Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

22 novembro, 2016

Minha R-Evolução é Azul!

Foram 188 testes registrados, mais de 200 realizados.

Entre o medo do furinho no dedo e a desinformação, uma palavra de calma, a cumplicidade de quem faz aqueles testes várias vezes ao dia, a solidariedade por quem traz num histórico familiar a dor do descontrole e da falta de conhecimento sobre a doença.

O diabetes ainda assusta. O diabetes ainda mata.
Essas foram as maiores conclusões que eu tirei da ação que nós realizamos no Passeio Shopping, no dia 17 de novembro.

Nós éramos 5 lá - além de mim, o Pablo (Eu e a Bete - Diabetes), o Daniel (Diabetes, Esporte e Natureza), a Bia (Biabética) e a Ana Maria, Educadora em Diabetes e Presidente da Associação dos Diabéticos e Familiares de Tanguá - ADIFAT. Nós éramos mais 2, que estão juntos nessa nossa R-evolução Azul: a Sarah (Eu, meu Filho e o Diabetes) e a Sil (João Pedro e o Diabetes).

Graças ao Pablo e ao Daniel conseguimos um espacinho em frente à uma das lojas, bem próximo à entrada do shopping. Um totém que mostrava através do círculo azul o tema do dia: diabetes.
Dos 5 presentes, 4 docinhos e uma grande Educadora. Panfletos nas mãos, valendo!

Bastava dizer que era uma ação informativa sobre a doçura que o interesse surgia.



- Moça, custa quanto?
Nada! Não nos custou nada além de alguns reais para adquirir o material e deixar a Ana munida para avaliar cada um dos que se dispuseram a verificar esse tantinho de saúde.

Em menos de um minuto, uma conversa revelava a ansiedade e parte da vida de quem aguardava na fila pelo momento de ver "o número".

Foram 3 horas que passaram voando. Foi uma tarde que nos deu o recado de que há muito, mas muito ainda há esclarecer.

- Você tem algum parente com diabetes na família? 'Sim'.
- Sabe qual o tipo? 'Emocional'.

Mãe realizando testes nos dois filhos - o de 11 e a de 2 - mesmo sob protesto dos pequenos, para garantir que a condição que acompanha alguns familiares ainda esteja bem longe.
Diabéticos que estão sob acompanhamento médico, mas que realizaram o último exame de ponta de dedo há mais de 6 meses ("o posto não me dá o medidor porque o meu é tipo 2").

Por outro lado, entre as 23 pessoas com diabetes que mediram a glicemia, 11 estavam com um bom controle (entre 71mg/dL e 140mg/dL) e apenas 5 acima de 200mg/dL.

Algumas pessoas apresentaram resultados preocupantes (acima de 250mg/dL, inclusive) e foram orientadas pela nossa Educadora à procurar um serviço de saúde...
Outras duas estavam realizando este tipo de exame pela primeira vez!

Um único caso com resultado abaixo de 70mg/dL mostrou que 'hipoglicemia' é uma palavra que não representa nada para a grande maioria. O diabetes ainda está diretamente ligado ao excesso de açúcar. Então, números baixos como este (registramos mais 3 entre 71 e 79 mg/dL.) passam batidos, sem preocupações. E aí, junto com uma explicação sobre o risco de uma glicemia tão baixa, entrava o esclarecimento sobre os dois tipos mais conhecidos da doçura.

O medo de ser sentenciado com a tão temida insulina, que é vista como uma punição:
- Mas eu também tenho diabetes e tomo insulina. 'Tá vendo como eu estou bem?
A surpresa quando descobriam que eu convivo com esse tal diabetes!

E sim, eu também já fiz esta conexão entre a necessidade da insulina e a gravidade da doença, um dia... Nós somos pessoas que já tiveram tantas dúvidas como muitas das pessoas que passaram pela nossa mesa.

Mais uma breve explicação - desta vez sobre o hormônio - torcendo para que ajudasse a dissolver esta visão errônea, diretamente associada ao fato de ter que tomar uma injeção.

Depois disso tudo, depois do gerente da Loja Ricardo Eletro não só ter ido fazer o teste, mas ter liberado a equipe para fazer também...
...depois da expressão de decepção de algumas pessoas ao saber que no dia seguinte não estaríamos lá, depois do Papai Noel (ele mesmo!) ter feito o teste num intervalo entre um abraço e outro das crianças, só me resta agradecer.

Meus amigos doces queridos, obrigada por esta oportunidade.
Que energia!! Prezar pelo bem e fazer o mínimo que seja para levar informação a quem não tem acesso me garantiu um dia de realização!

À Débora, Gerente do Shopping, novamente agradeço.

Pelo Dia Mundial do Diabetes, meu novembro é azul.
Pela causa, minha r-evolução vai ser sempre azul, de janeiro a janeiro.



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