Crônicas do Climatério -- As voltas hormonais do relógio biológico...

Que o diabetes não é linear, a gente já sabe. 
Controle, doses de insulina, o efeito da alimentação na glicemia, tratamento... tudo isso é um vai e vem danado na convivência com a doçura.

Com o climatério não seria diferente...
Mais uma vez, os hormônios estão fazendo uma bagunça no meu corpo, no meu humor, na minha forma de dormir e acordar, na minha disposição (e na minha glicemia, claro!!) e eu sei que não é da noite para o dia que vou conseguir resolver essa matemática.

Exames de lá, consultas de cá: a busca pela clareza da situação para então seguirmos no caminho do tratamento e dos ajustes necessários nas engrenagens. 

Um dia de cada vez, certo?
Na teoria sim, na prática nem sempre. 

Eu sei que a variação hormonal me deixa emocionalmente instável. 
Sei que esse tumulto me traz um mau humor, uma falta de energia, uma incerteza ainda maior de que as doses de insulina aplicadas vão surtir o efeito desejado. 
E sei também que cabe a mim reagir.
Só que o tempo de reação eu também não tenho conseguido mudar ou comandar... 

A verdade é que eu achava, lá nos idos da adolescência, que TPM era bobagem. Uma frescura sem justificativa. Aí a tal da puberdade chegou, passou e entre pílula e DIU a TPM se fez companheira por aqui.
Depois, de repente, entre projetos e viagens e batuques e responsabilidades, o tal diabetes tipo 1 apareceu sem pedir licença. E eu também achava que eu jamais teria diabetes, porque afinal eu me alimentava bem, não era muito dos doces. Entendimento algum sobre a condição e o que significava uma doença autoimune até aquele momento!
Da mesma maneira, eu que sempre ouvi muito pela diagonal sobre os efeitos e todos os sentires da tal menopausa, achava tudo um tanto exagerado. Até que fui consumida pelos calores, pelos inchaços, pelos incômodos das ciclos esquisitos que confirmaram que era chegado o meu momento climatérico!! 

É chato não conseguir sair do peso de estar nessa flutuação entre ser bacana, legal divertida ou ser uma pessoa que reclama, que critica, que incomoda. 
É chato perder um controle que há 14 anos, desde o diagnóstico do DM1, eu conseguia manter. 

Mas preciso me lembrar constantemente é que o reloginho biológico está devidamente acionado, funcionando e dando as cartas!

Até um strogonofe no jantar atualmente tem tido resultados catastróficos na madrugada:

Isso era comum (e previsto) para uma pizza, um hamburguer. Nesses casos eu já até me prevenia tomando uma dose adicional de insulina 3h ou 4h depois de comer essas delícias para compensar a gordura.
Mas com strogonofe foi uma novidade acompanhada de um susto (totalmente desnecessário!).

Pois bem, é o que tem para hoje e é em cima desse cenário todo aí que eu estou assimilando a questão de que agora, mais do que nunca, eu preciso fazer exercício físico para ajudar o meu corpo a reorganizar essa confusão toda entre o diabetes e o climatério. E estou trabalhando com a maior dedicação possível, junto com a minha ginecologista e a minha endócrino. 

Daqui a alguns dias tenho mais uma consulta para levar os exames extras que foram pedidos e a partir daí vamos começar a traçar a estratégia para reorganizar a bagunça entre a descompensação dos hormônios e a resistência à insulina que anda afetando a doçura diabética.

Enquanto isso, vou procurando publicações sobre o tema - complementando o técnico com o real, para a experiência dividida por mulheres, pelas que tem diabetes principalmente -,  e me forçando a lembrar que eu não sou assim, eu estou assim


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