Ação e reação: o primeiro contato do diagnóstico é essencial no tratamento que segue!
Logo logo mais um Dia Mundial do Diabetes chega e a gente ainda tem tanto, mas tanto a mudar!
Sem deixar de celebrar tudo que já evoluiu até aqui...
Claro que eu reconheço as 'facilidades' que mudaram bastante o tratamento de quem convive com o diabetes. O que eu ressalto é como ainda há muito o que melhorar em termos de acesso à informação, educação e cuidado com as pessoas diagnosticadas com diabetes.
Como disse o grande Joslin, a educação em diabetes é o tratamento em si.
Para além do envolvimento dos pacientes no seu próprio tratamento, é mais do que urgente a necessidade dos profissionais de saúde se atualizarem nos parâmetros e ferramentas que vem sendo utilizadas.
Para além do envolvimento dos pacientes no seu próprio tratamento, é mais do que urgente a necessidade dos profissionais de saúde se atualizarem nos parâmetros e ferramentas que vem sendo utilizadas.
Esse tipo de caminho à base de negativas - não pode comer, não pode engravidar, não pode isso, não pode aquilo - é ultrapassado e passou da hora de ser abolido!
Recentemente, totalmente por acaso, eu presenciei uma situação que demonstra o quanto ainda pode ser arcaica a abordagem num momento de diagnóstico...
Fui ao salão numa tarde tranquila de sexta, fazer as unhas.
Logo que entrei, reparei que uma das outras mulheres que estava por lá usava um sensor, mas não gosto de sair assim abordando as pessoas.
Sentei, escolhi meu esmalte, tomei um cafezinho.
Em algum momento, percebi que a moça do sensor estava muito abalada.
Em algum momento, percebi que a moça do sensor estava muito abalada.
Ela pediu a bolsa, puxou uma caneta de insulina, aplicou, e o choro desceu.
Observei de longe, sem alarde...
Observei de longe, sem alarde...
E descobri que ela administra o salão e fazia só um mês que tinha recebido o diagnóstico de Diabetes tipo LADA, aos 39 anos, enquanto fazia exames para engravidar.
Imediatamente entendi o choro: ela estava assustada e, ainda, perdida.
Parei, me apresentei, mostrei meu sensor no braço, falei que já convivo com o DM1 há quase 18 anos...
Conversamos à beça.
De cara, disse para ela que ia ficar tudo bem. Que é o medo do desconhecido, do que pode acontecer, do que não foi esclarecido, que deixa a gente num estado de suspensão.
Falei que com tempo e com melhor entendimento sobre o que é o diabetes, as coisas vão se ajustar.
De cara, disse para ela que ia ficar tudo bem. Que é o medo do desconhecido, do que pode acontecer, do que não foi esclarecido, que deixa a gente num estado de suspensão.
Falei que com tempo e com melhor entendimento sobre o que é o diabetes, as coisas vão se ajustar.
Que mesmo nos dias em que ela perdesse a paciência entre glicemias e insulina, ia ficar tudo bem.
O que apavora nesse diagnóstico é, de início, a falta de conhecimento.
Precisamos falar sobre o diabetes. Continuamente. Diariamente. Em todos os lugares, todos os dias!
Ela ainda não tinha recebido orientação sobre que glicosímetro usar, como usar... só o sensor.
Faltou orientação básica.
Ela ouviu de um médico que podia esquecer sobre a gestação! Isso é de uma crueldade tão grande que eu não sei nem mensurar.
Quando alguém recebe uma notícia sobre uma questão de saúde que muda sua vida para sempre, o mínimo que se espera é que haja um acolhimento, um esclarecimento dentro do que pode ser compreendido naquele momento inicial.
Esse ano, o tema do Dia Mundial do Diabetes é Ação Precoce no Diabetes.
O objetivo é ampliar o acesso ao cuidado e reduzir o risco de complicações.
O objetivo é ampliar o acesso ao cuidado e reduzir o risco de complicações.
Mas para que cada uma dessas ações simples funcione, deve haver envolvimento e comprometimento de médicos e profissionais de saúde.
Para que uma pessoa com diabetes se sinta confiante e segura para seguir com seu tratamento a cada dia, é preciso que o cuidado comece nos atendimentos iniciais.
Conhecer e respeitar a realidade de cada pessoa também deve ser parte da definição do tratamento individualizado à que cada um tem direito.
Eu tenho percebido, com o que escuto entre grupos de pessoas com diabetes, entre conversas de outros amigos médicos, é que fora do eixo da especialidade de endocrinologia há um grande desconhecimento em relação às necessidades das pessoas que convivem com o diabetes.
Se prendem, ainda, em insulinas antigas, em métodos de definição de dosagens que não são os mais eficazes, em restrições.
Se prendem, ainda, em insulinas antigas, em métodos de definição de dosagens que não são os mais eficazes, em restrições.
Para que uma pessoa com diabetes se sinta confiante e segura para seguir com seu tratamento a cada dia, é preciso que o cuidado comece nos atendimentos iniciais.
Conhecer e respeitar a realidade de cada pessoa também deve ser parte da definição do tratamento individualizado à que cada um tem direito.
Seguimos!
Um dia depois do outro e depois do próximo, falando, esclarecendo e lutando para que o diabetes deixe de ser estigmatizado.
E, para não esquecer: Diabetes não é sentença!!



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