Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

18 julho, 2017

Só um número no visor?!

Mas peraí: e a interpretação dos resultados?
Só monitorar sem prestar atenção ao que os resultados adianta?

No tratamento com diabetes tipo 1, a monitorização é imprescindível para definir a quantidade de insulina a ser aplicada. Ajuda na correção da contagem de carboidratos, a identificar se a dose de insulina - seja basal ou bôlus - está adequada ou não e é super importante para prevenir uma hipo.

Acompanho alguns grupos de discussão sobre diabetes nas redes sociais e me apavoro com perguntas do tipo "Minha glicemia de jejum deu 250mg/dL. Isso é bom?". A sensação que eu tenho é que as pessoas usam o glicosímetro mas sem saber nem para que. Não sei se pelas consultas relâmpago que acontecem em algumas unidades de saúde ou clínicas, independente de serem públicas ou particulares, não sei se pelo medo de furar o dedo, não sei se pelo medo do diabetes.
A única coisa que eu sei é que isso precisa mudar. A condição é controlável, a condição não é uma sentença, mas é preciso que as pessoas saibam e entendam isso.

Um dos maiores recursos que temos no dia a dia com o diabetes é justamente a possibilidade de monitorar a glicemia. Um furinho no dedo ou uma checada no sensor de monitorização constante podem salvar vidas. É lógico que eu também passo por momentos de preguiça e eventualmente acabo dando um intervalo grande entre uma medição e outra, mas isso não é regra.

A verdade é que, muito mais do que tirar a gotinha de sangue do dedo, o importante é saber o que o resultado diz. Jejum de 250mg/dL não é bom. E quando acontece, o número indica que precisamos avaliar os últimos passos: se a correção do jantar foi adequada, se a ceia foi exagerada, se tem uma infecção chegando, se uma dose de insulina foi esquecida... Existem diversos 'se' nos nossos dias doces e o glicosímetro ajuda a gente a esclarecer muitos deles.

Inclusive, para prevenir cetoacidose. Em certo momento, minha endócrino recomendou até um outro glicosímetro que tem fitas específicas para medir cetonas, como já contei aqui.

O problema é que também vejo muitos pacientes de diabetes tipo 2 relatando que não têm direito, nas unidades públicas de atendimento, a glicosímetros e tiras para fazer monitorização. Acho um absurdo! Na minha visão, medir a glicemia constantemente é o básico para um bom controle do diabetes, em qualquer tipo, embora esta não seja a visão de alguns especialistas.

Recentemente foi divulgado um estudo pela Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, afirmando que "o teste de glicose em amostras de sangue não oferece uma vantagem significativa no controle de açúcar no sangue e nem melhora a qualidade de vida dos pacientes com diabetes tipo 2 que não são tratados com insulina".
Alegar que a monitorização não interfere para quem tem DM2 sem uso de insulina é, a meu ver, fazer a análise rasa apenas considerando o furinho no dedo. É preciso fazer o bom uso da informação. Ou seja, usar aquele resultado a nosso favor.

Há muito a ser feito no que se refere à educação em diabetes.
Há muito a ser feito para melhor o entendimento de cada docinho acerca da condição.

É preciso preparar as equipes de saúde para que os pacientes não saiam dos consultórios mais perdidos do que entraram.


O furinho no dedo não é à toa.

A evolução tecnológica que permite que cada um consiga monitorar a sua glicemia em casa não pode ser desperdiçada!




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