a gente mais segura e confortável.
Faz um bem danado - no coração e na glicemia também, tenho certeza! - saber que alguém zela pela nossa saúde. Que alguém busca conhecimento, que pergunta, que questiona. Por mim, por vocês...

Eu posso dizer sem qualquer dúvida que meu time de ‘diabéticos tipo 3’ é grande! Bem grande!!
E eu tenho uma gratidão enorme por isso.

Hoje eu falo para cada um que é amigo, irmão, pai, mãe, tio ou tia. Para os avós, os amores, os filhos. Para os chegados, os que nem conhecem direito, mas que se importam.

A gente que convive com a condição vive em um aprendizado constante. Você, que é o apoio, o suporte, a segurança, o ombro, a parceira de cada docinho: não se prive jamais de estar perto, de ajudar e de entender.

Não sabe como contribuir? Não sabe como fazer?
Pergunta para mim;
Pergunta para quem está do lado de vocês.



- O que você gostaria de saber?
- O que você gostaria de aprender?
- No que gostaria de ajudar?


Diz aí!

Eu respondo, sem qualquer constrangimento, de coração aberto e com muito prazer!!









15 abril, 2018

3º Ato: As surpresas dos dias no modo 'bombada'!

Até aqui, 9 dias com a bomba...

...e sigo embolada nas madrugadas. Seja com a bomba presa no short do pijama ou solta na cama (mas devidamente presa na cânula pelo cateter), eu me espalho e ela não me acompanha. Mas vou resolver isso com o tempo e a prática.

Ao longo da semana a glicemia até que se comportou bem.
Algumas variações além do esperado, alguns resultados pós refeição batendo a casa dos 200 mg/dL, que podem ter sido em função de correções erradas.

Explico: tenho muito medo de fazer hipoglicemia. E aí, em alguns casos, não levo tão na teoria a contagem dos carboidratos. Calculo como deve ser e - que fique bem claro - por minha conta, acabo descontando alguma coisa no valor total. Com isso, o erro pode acontecer.
Sei que eu peco pelo excesso, acabo sendo conservadora, mas com um tratamento novo, ao qual eu ainda estou me adaptando, prefiro assim...

A supresa nesses últimos dias foi a tal da bolha!
Uma bolha pequena, mas que tem um poder grande de interferir na correta liberação da insulina pela bomba.
O que acontece é que quando forma uma bolha no cartucho de insulina, ela impede a passagem da insulina e aí, o que vem pelo cateter é só ar. E ar não faz a glicemia baixar, é simples assim!!

Consultei meu time de educadoras - a Lari e a Carol - e com a orientação delas, fiz o procedimento para eliminar a tal indesejada. Parei a bomba, dei o comando para preencher o conjunto de infusão e lá se foi a bolha. Tudo e volta ao seu devido lugar.

Depois da bolha, uma hipo. A primeira com a bomba... Por mais que racionalmente eu tenha a consciência de que o ideal é ingerir 15 gramas de carboidratos, na prática fui em frente e a doçura foi também. Quem nunca?!

Hoje, um sustinho me pegou despertando: glicemia de jejum estava 208 mg/dL. Isso não é comum para mim e me deixou meio apreensiva. Mensagens enviadas para as educadoras e para a minha endócrino, decidi trocar logo a cânula, já que era dia.
Aí entendi o que estava acontecendo!
Quando dei o comando para preencher a cânula...
 ...percebi que o cateter estava obstruído! A insulina vinha por todo o cateter, mas não saía como deveria.
(Essa pontinha é que estava 'entupida')
Era esse o problema.
A insulina não estava entrando no meu organismo e a glicemia seguia alterada.

Fiz a troca do conjunto completo - cateter, cânula e cartucho - e não achei complicada, só achei trabalhosa.

O que me dói é ver esse cartucho com um restinho de insulina ir para o lixo........
Accu-Chek Combo como companheiro e vamos em frente no modo biônico!



10 abril, 2018

2º Ato: As primeiras impressões da minha parceria com o Combo...

Quatro dias completos com a Bomba e eu já fiquei embolada no cateter de madrugada e presa no braço da cadeira!
Nada grave, nada sério, só a falta de hábito mesmo.
Mas até aqui, tudo está indo bem.

Estou achando o Accu-Chek Combo prático de manusear. O fato de não ter que ficar mexendo na Bomba o tempo todo deixa tudo mais fácil... O glicosímetro do combo acaba funcionando como um controle remoto. A gente mede a glicemia, informa a quantidade de carboidratos que serão ingeridas e, com as configurações que já foram inseridas na bomba referentes às quantidades de insulina, ela calcula a dose necessária e a mágica acontece: a insulina começa a ser liberada.

Ontem fiz a primeira troca da cânula. Sem mistério! Foi bem tranquilo.
O aplicador é grande e apesar de parecer complicado, à primeira vista, é simples de usar.
 A agulha é retirada...
 ... e é este filamento que fica dentro da pele depois de aplicada a cânula.
Com os resultados das glicemias registrados nesses primeiros dias, conseguimos - eu, a Monique (minha Super endócrino) e a Larissa (a Educadora que está acompanhando o meu teste) - analisar em que horários seria preciso fazer ajustes nas doses de insulina.

A Monique acabou sendo mais conservadora inicialmente, para evitar uma eventual hipoglicemia. Como não aconteceu e minha glicemia de jejum estava ficando mais alta do que o meu padrão, as doses da madrugada foram aumentadas.

Tanto na bomba quanto no glicoseímetro eu tenho acesso aos meus dados de glicemia medidos, a qualquer momento. E, se por acaso eu esquecer de lançar alguma informação importante (quantidade de carbos, em qual refeição foi o registro, se houve a prática de exercícios...), eu posso editar o respectivo registro e alterar ou acrescentar o que for preciso.

Além disso, o Accu-Chek Combo me dá as médias de glicemia para intervalos de 7, 14, 30, 60 e 90 dias.
E uma vantagem do sistema de infusão contínuo de insulina, na minha opinião, é a possibilidade de poder corrigir a doçura pós-prandial de imediato, com a dose de insulina certa e necessária, nem a mais e nem a menos.
(isso acontece porque a Bomba permite que sejam aplicadas micro doses de insulina, como expliquei  lá no post sobre o 1º Ato dos dias em modo biônico)

Por escolha, decidi continuar usando o Libre.
Não precisa e não há qualquer conexão dele com o Combo, mas como eu estou muito adaptada a esse sistema de monitorização e ele me dá as tendencias de glicemia e os gráficos com a visão da variação ao longo do dia, optei por manter o sensor já que estou com um tratamento novo e com um esquema de insulinização diferente.
Uma observação: as medições no dedinho e no sensor tem ficado bem próximas!

Nesse curto intervalo de tempo, o balanço é positivo. Só não consegui ainda me adaptar ao fato de ter algo pendurado no corpo...
Sigo por aqui tentando manter o cateter em ordem!!



06 abril, 2018

Modo biônico - pra começar outra vez: 1º Ato!

Tentativa e erro... erros e acertos.
Diabetes é assim.

Um dia uma unidade de insulina funciona para corrigir um lanchinho. No dia seguinte, você toma duas para o mesmo lanchinho e pode não funcionar.
Depende de tantas variáveis!

E foi por isso que eu aceitei fazer o teste com a bomba de insulina da Roche.

- Ué! Mas você não se adaptou à esse tipo de tratamento.

Pois é.
Não curti e pretendia negar quando a Roche entrou em contato comigo. Marcamos um café para bater um papo e eu fui até lá pensando em como negar com gentileza e simpatia.

Cheguei, nos encontramos e em 5 minutos eu já tinha mudado de ideia.

Eu sou muito adaptada ao tratamento com as canetas de insulina. Não me incomodo em furar a pança para aplicar e a verdade é que não preciso usar muita insulina de correção.
Além disso, sou muito sensível à insulina de ação rápida... Recentemente minha dose de insulina basal foi reduzida e o passo seguinte seria mudar a minha caneta da insulina de bôlus para a que permite meia dose, em vez de uma unidade inteira.

Foi justamente por causa desta última questão que eu optei por testar o AccuChek Combo. Nessa bomba é possível regular a quantidade de insulina em micro-doses (a mínima é de 0,0025 unidade).
Decidi tentar!
A bomba é um sistema de infusão contínuo de insulina. Ou seja, ele fica conectado ao meu corpo o tempo todo e vai liberando insulina em quantidades pré-estabelecidas (definidas pela minha médica, junto com a Educadora da Roche) a cada 3 minutos.

O Combo não funciona com um sensor, mas com um glicosímetro daqueles de furinho no dedo e tirinhas. O grande diferencial é que ele se comunica diretamente com a Bomba, por bluetooth, e é aí que a mágica acontece.

Na instalação da Bomba são definidos os meus parâmetros para a relação insulina / carboidrato (uma unidade de insulina para compensar uma quantidade específica de carboidrato), a quantidade de insulina basal para o dia (hora a hora), a minha faixa alvo de glicemia (a mínima e a máxima aceitáveis) e informações sobre condições especiais de saúde (prática de exercícios, período pré-menstrual, doença, etc).
Assim, quando eu meço a glicemia, a bomba recebe os dados da medição, eu adiciono a quantidade de carboidratos que eu vou ingerir e pronto: a bomba começa a liberar a insulina necessária.

Uma coisa que achei bem prática foi o fato do cartucho de insulina da Bomba se conectar diretamente  à caneta. Fica fácil transferir...



A aplicação da cânula e do cateter também foi bem simples de executar.
O aplicador é grande, mas no final das contas, essa agulhina é que 'abre' o caminho para a entrada da cânula:

A previsão inicial é de dois meses para o teste.

Hoje foi o grande dia e agora estou, mais uma vez, em modo biônico.

Em breve, mais notícias sobre a experiência!!

03 abril, 2018

A continuação. Ou, o (re)começo...

Diagnóstico. Blog. Um artigo... Congresso da IDF.
Educando Educadores. Influenciadora junto à SBD. Uma R-evolução Azul.
Movimento Diabetes Rio. Comunicação e Saúde... Fiocruz.
Uma Revista. Jornalismo. Outro Congresso.
Um Café. Associação de Tanguá...

A doçura me levou por um caminho novo, de cuidado e aprendizados constantes.
De uma busca por melhores condições e do viver bem diário.
Uma busca por mim e por outros tantos iguais.

Devagar, de mansinho...
A minha vivência sendo dividida; a confiança sendo conquistada.

A engenharia, companheira de tantos - bons! - anos, foi ficando mais devagar. A gestão de projetos e as minhas hidrelétricas seguem no coração, mas não mais na rotina do trabalho.

E agora?
Como agregar o conhecimento adquirido com a profissão ao conhecimento adquirido através da educação em diabetes? Tinha algum sentido pensar nisso?

Sim!!
E foi justamente na busca pelo que faz sentido que, agora, aos 4.0, chegou a hora de fazer tudo novo de novo.
Agora tudo recomeça!

Inscrição. Avaliação curricular. Entrevista. Aprovação. Matrícula.
Status: Aluna.
Volto para uma sala de aula 10 anos depois de ter concluído a minha segunda pós-graduação.

Início. Ou, continuação do que venho trabalhando na intuição e no sentimento desde 2010.

"Mude. Mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade..."
Que assim seja, como na poesia (e na sabedoria) de Clarice Lispector.

A expectativa é grande. Lá no fundo, a sensação de ter tomado uma decisão muito, mas muito acertada...
Em frente, sempre!

22 março, 2018

#vempacote

Essa semana um outro lado da minha história foi contado pela Vanessa, no Portal De Bem com a Vida, da Accu-Chek.

Algumas pessoas já sabiam, outras ainda não.
- Ah, mas então você estava escondendo isso?

Não, jamais.
Mas tem horas que a gente precisa se guardar um pouquinho...

E eu respeitei o meu momento.
Estar grávida sem pança crescendo já gera uma curiosidade naturalmente.
São muitos 'por quês', de todos os lados:

- Por que você não faz inseminação?
- Por que você não pode engravidar? (não, não é o caso!)
- Você não consegue engravidar por causa do diabetes? (a mais recorrente de todas...)

Respostas simples: não faço questão de gestar, nunca tentei engravidar e, portanto, nunca soube se tenho algum problema que me impeça de ter uma gravidez na pança. E não, não é por causa do diabetes.
É simplesmente porque a adoção, para mim, é só uma outra maneira de ter um filho.
E aí, quando o reloginho bateu, fui atrás do que precisava para 'engravidar'.

Bati um papo sobre isso - entre tantos outros assuntos da vida - com a Van, no final do ano passado lá em Abu Dhabi, e ela me pediu para contar mais sobre a espera do meu pacotinho.

Aí está, a entrevista na íntegra!

Conheça a vivência de Juliana Lessa à espera de seu filho(a)

Adoção – a gestação que acontece no coração
Desde adolescente, pensava na adoção como um caminho para ter meus filhos e com 36 anos senti que estava na hora de ser mãe. Nessa época, estava solteira e não tinha interesse em ter uma criança por meio de inseminação artificial.
Apesar de ter certeza da decisão tomada, o medo apareceu de imediato. E se eu não estiver fazendo a coisa certa? E se eu não der conta da maternidade e não souber educar?
O amadurecimento da ideia aconteceu aos poucos; passei um bom tempo lendo sobre o assunto e buscando todas as informações possíveis, pois além de tratar de adoção mono-parental, tinha receio pelo fato de ter diabetes tipo 1, que isso pudesse pesar contra mim. Além disso, na época em que dei entrada no pedido de habilitação para adoção, eu não tinha mais emprego fixo e tinha começado a trabalhar como profissional autônoma.
O processo é extenso, burocrático, mas absolutamente necessário. Cada uma das etapas é importante para entendermos mais a fundo sobre a gestação que acontece no coração. As pessoas interessadas participam de uma primeira reunião de caráter informativo. Em sequência, ocorrem reuniões obrigatórias com Grupo de Apoio associado à Vara da Infância, entrevista com psicóloga e assistente social até acontecer a visita em casa. Feito isso, seguimos com a entrega de documentos (certidões negativas cíveis e criminais, atestados de saúde física e mental, declarações de idoneidade, comprovantes de renda, moradia). Toda a documentação e os relatórios do processo são encaminhados para o Ministério Público e só então receberemos a sentença final do juiz.
Muitas pessoas ficam curiosas em saber quanto tempo leva todo o processo. Atualmente, os prazos estão mais curtos, pelo menos foi o que ocorreu na comarca da capital do Rio de Janeiro. Em particular, no meu caso, foram sete meses entre a primeira reunião e a entrega dos documentos, somados mais quatro meses até receber o Certificado de Habilitação, meu resultado “positivo” de gravidez, que significa que já estou habilitada e esperando apenas o telefone tocar!
Durante todo o desenrolar do processo, fui invadida por uma série de sentimentos e sensações. Cada etapa parecia um julgamento e é claro que afetou o meu emocional. Percebi que as glicemias ficaram alteradas, a hemoglobina glicada aumentou nesse período, afetando também alguns hormônios e, dentre eles, a prolactina, responsável pela produção do leite materno. Por algumas vezes chegou a vazar um pouquinho de leite do meu peito.
A adoção é puro ato de amor e nos ensina que ser mãe independe de DNA. Ao longo da vida adotamos pessoas…um amigo que se torna irmão, uma pessoa que passa a exercer o papel de pai ou mãe pelo amor. O filho que chegará será meu, independentemente de ter sido gerado na minha barriga ou não.
A doçura já está sob controle e tudo vai bem. 
Sigo por aqui na espera, controlando a tal ansiedade e - lá no fundo - com a certeza de que tudo acontece no tempo certo!


17 março, 2018

Aprender... saber... aceitar!

Aceitar.
Essa era a maior missão assim que ouvi o diagnóstico do diabetes tipo 1, há exatos 9 anos.

Mas aceitar sem saber não funciona.
Isso eu fui entendendo dia após dia, semana após semana, até hoje.
Saber de fato o que significava conviver com essa doença foi o que me fez acalmar, depois do pânico inicial.

Porque quando eu ouvi a minha endócrino dizer o que aquele monte de exames revelava, eu me apavorei.
Tudo que eu havia escutado sobre o diabetes era que amputava, restringia, limitava e matava.
Que carga pesada!

- Esquece tudo o que você não sabe sobre isso. Insulina é um hormônio que o seu organismo deixou de produzir. Por isso, vamos precisar repor.
Foi assim que a Monique conseguiu me fazer parar para respirar e escutar, com mais clareza, tudo o que ela tinha que me dizer sobre a condição, sobre o tratamento...

Sabendo eu conseguia - racionalmente - aceitar.

Coração mais tranquilo, organismo se reorganizando e voltando para o equilíbrio natural, resolvi ir além: queria aprender, entender tudo sobre o DM.

Informações em formas de depoimentos, livros, conversas.
Juntava uma pecinha dali, outra daqui. Trazia esse conhecimento para a minha realidade, adequando à minha rotina o que eu podia e o que cabia.

Assim tem sido nesses 9 anos.
E como eu me sinto melhor e mais segura!

Hoje me vejo novamente naquela consulta de duas horas em março de 2009 - um susto que eu jamais vou esquecer - e me coloco no lugar de quem foi diagnosticado recentemente...
Certa vez me perguntaram o que eu diria para alguém que acabou de se saber diabético.
Uma única resposta: calma.

Complemento com um 'recado' do Valter Hugo Mae, do livro O Filho de Mil Homens:
"...parecia-lhe que a vida era aprender, saber sempre mais e mudar para aceitar sempre mais."

Até aqui eu vou aprendendo e perguntando e ensinando e conversando.
Até aqui a doçura está tinindo, sem qualquer complicação.
Até aqui eu tenho ido em frente acreditando.

Calma.
Tudo vai dar certo!
(Le Beausset / França, 2009)


12 março, 2018

Consulta Pública: Bombas de Insulina

No último ano conseguimos - isso mesmo, plural de quem luta junto pela melhoria nos tratamentos e na qualidade de vida de tantas pessoas com diabetes - a aprovação dos análogos de insulina de ação rápida dentro dos tratamentos oferecidos pelo SUS.

Agora, a CONITEC traz uma nova consulta pública, que requer a participação de todos.

Desta vez, o alvo são as bombas de insulina:
"O produto é um aparelho pequeno e portátil, de uso externo, que possibilita a liberação de insulina ao longo do dia. Associado a um sistema inteligente de comunicação, que permite medir a glicemia, gerenciar dados glicêmicos e obter cálculo de bôlus. A proposta de incorporação desta tecnologia, na consulta pública vigente, tem como objetivo a participação social na discussão da linha de tratamento do diabetes, disponível no SUS".

A consulta pública é uma grande ferramenta para registro da opinião de pacientes, familiares, cuidadores médicos e demais profissionais de saúde, no que se refere ao medicamento e/ou tecnologia que está sendo avaliada.

Em novembro de 2017 a Roche enviou um parecer para a CONITEC, de modo a apresentar os resultados sobre a eficácia, segurança, custo-efetividade e impacto orçamentário do tratamento com a bomba de infusão contínua de insulina, relativo ao Sistema Combo Accu-Chek. Os estudos foram feitos em comparação aos tratamentos com múltiplas doses de insulina.
Porém, a CONITE considera que foram insuficientes e, por isso, recomenda a "não-incorporação" deste tipo de terapia pela SUS.

O diabetes é uma doença séria e de tratamento individualizado. Generalizar que tipo de insulina deve ser usado é uma ação ineficaz e que pode acabar atingindo de forma negativa as pessoas que convivem com o DM1. A bomba é um tratamento inovador, que pode trazer mais segurança aos usuários...

Por isso, é importante conhecer e participar da consulta pública que está em andamento até o dia 19/03/2018.
Para acessar, basta clicar na página da CONITEC e procurar pela consulta número 8.

O Parecer Técnico que embasa esta consulta está disponível, assim como um Relatório Técnico para o público em geral. Tanto a sociedade médica quanto pacientes e demais envolvidos podem preencher. É gratuito, leva menos do que cinco minutos e o que se pede são alguns dados pessoais e a sua opinião sobre este tipo de tratamento.

Para acessar os Relatórios:
--> Relatório Informativo para o Público
--> Parecer Técnico

Para participar:
--> Formulário para o Público em Geral
--> Formulário para Profissionais de Saúde

Para lembrar:

  • A CONITEC é a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, cujo objetivo é assessorar o Ministério da Saúde nas atribuições relativas à incorporação, exclusão ou alteração de tecnologias em saúde pelo SUS, bem como na constituição ou alteração de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas.
  • Os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticos (PCDT) têm o objetivo de estabelecer claramente os critérios de diagnóstico de cada doença, o algoritmo de tratamento das doenças com as respectivas doses adequadas e os mecanismos para o monitoramento clínico em relação à efetividade do tratamento e a supervisão de possíveis efeitos adversos. Em linhas gerais, os PCDT estabelecem os tipos de tratamento e medicamentos que devem ser oferecidos aos pacientes pelas unidades de saúde pública.

Um pedido: participem, comentem, divulguem, expliquem.
Na dúvida, perguntem.

Vamos juntos mais uma vez pelo diabetes e pela saúde!

07 março, 2018

Os olhos não veem... mas a doçura sente!

Pode até ser 'sem-vergonhice' da minha parte... Mas o fato é que quando estou com o Libre, o gráfico acaba me levando na busca firme por um melhor controle.

Tomar insulina para correção e depois avaliar o resultado é uma baita ferramenta. Sigo aprendendo que em condições diferentes e dias diferentes, a dose de insulina para bôlus pode variar e aquela que eu uso normalmente pode não ser suficiente.

Quando estou sem o sensor, acabo não corrigindo sempre. Eu sei que isso não está certo e que não deveria fazer assim. Mesmo assim, arrisco - por conta própria - e como não estou vendo o pico, porque estou sem o gráfico, 'finjo' que nada aconteceu. A velha máxima de que 'o que os olhos não veem, o coração não sente'.

Grande engano! No fundo eu sei que não é bem assim.
O corpo sente e vai responder em algum momento...

Eu faço isso sempre? Não!!
Mas uma vez ou outra acaba acontecendo. Uma vulnerabilidade da minha parte, assumo.

Agora, depois de duas semanas de volta ao modo robô, as médias de glicemia são o "puxão de orelha" que eu precisava para deixar de lado essas escapadinhas na correção.
Ainda que eu já tenha alguns anos de convivência com o diabetes, até hoje aproveito os resultados da monitorização da glicemia para analisar se a dose de insulina de ação rápida está adequada para cada alimento e refeição.

O fato é que não basta saber que funciona... na prática, quanto mais eu vejo os resultados positivos quando caminho pelos processos certinhos dessa vida doce, mais eu me empenho em fazer tudo como deve ser!






27 fevereiro, 2018

O meu - e o seu - diabetes...

Qual a importância do envolvimento do paciente?
Somente nos procedimentos do seu tratamento? Ele deve questionar? Deve perguntar?
Claro!!!! Sempre!

O paciente deve ser o principal elemento nos cuidado com a sua doçura. Muito além do medico, muito além do tipo de insulina ou de qual monitor de glicemia ele usa.

O médico sabe qual o tratamento é melhor para cada um, mas somente com o envolvimento e a participação por inteiro, o paciente vai ser capaz de viver plenamente de bem com o diabetes.
Eu entendi isso na prática e hoje vejo com muito mais clareza como é fundamental que a gente saiba e conheça a condição. Isso interfere diretamente no sucesso do nosso tratamento e na forma como encaramos até um dia em que tudo parece desmoronar.
Entre furinhos na barriga e números na tela do monitor, a educação em diabetes e o emponderamento de cada docinho são o grande diferencial.

Pensando nisso tudo, a Dra. Solange Travassos decidiu organizar e realizar um evento para nós, pacientes. Será no dia 25 de agosto de 2018, por um dia inteiro, aqui no Rio:


Como ela mesmo descreve, o objetivo é "mostrar várias maneiras de melhorar a sua saúde, o seu nível de energia e o seu equilíbrio emocional, com o foco em facilitar a sua relação com o diabetes. Entender o diabetes e saber que é possível ter uma vida com qualidade é o primeiro passo..."

Além de ser endocrinologista e especializada no tema, ela também é docinha: foi diagnosticada com DM1 aos 14 anos e há 32 convive com o diabetes sem complicações. 

Segundo dados destacados durante a apresentação do evento que aconteceu hoje, em um café da manhã que teve os influenciadores digitais como convidados, 89% das pessoas com diabetes tipo 1 e 72% das pessoas com diabetes tipo 2 não tem a condição bem controlada. 
Por isso a importância em questionar e entender. Quando buscamos informação, nos munimos de ferramentas para saber o que fazer e ter uma liberdade maior ainda no dia a dia.

O programa vai alternar entre a prática de atividades, como o workshop de contagem de carboidratos, e ações que visam dar aos pacientes confiança e informações sobre a evolução dos tratamentos. Sobretudo, 'O meu diabetes' quer ser um catalizador de mudanças, para que o paciente deixe de agir como passivo, apenas escutando o que o médico diz, e seja o protagonista no seu tratamento. 

Uma coisa bem bacana é que além da participação de pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2, será permitida a inscrição de amigos, amores e familiares. Cada um daqueles que participa da vida do seu docinho preferido!
Adorei isso!! Ter pessoas próximas e queridas evolvidas no nosso tratamento e na nossa rotina doce faz tanta, mas tanta diferença... 

As inscrições já estão abertas através do site do evento (aqui!!) e o valor é de R$ 130,00 (antecipado) por pessoa. 

Acima de tudo, a troca de experiencia entre iguais traz o reconhecimento de que não estamos sozinhos. A empatia e a cumplicidade de um pelo outro pode ser a motivação que faltava para começar a enxergar os dias de doçura de uma maneira mais leve. 





22 fevereiro, 2018

O corpo fala! E sabe reclamar...

Bloco às 06h da matina, bloco às 10h, churrasco. Tamborim lá no meio da bateria, desfile lá no meio da Avenida. Almoço em família pra fazer um dia mais leve... até o bloco dos amigos no final da tarde! Show com o bloco mais fogoso e apaixonado, com direito à tchibum na piscina e boteco depois.  Cinzas com todas as cores, com bloco de roda às 10h, com a emoção da apuração das Escolas pós almoço e com a Cuca dançarina às 18h. 
Ufa!! Salve os dias de Momo. E haja fôlego.

Eu passei do meu limite?
Não.
Mas o meu corpo sentiu.

A alteração de temperatura foi o alarme.
A minha temperatura normal é baixa, entre 35,8 e 36,2 geralmente. Logo na primeira aferição, vi que tinha chegado em 37,1. Foram três dias assim, variando entre 37,1 e 37,4. No quarto dia liguei para a minha endócrino.

- Por que levou tanto tempo?
Porque achei que fosse só cansaço pós carnaval. Simples assim!

Algumas respostas dadas à minha Super (não senti dores, não estava gripada, glicemia de jejum um pouco mais alta - nada que gerasse grandes sustos...) e o palpite certeiro: desidratação.

- Nossa! Você ficou pelos blocos e nem bebeu água?
Bebi água à beça, mas o corpo gastou mais do que tinha. E agora é preciso repor.
A falta de alguns nutrientes que acabam ficando de lado com as refeições às vezes incompletas ou corridas dos dias de folia e o gasto físico maior que o meu usual foram as causas.
Isso não é grave e nem mesmo foi um erro. O importante é que eu reconheci os sinais que meu corpo estava emitindo: a quentura em volta dos olhos causou incômodo e me fez ir atrás de um termômetro, a princípio. 



Orientações para colocar tudo de volta no lugar: reposição de sais minerais, de potássio e sossego!!!! Hora do descanso, do repouso... no português claro: de ficar com as perninhas para o ar.

Dois dias depois de iniciar a reposição dos nutrientes, a sensação de falta de energia foi embora e a temperatura está baixando.
Hoje já bateu a casa dos 36,5.




Continuo seguindo as recomendações médicas e mais do que nunca entendendo que ‘achismo’ não ajuda. Sentiu algo estranho? Busque ajuda, pergunte para o médico / especialista que te acompanha. 
Tentar resolver tudo sozinho ou se ‘autodiagnosticar’ é o maior risco.

O corpo fala e a gente precisa prestar atenção e ouvir o que ele diz!!

15 fevereiro, 2018

Para o ano que já chegou...

Os dias de carnaval foram intensos! Nossos blocos, a minha verde e rosa me levando para a Avenida junto com a minha Ana, com o nosso estandarte, com o meu palhaço preferido, com as minhas pessoas.

As glicemias ficaram bem comportadas e os ajustes de insulina para os dias em que eu estava de tambura na mão foram certeiros: sem hipo, sem hiper... na medida.

Agora é hora de voltar para a rotina e organizar o trabalho e a saúde.

O pilates foi deixado de lado nessas últimas semanas e confesso que sinto falta. O corpo pede - a mente também!
Consulta com dentista marcada, consulta com a ginecologista marcada e o planejamento das atividades do IP em andamento.

Tem muito a fazer, pesquisar e escrever.

Tenho tido um retorno do blog que só me traz alegria e me faz querer ir mais além...
Ouvir de pessoas amigas, conhecidas e que me acompanham de alguma maneira que eu inspiro e ajudo a cada uma delas a enxergar a vida com a doçura de um jeito mais positivo é muito grande.
Só agradeço!

Em novembro de 2017 o meu amigo querido Bruno Helman me pediu para enviar um texto que refletisse a minha visão sobre esta convivência com o diabetes. Nasceu um poema com trechinhos  publicações anteriores e mais o que eu peguei lá do fundo do coração.
Este poema foi lido pelo Bruno no encerramento do evento Mulheres e Diabetes, organizado pela ADJ e realizado em São Paulo. Nesse evento foram apresentadas histórias reais de mulheres incríveis, fortes e de muita garra e através da voz do Bruninho eu pude participar (para assistir aos depoimentos na íntegra - recomendo! - é só clicar aqui).

Para esse novo Ano Novo, trago este texto que reflete o que eu penso, o que eu sinto e o que eu espero que cada um de nós que convive com o diabetes tenha como crença.

Por mais que se imagine que não pode um monte de coisas, a gente pode sim. 
Aos poucos fui aprendendo  que com adesão ao tratamento e conhecimento a gente pode sim. 
Porque eu decidi ficar de bem com essa condição. 
Porque eu decidi entender como cuidar desse tal de tipo 1, que chegou chegando. 
Pode. 
Pode sim!
Pode ser que o dia seja tranquilo.
Pode ser que eu nem precise corrigir a glicemia. 
Pode ser que eu tenha que aumentar a dose de insulina. 
Pode ser até que eu esqueça o glicosímetro em casa...
E pode ser que vez ou outra eu acorde com preguiça desse diabetes.
Pode. 
Pode sim!
Pode ser que o almoço seja um pratão lindo e colorido.
Aí, pode ser que a sobremesa seja daquelas que mereciam ser capa de jornal. 
Porque pode.
Pode sim!
A atenção é constante. A disciplina é necessária. O autocuidado é fundamental.
E mesmo passando pelos meios dias feios, o foco permanece.
Porque a gente que é doce pode. 
A gente conta - as histórias e os carboidratos.
A gente aprende.
A gente divide.
A gente escolhe.
Porque pode.
Viver bem com o diabetes pode.

Que neste ano que (re)começa agora eu possa continuar caminhando com sensibilidade, cumplicidade e empatia. Que eu aprenda mais e mais com cada história que me é contada. Que eu saiba dosar a razão e a emoção. 


Vamos em frente, 2018!!



















02 fevereiro, 2018

Mas é Carnaval... ainda bem!!

Confete pelo chão da casa, purpurina na cama, fantasias espalhadas... prenúncios do carnaval que se anuncia!

É chegada a hora e por aqui a folia é intensa. Os ensaios já trazem esse ar de alegria e os blocos já estão começando a ganhar a avenida.
Lá vou eu para mais um ano de dias que parecem infinitos, de encontros, de brilhos, do lúdico e da diversão sem limite.

Como eu espero por esse tempo! E justamente por isso, eu me preparo.
Não quero correr o risco de perder momentos de alegria por uma falta de cuidado.

Se todo ano é igual, porque falar sobre a preparação para a folia de novo?
Porque é esse planejamento que faz toda a diferença.
A 'receita' não tem muita alteração, o que precisa ser feito é ajustar o plano conforme as condições e recomendações de tratamento do momento.

Minha dose de insulina de hoje é diferente da que eu tomava há um ano, meu peso está um pouquinho maior - o que me dá uma certa segurança, sabendo que vou perder uns quilinhos nas próximas semanas - e também tenho uma experiência maior sobre os efeitos de horas e horas desfilando meus tules e purpurinas por aí.

- Ah, mas é chato ter que fazer tanta coisa para poder curtir o carnaval.
Não, chato é não conseguir curtir o carnaval!

Medir a glicemia em intervalos de 3 horas, fazer lanchinhos práticos (que já vão na minha bolsa, para eu não ficar na mão!) ao longo dos caminhos das baterias e fanfarras, beber muita água são coisas pequenas frente à tudo que a folia de Momo me proporciona de bom. Faço de sorriso aberto!

Nos dias em que eu sou foliã dentro da bateria, o cuidado é redobrado.
Tocar um instrumento (e correr e dançar e rir e me emocionar) por até quatro horas seguidas gasta muita, mas muita energia. E não dá para brincar com a sorte...
O reforço nos carboidratos é essencial para segurar a glicemia.
Café da manhã mais que caprichado, sachês de mel ao meu alcance durante todo o tempo em que eu vou estar tocando e uma redução na minha dose de insulina basal. E vale ressaltar: não faço nada sem a orientação da minha endócrino!

Vale registrar que o apoio dos amigos faz toda a diferença!!!! Os meus - minhas pessoas! - sabem da minha condição, sabem o que fazer se eu tiver uma hipo e cuidam mesmo. Me sinto bem mais segura com essa força extra.

Na edição de janeiro da nossa Revista EmDiabetes tem essas e outras dicas para curtir o carnaval sem medo (aqui, ó...)

Separa a pochete - está super em alta e cabe glicosímetro, telefone, chave de casa, lanchinhos..., capricha no brilho e vai com tudo!



30 janeiro, 2018

Rótulo: o direito do consumidor.

Um dos hábitos que eu mudei depois do meu diagnóstico foi ler os rótulos de cada produto que eu compro. A validade eu sempre conferi, mas a atenção às informações nutricionais era deixada de lado.

Com o diabetes, as aplicações de insulina e a contagem de carboidratos, a informação nutricional dos rótulos passou a ser a primeira coisa que eu procuro em uma embalagem. Só que nem sempre é simples entender o que está apresentado ali...

Um ponto que ajuda é quando as informações vem indicando a quantas unidades do produto corresponde a quantidade de carboidratos, fibras, sódio e afins apontada.
Quando isso não acontece, pode ocorrer um engano na interpretação e isso significa um caos para a glicemia!

Por este fator e considerando que atualmente a alimentação dos brasileiros tem uma carga grande de alimentos industrializados, a ANVISA vem estudando há mais de três anos uma mudança na rotulagem de embalagens, com dois objetivos: deixar as informações mais claras para o consumidor, facilitando a compreensão, e estimular a fabricação de produtos mais saudáveis.
Em uma matéria veiculada no Bom Dia Brasil hoje, as duas propostas que estão em análise foram apresentadas.

Na campanha coordenada pelo IDEC (Instituto de Defesa do Consumidor), a proposta é criar selos de advertência na frente das embalagens, indicando quando um produto tem excesso de açúcar, sódio ou gordura.
Acho essa alteração bem importante. Quando fui ao Chile, foi uma das coisas que me chamou a atenção. Todos os produtos expostos nas prateleiras dos mercados tem um selo semelhante e fica bem mais fácil saber quando a carga de açúcar é alta. Até comentei sobre isso aqui no IP depois da viagem...

Esta questão do indicativo do açúcar é outro ajusto que o IDEC pretende implantar. Além do total de carboidratos, a quantidade específica de açúcar estaria indicada:
Já é possível encontrar este destaque em alguns produtos, mas a ideia é que seja uma regra geral.

Eles propõem também que sejam proibidas propagandas infantis nas embalagens e que seja usada uma letra padrão nas tabelas nutricionais, para facilitar a leitura.

Por outro lado, a Associação da Indústria Alimentícia traz uma proposta com um novo tipo de rotulagem, criando um "Semáforo Nutricional Quantitativo":
O vermelho seria um indicativo de maior quantidade e o verde de menor quantidade de sódio ou açúcar, por exemplo.
Segundo a Associação, a ideia é "emponderar o consumidor nas suas decisões".

A mudança é necessária!
As letras miúdas e as informações não padronizadas só dificultam o entendimento das pessoas.
E eu ainda acho que eles deveriam ir além: por quê não incluir a informação sobre o índice glicêmico dos alimentos nas embalagens??
(para saber mais sobre o que é o índice glicêmico, é só clicar aqui)

Tanto quanto a quantidade de carboidratos, esse fator interfere nas nossas glicemias. Já questionei isso à ANVISA em 2013 e na época eles responderam, justificando a negativa. Logo depois, em uma viagem para a Austrália, dei de cara com embalagens de produtos e até restaurantes mostrando este tipo de informação.

Não há prazo para conclusão das análises das propostas apresentadas e nem para efetivar a mudança nos rótulos. A ANVISA destaca somente que trabalha "busca um modelo que ajude o consumidor a não ser enganado".
Pois que seja breve!



26 janeiro, 2018

Ih... esqueci!!!!

Início do ano é sempre movimentado por aqui. Além da energia normal de (re)começo que chega com o novo ano, de organizar e planejar as atividades e o trabalho, tem o carnaval!! Sim, não é novidade que eu curto e me jogo na folia. E aí tem os ensaios dos meus blocos, ensaios dos blocos dos amigos, tem as fantasias, os figurinos... purpurina guiando os dias!

Não deixo de prestar atenção na glicemia e na minha condição de gente doce. Mas ninguém é de ferro e no meio da correria eu acabei esquecendo meu kit de sobrevivência em casa ontem. Saí com tamborim e baqueta: se ia ensaiar, não podia esquecer o instrumento em casa...

Lá pelo meio do ensaio, decidi dar uma paradinha para checar a glicemia. Só aí é que eu percebi que estava tudo em casa. Não tinha glicosímetro, não tinha mel para corrigir uma hipo, não tinha insulina, não tinha agulhas! Cinco segundos sem respirar e quando passou aquele impacto momentâneo, acabei relaxando.

Eu estava me sentindo bem e tinha conferido a doçura antes de sair de casa (e mesmo assim esqueci de guardar o estojo com o glicosímetro na bolsa!!).
Tinha lanchado também, então estava garantida uma carguinha de carboidratos que segurasse as duas horas de batucada. Além disso, os amigos do bloco sabem da minha condição e sabem como ajudar, caso eu precise.
Com tudo isso, fiquei tranquila.

Teve cervejinha durante o ensaio, teve pastel depois do ensaio e, como estava com fome, comi mesmo sem poder fazer a correção com a insulina.

Quando voltei para casa, a primeira providência foi furar meu dedinho e ver como estavam as coisas: 233mg/dL. Decidi não corrigir. Sabia que ainda tinha resquícios de cerveja no organismo, o corpo ainda estava sentindo a agitação do batuque e eu preferi deixar assim.
Tomei minha dose de glucerna (conforme definido e estabelecido pela minha endócrino, faço uma suplementação antes do carnaval, porque acabo perdendo peso nessa época) e dormi.

Hoje de manhã, a doçura já estava assim:
Claro que não é o ideal sair sem o glico e os insumos e menos ainda comer às cegas, sem medir e nem corrigir, mas eu sabia que não estava em risco, que logo voltaria para casa e jamais seria irresponsável a ponto de ficar lá me sentindo mal, sem poder verificar a quantas andava a minha glicemia.

Tenho a consciência de que conhecer e me educar sobre o diabetes é o que me dá segurança para saber o que fazer quando esses esquecimentos acontecem.

Agora, foco e atenção redobrados, meu kit coladinho comigo e vamos em frente na folia!!





18 janeiro, 2018

Febre Amarela - Orientações SBD.






Foi publicado pela Sociedade Brasileira de Diabetes - SBD um comunicado com as orientações às pessoas com diabetes no que se refere à vacina para febre amarela.

Compartilho aqui, na íntegra:






VACINAÇÃO CONTRA FEBRE AMARELA EM PACIENTES COM DIABETES

A Sociedade Brasileira de Diabetes vem recebendo várias solicitações de um posicionamento a respeito da vacinação contra a febre amarela em pacientes com diabetes.

Um estudo retrospectivo, conduzido por R. Mad’ar e colaboradores (1), avaliou 402 pacientes com diabetes quanto à segurança de uso de vacinas com vírus vivos e concluiu que, com base nos resultados deste estudo retrospectivo, que a vacinação em pacientes diabéticos está livre de qualquer risco, desde que não existam outras contra-indicações, por exemplo, alergia a componentes da vacina ou doença febril aguda grave.

No caso de glicemia instável e do sistema imunológico comprometido de forma significativa por diabetes a vacinação com vacinas vivas atenuadas deve ser cuidadosamente considerada e avaliada em relação aos riscos de exposição a todos e cada agente infeccioso específico.

Não há motivo para ter medo da vacinação em pacientes diabéticos, desde que sejam respeitadas as contraindicações gerais. Pelo contrário, este grupo de risco pode se beneficiar da vacinação de forma mais notável, porque há algum potencial para salvar vidas.

O Doutor Pedro Tauil, renomado especialista e Professor da Universidade de Brasília, resume as recomendações aplicáveis à avaliação da segurança de uso da vacina contra febre amarela em pacientes com diabetes em três tópicos:
1. Avaliar risco / benefício
2. Não há registro de maior número ou maior gravidade de eventos adversos em pessoas com diabetes
3. Assim, se a pessoa eventualmente se expõe ao risco de adquirir a doença (viver ou se dirigir para áreas rurais, onde circula o vírus entre macacos e mosquitos silvestres ou visitar países africanos ao sul do Saara), a vacina é recomendada.

(Referência bibliográfica: (1) Mad’ar R. et al. Vaccination of patients with diabetes mellitus: a retrospective study. Cent Eur J Public Health 2011; 19(2):98-101.)

Em caso de dúvidas e para confirmar se você deve ou não se vacinar, converse e consulte o seu médico.

16 janeiro, 2018

Febre amarela: a gente - doce - pode se vacinar?

Pode.
O diabetes por si só não é um fator impeditivo, mas cada pessoa deve verificar com seu médico sobre isso.

Eu trabalhei em área endêmica de 2001 a 2015, então já tenho as minhas doses mais que garantidas.
A primeira vez que me vacinei ainda não havia sido diagnosticada; na segunda vez, eu já tinha diabetes tipo 1 e não tive problemas.

Para entender o que é:
Conforme explicado pelo Ministério da Saúde, "a febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, causada por um vírus transmitido por mosquitos vetores, e possui dois ciclos de transmissão: silvestre (quando há transmissão em área rural ou de floresta) e urbano. O vírus é transmitido pela picada dos mosquitos transmissores infectados e não há transmissão de pessoa a pessoa".

Diferente dos casos de dengue, onde o transmissor é o Aedes Aegypti, a febre amarela é transmitida por qualquer mosquito que tenha sido infectados. Simplificando, funciona assim: se um mosquito pica uma pessoa que já está com o vírus da febre amarela, ele passa a estar infectado também. A partir daí, este mosquito passa a ser um transmissor.

A vacina é a maior ferramenta de prevendo e controle e atualmente está disponível em duas formas: dose única (padrão) e dose fracionada, que deve ter o reforço com a segunda dose depois de 8 anos.


Para pessoas em tratamento contra o câncer, imunossupressão e/ou reação alérgica à proteína do ovo, a vacina é contraindicada.

Para reconhecer os sintomas:
- início súbito de febre
- calafrios
- dor de cabeça
- dores nas costas
- dores no corpo
- náuseas e vômitos
- fadiga
- fraqueza.

Para quem convive com a doçura:
Agora sim... Sabendo do que se trata e como reconhecer se é preciso recorrer à ajuda, é importante destacar que, assim como o tratamento para o diabetes é individualizado, a recomendação da vacina para pessoas com diabetes também deve ser!

Conversei com a minha endócrino para saber se já existe um posicionamento geral para vacinação das pessoas com diabetes e o que ela me informou é que a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - SBEM ainda não disponibilizou orientações neste sentido.
De qualquer forma, destaco aqui as recomendações dela, em relação ao que deve ser levado em conta:
- Como está o controle das glicemias
- Se usa alguma medicação que possa levar à imunossupressão e suas doses, como no caso de remédios para doenças autoimunes, tratamento de câncer...
- Idade
- Se há programação de viagem para locais em área de risco.

O mais importante: cada paciente deve conversar com o seu médico e definir junto com ele sobre tomar ou não a vacina!

O Ministério da Saúde tem divulgado informações sobre as regiões de risco e unidades de saúde com disponibilidade de vacinas com frequência. Acompanhem a página oficial para se manter informado (aqui: MS / Febre Amarela). A questão é muito séria e doença pode ser fatal.






15 janeiro, 2018

O diabetes e a maternidade: é possível!

Houve um tempo em que mulheres com diabetes que engravidassem não podiam nem pensar em ter seus filhos através de um parto normal.

Uma gravidez em uma mulher diabética requer muito mais atenção. No diabetes gestacional, que é aquele que se desenvolve já durante a gestação, a rotina de monitorização de glicemia e injeções de insulina acaba se fazendo necessária também.

As histórias de gestação nem sempre foram de sucesso em mulheres com diabetes ou que desenvolveram o diabetes gestacional. Mas algumas pessoas partiram da sua experiencia, mesmo nos casos de perda e dor, para mostrar a tantas outras que a possibilidade de ser mãe não deve ser desconsiderada.

A Kath Paloma é uma dessas.
Através do Blog Maternidade e Diabetes, ela abriu o coração e dividiu a sua história para ajudar a esclarecer sobre o assunto e acabar com o medo que ainda ronda muitas mulheres e famílias.
Além de ter registrado um diário da sua gestação, a Kath fala, atualmente, sobre o dia a dia compartilhando a maternidade e a convivência com o diabetes.
Vale a leitura! São histórias e relatos inspiradores e de superação.

No próximo domingo, dia 21 de janeiro, às 15h, ela realiza o II Doce Encontro - Bate papo sobre a experiencia de ser mulher, mãe e ter diabetes.
Como ela mesmo descreve, o "evento é destinado a mulheres que desejam engravidar, grávidas, mães com diabetes e seus filhos. O objetivo é reunir mulheres em um descontraído bate-papo com troca de experiências".
As inscrições podem ser feitas online (Link aqui).

Algumas coisas ainda assustam quando se trata de pessoas com diabetes. Os riscos envolvidos, seja em uma aventura pelo mundo ou no planejamento de uma gravidez, seja ela na pança ou no coração, precisam ser considerados para que tudo corra da melhor maneira possível.

Com cuidado adequado e atenção, nada é impossível!!




11 janeiro, 2018

Novos parâmetros para manter o rumo...

- Minha glicada está horrorosa!
- Calma!!

Mais um começo de consulta sem parcimônia. Eu já cheguei e antes mesmo da sentar já fui dando o veredito.

Depois de um longo tempo tentando sair da casa dos 7% de hemoglobina glicada, ano passado alcancei 6,5% e bati 6,2%! Estava muito feliz com isso. Sei o esforço para conquistar esses resultados, o que precisei rever e mudar no meu dia a dia. Então, pegar o primeiro exame do ano e me deparar com uma glicada de 7,1% não foi legal.
Fiquei bem chateada e, no fundo, sou a única responsável.

Mas esse número é ruim? Não!
Não mesmo.
E a Monique atestou isso comigo hoje.
Disse para eu manter a calma - e a paciência!!, que meus exames estão todos bons, que não me avalia por este número de forma isolada.
Eu já sabia que seria assim e é bom ouvir esse relato de uma médica que me acompanha desde o primeiro dia e hoje me traz confiança absoluta. Só que lá no fundo a sensação de decepção ainda me acompanha...

Agora fizemos uma reavaliação geral dos meus parâmetros de tratamento.
Minhas glicemias andaram variando demais entre altas e baixas e estava claro que alguma coisa precisava ser ajustada.
Para começar, a dose de Tresiba foi reduzida em duas unidades e o esquema de correção foi alterado, aumentando o intervalo de glicemia. Mexemos também na minha relação insulina / carboidrato. Eu estava usando uma unidade para cada 40g e passamos para 50g por unidade.

Já deixamos alguns outros ajustes pré-planejados, caso as glicemias não respondam adequadamente ao novo esquema.

Daqui a duas semanas eu vou ao consultório de novo. Enquanto isso, vou passando os registros de glicemia para a minha endócrino, para ela avaliar e confirmar sobre a adequação do que já mudamos.

O melhor dessa história toda, para mim, é que tudo foi decidido em conjunto. A cada passo ela ia me sugerindo e explicando os porquês, tomando como base o que eu estava relatando para ela sobre a minha rotina.
Assim, juntas, fica bem mais fácil.

Cabeça erguida, coração mais tranquilo, dedinhos a postos e alguns furinhos durante o dia para manter a doçura como deve ser!