Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

21 junho, 2017

A jornada da doçura...

"Estamos familiarizados com a ideia de que a realidade da viagem não corresponde às nossas expectativas. A escola pessimista, da qual Des Esseintes poderia ser patrono honorário, conclui portanto que a realidade deve sempre ser decepcionante. Talvez seja mais verdadeiro e mais satisfatório sugerir que ela é essencialmente diferente."
Esse é um trechinho do livro 'A arte de viajar', do Alain de Botton.

- Mas você vai viajar?
Não, agora não. Adoro e não deixo uma boa viagem passar, mas não é isso.
O que acontece é que na hora que li justamente esse pedaço, de imediato fiz um link com o diagnóstico do diabetes! Ele seria a viagem a qual o texto faz referência...

Quando eu ouvi da minha endocrinologista que o que estava acontecendo comigo era por causa do diabetes tipo 1 - que, na época, eu nem entendia direito o que significava - eu só conseguia lembrar tudo de ruim e pesado que tinha escutado sobre esse tal: amputação, um monte de 'não pode', restrições absolutas de atividades de lazer e de prazer, morte. A tão temida morte!
31 anos, trabalho a mil, idas e vindas pelo país toda semana, horas e horas ininterruptas em cima de relatórios e contratos, ensaios, shows, ensaios, carnaval. Onde isso tudo ia ficar? Melhor: ia ficar ou me fariam parar??

Apesar da angústia daquela nova rotina em que injeções seriam protagonistas, essa possibilidade de travar o movimento, o riso e a vida me congelou. Entrei em um pânico momentâneo e, até sair dele, funcionei naquele modo de 'escola pessimista'. Com calma, com alma e muita paciência, minha Super endócrino me ensinou, ajudou e foi parceira (eu sei que já falei isso algumas vezes, mas vale a ressalva de novo!). Isso tudo e mais o apoio total e irrestrito da família e dos amigos foi o que me levou para a fase de enxergar que essa viagem poderia sim ser "essencialmente diferente".

A minha é. E acho que é isso que eu procuro mostrar aqui no meu IP cada vez que divido um pouquinho dos dias da minha vida doce.
Eu aprendi que pode ser essencialmente diferente mesmo.
Tive (tenho!) meus dias de questionar, de ter raiva, de voltar lá para os lados do pessimismo. Mas eles passam e fica a consciência de que o empenho e o cuidado com a minha doçura me levam aonde eu quero chegar: num lugar de não abrir mão do que eu gosto e me faz bem; num lugar onde a liberdade de ir, vir, viajar, voar por assuntos e lugares não é cerceada.

Aprendi a viajar - aí sim, em todos os sentidos - na onda do diabetes.
(Arte: Camila Dias)
E, até aqui, temos sido bons companheiros de jornada!


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