Até aqui, 14 anos de doçura!

- Mas você nem tem cara de diabética.
- Você comia muito doce, né?
- Nossa, eu ia morrer se fosse comigo.
- Coitada, tem que se furar um monte de vezes ao dia!

Viver com diabetes é ouvir esse tipo de coisa com uma certa frequência, mesmo que eu diga que vivo bem com a condição.  

- Duvido! 
- Tá falando isso só pra ninguém te perturbar.

Viver sob o diagnóstico de uma doença crônica não é fácil.
São inúmeras decisões todos os dias para me manter bem (e viva!).
É insulina, é sensor, é glicemia...
É a coca-cola tomada quase em um único gole para aplacar uma hipo. 
É pensar e repensar sobre a necessidade de uma dose extra de insulina quando a doçura vai além do que deveria depois de um almoço ou daquele lanchinho da tarde.
É manter a rotina e perceber que nem assim existe uma garantia de controle absoluto.

Aliás... controle absoluto é que não existe mesmo!!
Como ter controle do que não depende só de mim para controlar? 
Vou além: por que achar que eu realmente tenho que controlar tudo??

Mas viver bem com o diabetes não é sobre isso.
Viver bem com o diabetes é sobre a naturalidade em conviver com a condição. 
É sobre aprender como funciona esse tal e aprender a lidar com ele.
É sobre o diabetes não ser o único foco nos meus dias.

É sobre ser engenheira, batuqueira, escritora. 
Sobre ser o que eu quiser!

Assim tem sido nos últimos 14 anos, desde o dia do diagnóstico de diabetes tipo 1. 
Até aqui, nenhuma complicação. 
Até aqui, dedicação.
Até aqui, muitas perguntas sobre os altos e baixos da doçura. 
Até aqui, dúvidas todos os dias, a cada glicemia medida! 
E não há tempo de diagnóstico que mude isso...

Tem dias que eu me sinto a diabética mais experiente do universo todinho.
Tem dias que parece que nada adianta para manter a doçura no lugar.
Viver com o diabetes é assim…

É entender que tudo bem se eu me sentir vulnerável.
Que às vezes eu não vou ter a resposta para tudo. E que tudo bem também.

Viver com diabetes é seguir um dia de cada vez e lembrar que aprender a conviver com o DM1 em vez de me debater com ele foi a decisão mais acertada. 
É reconhecer e agradecer por não ter estado sozinha em nenhum momento desde o meu diagnóstico até aqui.

Até aqui, foram 14 anos...
E até aqui, a certeza de que essa condição não vai me limitar. 








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