O lixo do cuidado...

Inspirada por uma aula de responsabilidade social e por um dilema que precisávamos resolver, associando ética à logística operacional de um hospital, decidi colocar na ponta do lápis a quantidade resíduos que eu gero a partir do meu tratamento.

Insulinas, agulhas, sensores, tiras, lancetas... tudo vem embalado. Aplicadores, capas de proteção, às vezes mais de uma camada de papel ou plástico envolvendo um produto específico.

De 16 de março a 16 de abril não joguei nada fora. Guardei cada lacre de agulha, cada aplicador do libre, as caixas e as canetas descartáveis de insulina.


O resultado impressiona:

  • 130 agulhas utilizadas nesse período, restando então 130 lacres, 260 capinhas protetoras e as duas caixas com os manuais / informativos


  • Uma caneta de insulina que estava em uso acabou e outras duas foram abertas nesse intervalo de tempo, restando 3 caixas e duas canetas vazias


  • 2 sensores do Libre, deixando como resíduo as caixas que embalam o conjunto sensor + aplicador, o aplicador, o informativo com as instruções, as embalagens dos sachês de álcool para limpeza, além dos próprios sachês


  • 9 adesivos Tegaderm e as respectivas embalagens, que somam 3 caixas (cada uma vem com 4 adesivos), 27 papéis protetores dos adesivos (em cada um, são 3 capas / partes, até chegarmos ao adesivo)



  • 5 tiras teste - e as 5 embalagens (papel tipo laminado / plástico) de cada uma - e 1 lanceta (tambor de seis agulhas)



Isso tudo só em 31 dias!!

Se a gente pensar em quantas pessoas com diabetes seguem, mais ou menos, tratamentos similares, a quantidade de resíduos que a gente produz é enorme!

- Ah, mas a gente vai deixar de usar os insumos e de fazer o tratamento porque gera muito lixo?
Não, jamais.

O que eu penso é que pode haver um caminho para mudar alguns parâmetros em termos de materiais utilizados para embalar estes itens. Hoje em dia existem diversas alternativas de produtos biodegradáveis e que não agridem o meio ambiente.

Claro que a utilização de uma embalagem feita a partir de um material alternativo deve ser capaz de proteger e garantir que o insumo e/ou o produto não sofram qualquer desgaste ou que sejam danificados nem contaminados.
Mas por que não pensar em algo novo? Por que não criar uma política de retorno de embalagens junto às indústrias fabricantes, por exemplo? Uma 'parceria' entre os usuários e a indústria, gerando o compromisso de devolução de embalagens mediante descontos em novos insumos, pode ser uma solução inicial também.

Aqui no meu prédio nós fazemos coleta seletiva. Então, as embalagens que podem ser recicladas (segunda capa e lacres das agulhas, embalagens do sensor, caixas e canetas vazias de insulina...) eu costumo descartar junto com outras embalagens e produtos recicláveis.

Não podemos esquecer que em relação às agulhas, tiras e lancetas usadas, o descarte não deve ser feito em lixo comum. O ideal é juntar esses itens em uma embalagem de material resistente, de preferência transparente e depois entregar em unidade de saúde. Para saber mais, é só ver as dicas que já postei aqui no IP.

É preciso repensar e fazer a conta considerando a quantidade de pessoas com diabetes: só no Brasil, somos cerca de 16 milhões. Apesar dos tratamentos serem diferentes - medicamentos orais, terapia com bomba de infusão contínua de insulina, canetas, seringas e frascos...) a quantidade lixo produzida é muito significativa!

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