Resistência rima com... persistência !!

Desde o meu diagnóstico eu aprendi o que é resistência à insulina.
Para quem não sabia nem a diferença entre diabetes tipo 1 e diabetes tipo 2, eu fui carregada de novas informações e situações sobre saúde que eu sequer fazia ideia que podiam acontecer. 

Sabia qual era o conceito de doença autoimune, mas jamais imaginei que um dia eu iria conviver com uma. 
Sabia que diabetes tinha uma relação com excesso de açúcar, mas não sabia que ele podia surgir sem ter qualquer interferência com isso... 

Pois bem, até aqui são 14 anos (e mais um pouquinho) de DM1 e aprendi a me relacionar bem com esse tal. 
Mas o tempo passa, a idade avança e aos 45 a novidade do momento por aqui é o tal do climatério. 

- 'Clima' o que???
 
Vamos lá: segundo a classificação da ciência, é a "transição fisiológica do período reprodutivo para o não reprodutivo da mulher".


Em um resumo simplista, é a menopausa batendo na porta!

O climatério faz parte e é esperado. A questão - que também foi uma novidade para mim - é que ele vem trazendo junto a resistência à insulina! 

Há algum tempo eu vinha percebendo umas glicemias bem esquisitas, sem muita justificativa aparente. A sensação realmente era de que a insulina parecia água, sem qualquer efeito sobre a doçura.

E se durante o período menstrual manter a glicemia dentro da meta era mais chatinho (já comentei aqui que interfere no controle da doçura...), é claro que eu imaginava que haveria alguma alteração quando essa fase chegasse... 
Mas não imaginei que seria tão complicado reorganizar essa confusão glicêmica. 

Sobe, corrijo. Tudo se acalma.
Sobe de novo, corrijo mais. Hipo.
Estabiliza. Me tranquilizo!
Sobe! E segue subindo. Corrijo. E nada de descer... 

Cada dia é de um jeito. 

Cada aplicação de insulina uma expectativa.


Tá parecendo uma rebeldia da adolescência diabética! 
Deve ser isso: o baile de debutantes do meu diagnóstico.

Só que quem está levando um baile sou eu.
O estrogênio travou 
A progesterona pirou
O corpo inchou 
O cansaço é constante
O mau humor - desnecessário - sem controle.

Não controlo meu peso
Não controlo meu ciclo 
Não controlo meu humor
Não controlo minha glicemia
Nem a absorção da insulina 
E uma descompensação leva à outra.

Aos poucos fui reajustando a quantidade insulina que era preciso para cada refeição habitual, para cada alimento, para cada situação do dia. 
O receio de aumentar a quantidade de insulina de ação rápida de repente estava aqui presente. Um medo enorme de sair do que era o meu padrão de correção, exagerar na dose e entrar numa hipoglicemia severa.

E aqui, um problema grande: como minha relação insulina / carboidrato já não era mais suficiente, eu comecei a chutar na contagem de carboidratos. E, pela primeira vez desde o meu diagnóstico, não sabia ao certo o quanto eu estava usando para cada 15 ou 20 gramas de carboidratos ingeridos.   
Claro que isso também interferiu nessas loucuras glicêmicas que vem sendo registradas, mas com o que eu já sei - um salve à educação em diabetes e à contagem de carboidratos! - eu poderia ter sido mais disciplinada nesse aspecto. 

Depois de três meses dos primeiros exames hormonais que indicaram o climatério, uma nova leva de ultrassonografias e exames de sangue.
Consulta com gineco, consulta com endócrino e mais pedidos de exame. 

Enfim, mais uma vez o monitoramento da glicemia tem sido meu maior aliado. 
Aplico, espero uma hora, duas, meço, depois meço de novo. 
Assim consegui perceber que o impacto maior é na parte da tarde, com o pós almoço e o lanche, e sigo entendendo que meu organismo está operando de uma nova maneira:


Sabemos que a idade e o tempo de diabetes também são fatores que interferem naturalmente no controle da condição. Só que, além disso, agora a minha endocrinologista quer avaliar se, além do climatério, tem alguma outra questão relacionada á tireoide ou à adrenal (porque uma doença autoimune pode ser fator desencadeador de outra).
Isso poderia ser, também, o causador do meu cansaço excessivo, das dores de cabeça...

Por hora, ajustamos a dose da insulina de ação rápida - redefinimos a relação insulina / carboidrato - e vou esperar uma semana para fazer os novos exames de sangue que foram pedidos. 

Para finalizar essa revisão geral da máquina, o ponto alto e nada inesperado: o puxão de orelha pela falta de exercícios. 
Preciso sair da inércia. 
Sei que exercício é parte do meu tratamento e sei também que só depende de mim dar o primeiro passo. 

É isso. 
Trabalhando mente e corpo por aqui para montar esse quebra-cabeça de diabetes + climatério + resistência à insulina.

Em breve, novos capítulos dessa novela hormonal!

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