Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

29 junho, 2017

A palavra que conta.

Que peso o diabetes tem!
É impressionante como até hoje a palavra, dita no momento do diagnóstico, vem acompanhada de medo, tensão, pavor. É até justificável, a contar pela falta de conhecimento e entendimento sobre a condição. Quando aconteceu comigo, nos idos de março de 2009, foi assim. O susto grande, a sensação de que aquilo não podia ser verdade, não fazia qualquer sentido. Uma realidade na qual passariam a fazer parte as agulhas e as injeções diárias?? Mais: que um corte poderia nunca cicatrizar e traria as piores consequências... Não é exagero, não. Eu não entendia nada sobre o diabetes e isso era tudo que eu ouvia a respeito dessa 'doença fatal'.

Imagina, aquilo não poderia ser para mim. Mas era! Só que não exatamente assim...
E foi o fato de ter me dado conta disso que mudou tudo.

Pesquisei, estudei, me informei, questionei e entendi. Passei da fase da negação sendo guiada pela informação, pela educação em diabetes; compreendendo a cada dia que posso viver bem com uma condição séria de saúde me acompanhando.

A questão é que pouco vejo sendo dito ou mostrado em relação à educação em diabetes. Algumas associações trabalham em cima disso, levam palestras e fazem encontros para explicar e mostrar mais e mais sobre autocuidado, sobre a importância de saber interpretar o que número mostrado no glicosímetro está dizendo, sobre os benefícios da rotina de atividades físicas... Mas no geral, quase tudo divulgado sobre o diabetes vem com uma carga negativa. Fazer uma matéria direcionada a quem "sofre com diabetes" é colocar a pessoa num patamar onde nada dá certo, onde nada funciona e nem pode ser bom.

Para usar esses termos, só se for uma referência à absurda e intermitente falta de insumos e tratamentos para quem precisa. Aí sim, daria todo o meu apoio! E digo que deveria ser estampado em capa de jornal, com letras garrafais.

É preciso - sempre - falar sobre diabetes, mas é preciso adequar a linguagem e os assuntos.
Exemplos não faltam... Tem diabetes no esporte, pelo mundo, na moda, entre grandes executivos, no samba. Tem diabetes e qualidade de vida. Tem diabetes e saúde sim!

Está na hora de readequar os textos. Pesquisem, perguntem, busquem pelas redes e pela vida e tenho certeza que serão encontrados muitos docinhos sem sofrimento algum. Quanto mais se mostra a realidade possível da boa convivência com a doçura, mais pessoas com diabetes passarão a acreditar que isso também pode ser para eles.
Vocês podem substituir o "sofre com diabetes" por "joga com diabetes", "dança com diabetes", "curte com diabetes", "viaja", "se cuida", "passeia"... Abram seus horizontes e revejam seus conceitos.
Adequem suas escritas, porque essa gente incrível e doce já vem readequando o pensamento e a vivência com a condição faz tempo!

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