Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

12 outubro, 2016

Congresso de Pediatria: Diabetes em destaque!

Entre os dias 10 e 12 de outubro aconteceu, aqui no Rio, o XII Congresso de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro, o CONSOPERJ.

O tema central do Congresso foi Emergência e entre tantas matérias o diabetes era uma delas. Numa mesa redonda, 4 especialistas:
Claudia Braga Monteiro, endocrinologista, que presidiu a mesa; Marilena de Menezes Cordeiro, Renata Szundy Berardo e Daniel Luis Schueftan Gilban, endocrinologistas pediátricos.
Tive a oportunidade de assistir e acompanhar as apresentações e discussões finais. Os assuntos foram a abordagem inicial do paciente diabético, cetoacidose e hipo e hiperglicemia na idade escolar, praticamente um complementando o outro.

Como colocado pela Dra. Renata, a cetoacidose pode ser difícil de reconhecer. Os sintomas, que além da glicemia acima de 250 mg/dL inclui a desidratação, não são tão perceptíveis. Na maioria das vezes acaba sendo diagnosticada quando o paciente busca um auxílio médico-hospitalar.

Já existe no mercado um glicosímetro que verifica a cetoacidose na ponta de dedo, mas isso não é amplamente acessível. Ficamos com a informação como maior ferramenta então...
Alguns fatores de risco estão associados:
- Controle glicêmico ruim ou cetoacidose prévia
- Meninas adolescentes
- Omissão de doses de insulina
- Doenças psiquiátricas
- Situação familiar instável
- Acesso limitado aos serviços de saúde

Por sua vez, o diagnóstico do diabetes tipo 1 costuma chegar de sopetão e uma grande dificuldade que eu identifico é a falta de conhecimento sobre a condição. Falo por mim (já contei inúmeras vezes por aqui que eu não só não soube reconhecer os sintomas como não sabia a diferença entre os tipos 1 e 2)!

A Dra. Marilena comentou que muitos pais e responsáveis chegam com crianças com perda de peso mas como eles seguem comendo bem (polifagia), não há um alerta claro emitido; muitas ainda usam fralda, o que acaba mascarando a poliúria (urina em excesso).

Vale ressaltar: por mais estranho que possa parecer, formigas presentes na fralda ou próximas ao vaso sanitário podem indicar açúcar na urina.

O que fazer então depois desse susto? Injeção? Furinhos nos dedos? Horários a serem cumpridos à risca? As regras - e as dúvidas - são muitas e o impacto no dia a dia da família é grande.

É preciso não excluir a criança, dar apoio, participar. Aí entra a educação em diabetes com um papel fundamental no tratamento. Dosagens corretas de insulina são imprescindíveis, monitorar a glicemia é a base, mas a informação e o conhecimento devem estar de mãos dadas.

A mãe, o pai, a tia, o avô tendem a se sentir culpados por ligar o diagnóstico da criança (ou mesmo de um adolescente ou adulto) à um caso de um parente distante que tem diabetes tipo 2. E não, não é isso. Enquanto a família se prepara para lidar com a questão médica recém chegada, existe uma missão árdua de derrubar mitos e estigmas que ainda cercam esta doença.

- Minha vizinha perdeu um pé.
- A avó do meu amigo não enxerga mais.
- O primo do meu professor não pode comer nada!

Assim, é muito importante esclarecer a família sobre o que é o DM1 e quais os objetivos do tratamento e de cada ajuste na rotina que será preciso para manter um bom controle.

Um fator alarmante foi destacado pelo Dr. Luis: o aumento frequente de novos diagnósticos de DM2 em adolescentes!!

Hábitos alimentares com opções por fast foods e o sedentarismo, num momento em que a tecnologia domina as preferencias e acaba se sobrepondo às atividades físicas mais corriqueiras, são os vilões.

Ainda nesta fase entre a infância e o começo da vida adulta, o medo de engordar, o medo de ser o diferente, o receio de não se encaixar nos padrões da turma... Os riscos deste comportamento são os extremos: hipoglicemia e hiperglicemia. Muito tempo sem comer, não medir a glicemia, a vergonha por precisar parar ou sair da sala de aula podem levar à uma queda da glicose, da mesma forma como não aplicar a insulina ou escolher lanches mais pesados sem a devida correção levam à uma subida brusca da glicemia. As conseqüências são muito sérias e podem ser irreversíveis.

De novo, é preciso informação, conhecimento.
É preciso falar, incansavelmente, sobre diabetes!

Uma pergunta antes de terminar: questionei à mesa qual é a opinião sobre as insulinas análogas. Com a constatação de que demanda um custo mais alto, o desejo de poder fornecer um tratamento que traz maior qualidade de vida e que possa ser acessível a todos os pacientes.
Na torcida, então!

Eu estava lá representando meu IP, minha vida doce. Acima de tudo, eu estava lá como nós, como o nosso Movimento Rio, como meus amigos diabéticos blogueiros, especialistas e docinhos tão queridos que me ensinam diariamente.

Registro meu agradecimento à Cris (Cristina Dissat, jornalista atuante na área há bastante tempo) e à Dra. Isabel Rey Madeira, presidente desta edição do CONSOPERJ, pela oportunidade, pelas conversas e pela participação.


Mais uma vez, o objetivo foi afirmar que é possível viver bem com o diabetes. Conviver com esse tal não precisa ser pesado e nem mesmo representar uma limitação.

O caminho é a educação. O caminho é a experiência compartilhada.
O caminho para combater esse 'buraco' é extenso, mas nós vamos em frete e vamos juntos!





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