Crônicas do Isolamento -- Um mundo de números

A glicemia deve ser lá pelos 100. 

A idade é 43. 
De basal são 18 unidades.
De diagnóstico, estou perto dos 12 anos.  
A glicada está 6,6%.

O covid é 19.
De quarentena, 324 dias. 
Mais de 225.000 perdas na batalha contra o vírus. 
Sabe-se lá quantos meses até a hora vacina.

Intervalo de glicemias. Os anos de vida. As unidades de insulina. As metas dos exames.

3 vacinas já aprovadas.
A esperança em uma - outra - injeção: até aqui, mais de 2,2 milhões de pessoas vacinadas no Brasil.

Nesse mundo de números que indicam e impõem 'o que' e 'como', essa conta é a que mais traz alegria e esperança hoje em dia. 

Quando imaginamos passar por uma situação dessas? E quantos de nós imaginou que essa pandemia nos tiraria a liberdade por tanto tempo?
É difícil ficar longe dos nossos.
É difícil quando vem a notícia de algum conhecido com o diagnóstico do vírus confirmado. 
É difícil acreditar que a vida vai voltar ao normal, enquanto ainda vemos tanto egoísmo e individualismo pelas ruas.

Mais: difícil ver uma luz no fim do túnel quando (des)governantes e seus asseclas insistem que medidas de proteção são exageros e que as vacinas vão nos transformar em répteis ou em um objeto monitorado por chip. Haja paciência para, além de tudo, aturar este tipo de absurdo!
~ tem vacina contra ignorância?? (demanda eu sei que tem!) ~

Enquanto o tempo passa, outros números seguem fazendo parte do dia a dia:
as crianças que já voltaram às aulas presenciais 
as que seguirão em modo online 
os escritórios que pressionam seus funcionários a voltar aos locais de trabalho 
os que estão tentando uma solução para tornar o home office mais fácil 
as sequelas de quem, em tese, foi dito curado do covid-19
aqueles que já foram contaminados e por isso se consideram imunes...

Uma coisa é certa: cada um sabe de suas angústias e ansiedades nesse cenário que mais parece saído de uma tela de cinema. 

Aliás, quanta saudade de ir ao cinema! 
Saudade de pipoca com filme novo, de um passeio depois para digerir a sessão, dos amigos deixando a sala de casa cheinha numa noite de sábado.
Quanta saudade de um mergulho na praia sem pressa, das idas à casa da Mamy pra curtir a família. 
Saudade dos ensaios da minha batucada e de um carnaval que esse ano não vai passar pela Avenida (estou totalmente de acordo com esta decisão, que fique claro!!). 

Por hora, continuo guardando as saudades e as vontades. Por amor, por respeito. 
Por acreditar na ciência e preferir esperar na segurança que é palpável. 

Por hora, agradeço por me ver bem e ter os meus assim também.


Sigo contando os minutos para os encontros, as fases até a minha vez de ser vacinada e os carboidratos dessa vida de doçura tipo 1. 

Vai passar! 







 




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Crônicas do Isolamento -- Do lado de lá do portão...

Crônicas do Isolamento -- O Bem do Mar

Crônicas do Isolamento -- Entre dias reinventados...