A individualidade da doçura...

"Todo mundo passou por uma situação grave quando foi diagnosticado".
Acho que isso é o que eu mais escuto em palestras, apresentações ou eventos de pessoas com diabetes.
O fato é que não é bem assim.

Eu não tive - e só agradeço por isso! - um episódio de internação ou um colapso que me levasse à uma situação maior de risco. Meu diagnóstico, como já contei por aqui, foi descoberto através de um exame de rotina.

Nesses dez anos de diabetes, cada vez mais tenho a certeza que a gente não pode generalizar.
Tem gente que passa mal com a glicemia pela casa dos 70mg/dL. Enquanto isso, eu já tive uma hipoglicemia de 34mg/dL (acho que foi o mais baixo que registrei nesse tempo todo) e estava consciente, capaz de ir buscar minha coca-cola na geladeira. Claro, senti a aflição imensa pela situação, além da taquicardia, o suor frio... Mas não perdi os sentidos ou precisei de auxílio médico mesmo com essa glicemia tão baixa.

Tem gente que usa muita insulina e tem gente que usa pouco. Aliás, nem gosto desse conceito de muito ou pouco. O tratamento de uma pessoa jamais deve balizar o tratamento de outros.
Lembro que ainda no primeiro ano depois de me saber diabética, uma nutricionista fez uma cara de surpresa quando ouviu quantas unidades de insulina corretiva eu usava, em média, por dia. Aquilo me apavorou!! Na minha falta de conhecimento da época, a reação dela significava que eu usava insulina demais, que estava fazendo tudo errado...

Com o tempo, aprendi e entendi que o que é demais para mim, pode ser insuficiente para um amigo que também convivem com esse tal diabetes.
Da mesma forma, um tipo de insulina pode ser melhor para o organismo de outra pessoa mas não ser tão eficaz comigo.

Diabetes é assim: individualista!
Por isso, fica a sugestão - agora sim, quero generalizar - para que a gente se lembre disso diariamente. Comparações de resultados, glicadas, pós-prandiais, pratos lindos e coloridos - ou não!, atividade física incluída na rotina (ou a rotina atropelando as horas e jogando os exercícios para escanteio!!)... são muitas as questões que temos que lidar para organizar o dia, a vida e a doçura.

Sem competição, sem melhor, sem pior.
Cada um do seu jeito, com as suas particularidades e tendo como base o que foi estabelecido para o seu próprio tratamento.


O lance é seguir em frente no controle e deixando sempre espaço para aprender e evoluir.
Ano novo, energia nova e o reconhecimento por cada passo dado nesse caminho.

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