Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

31 outubro, 2016

Pra controlar e ficar conectado!

Quando descobri o diabetes e comecei o tratamento eu tinha, além das insulinas e do meu glicosímetro - companheiro inseparável, o meu caderninho de glicemias!

Andava com ele para todos os cantos, anotando cada doçura medida, as refeições feitas, os horários... Tudo documentado. Como nem sempre eu podia anotar na hora em que media, era um dever de casa diário. Aqueles dados eram mandados para a minha Endócrino que avaliava e definia a quantas o tratamento deveria seguir.

Com a modernidade dos aplicativos para smartphones e computador, o caderninho foi ficando de lado até ser abandonado por completo. Já usei alguns (contei por aqui sobre o Diabattle, My Net Diary, Diamigo, GlicOnline e myDiabetes) e, entre os mais recentes gostei bastante do MySugr e do Glico, que são super fáceis de usar, gratuitos e têm opções de gráficos com os resultados lançados. A grande diferença entre eles é que o Glico permite que se façam notas, sejam relacionadas às glicemias ou sobre atividades físicas realizadas. Ah, e os dois exportam relatórios em PDF.

Agora tem glicosímetro novo no pedaço, com ligação direta à um aplicativo próprio!

É o Accu-Chek Connect, que eu ganhei no Encontro de Blogueiros da Roche e comecei a usar recentemente.
Estou adorando! A primeira coisa que me chamou a atenção é que ele é pequeno e leve, o que deixa muito mais prático o transporte por aí. Também tenho a sensação que o lancetador é mais suave, quase não sinto o furinho no meu dedo.

Uma vez medida a glicemia, ele te dá a opção de colocar a referência daquele registro (jejum, pré ou pós prandial...).

Você define um intervalo de glicemia que deseja alcançar e depois disso cada medição feita é mostrada com uma seta, indicando se está dentro, abaixo ou acima desta faixa. No próprio medidor dá para ver a média de doçura, seja por referência ou considerando todas as medições dos últimos 7, 14, 30 ou 90 dias.
 
Preciso abrir um parêntese para uma confissão: amei isso!! Eu sempre fiz este cálculo nas minha planilhas de controle e agora ele vem com apenas um toque.

A sincronização do Accu-Chek Connect com o aplicativo é feita manualmente na primeira vez (depois de um registro bem simples) e a partir daí a transferência dos dados é automática. E, apesar de ser feita por wi-fi, tem a opção de ser feita através de um cabo que acompanha o aparelho.

A praticidade conta e muito quando já temos tantas tarefas a cumprir entre checar a glicemia e começar, de fato, uma refeição.



Os recursos do aplicativo são muitos.

Tem lembrete, seja para aplicação de insulina ou para medir a doçura, em intervalos programados e definidos conforme nossa vontade ou necessidade, e tem um recurso que eu gostei bastante: teste em pares.

Nesse a gente pode definir, por exemplo, pré + pós a dose de insulina basal de jejum ou pré + pós a prática de exercícios, adicionando informações sobre alimentação e intervalos diferentes das atividades realizadas. O aplicativo te dá um relatório de 7 dias indicando as variações. Isso é uma baita ferramenta pra identificar o que pode estar afetando nossa glicemia!

Uma coisa que vale a pena destacar é que os dados de cálculo para insulina corretiva só podem ser preenchidos por um profissional de saúde (é requerido um código específico).







Aprovado.
Sigo por aqui, com mais informação na ponta do dedinho e na palma da mão!!






19 outubro, 2016

A lei a favor da doçura!

Quem convive com a doçura sabe o quanto as 12 horas de jejum para um exame podem ser desgastantes!

Hipoglicemia no meio do jejum é o meu maior medo. Ter que cortar esse intervalo e começar tudo de novo... Fico tensa, durmo mal.
Isso não é novidade por aqui, comentei sobre essa minha maluquice pré-exame algumas vezes... Mas mesmo depois de tanto tempo de doçura e tantos jejuns feitos, a paranóia continua.

Não tem jeito. Sempre alterno entre a glicemia no limite mínimo ou a doçura alteradinha, com uns números mais altos, porque acabo comendo mais do que precisava para garantir as 12 horas seguintes.

Nunca tive problemas em laboratórios em ocasiões que cheguei já com a hipo dando sinal. Uma explicação breve sobre a situação e um apelo para que todo jejum não fosse perdido e me atenderam de imediato, sem nenhuma confusão. Mas as outras pessoas que estavam esperando não ficaram muito satisfeitas e eu também entendo isso.



Agora, para deixar as coisas mais fáceis para nós, docinhos, o Governador em exercício do Rio de Janeiro Francisco Dornelles sancionou a Lei 7.434, que prevê a prioridade no atendimento nesses casos.

Como destacado pela Bia (você pode conferir mais detalhes na página dela - Biabétcia - aqui), "o diabético que não é idoso, não tem nenhum tipo de deficiência que dê prioridade e nem está grávida, pode pegar a senha de prioridade no seu exame de sangue se for um exame que exija o jejum".



Ponto para ele e um alívio para a gente!


12 outubro, 2016

Congresso de Pediatria: Diabetes em destaque!

Entre os dias 10 e 12 de outubro aconteceu, aqui no Rio, o XII Congresso de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro, o CONSOPERJ.

O tema central do Congresso foi Emergência e entre tantas matérias o diabetes era uma delas. Numa mesa redonda, 4 especialistas:
Claudia Braga Monteiro, endocrinologista, que presidiu a mesa; Marilena de Menezes Cordeiro, Renata Szundy Berardo e Daniel Luis Schueftan Gilban, endocrinologistas pediátricos.
Tive a oportunidade de assistir e acompanhar as apresentações e discussões finais. Os assuntos foram a abordagem inicial do paciente diabético, cetoacidose e hipo e hiperglicemia na idade escolar, praticamente um complementando o outro.

Como colocado pela Dra. Renata, a cetoacidose pode ser difícil de reconhecer. Os sintomas, que além da glicemia acima de 250 mg/dL inclui a desidratação, não são tão perceptíveis. Na maioria das vezes acaba sendo diagnosticada quando o paciente busca um auxílio médico-hospitalar.

Já existe no mercado um glicosímetro que verifica a cetoacidose na ponta de dedo, mas isso não é amplamente acessível. Ficamos com a informação como maior ferramenta então...
Alguns fatores de risco estão associados:
- Controle glicêmico ruim ou cetoacidose prévia
- Meninas adolescentes
- Omissão de doses de insulina
- Doenças psiquiátricas
- Situação familiar instável
- Acesso limitado aos serviços de saúde

Por sua vez, o diagnóstico do diabetes tipo 1 costuma chegar de sopetão e uma grande dificuldade que eu identifico é a falta de conhecimento sobre a condição. Falo por mim (já contei inúmeras vezes por aqui que eu não só não soube reconhecer os sintomas como não sabia a diferença entre os tipos 1 e 2)!

A Dra. Marilena comentou que muitos pais e responsáveis chegam com crianças com perda de peso mas como eles seguem comendo bem (polifagia), não há um alerta claro emitido; muitas ainda usam fralda, o que acaba mascarando a poliúria (urina em excesso).

Vale ressaltar: por mais estranho que possa parecer, formigas presentes na fralda ou próximas ao vaso sanitário podem indicar açúcar na urina.

O que fazer então depois desse susto? Injeção? Furinhos nos dedos? Horários a serem cumpridos à risca? As regras - e as dúvidas - são muitas e o impacto no dia a dia da família é grande.

É preciso não excluir a criança, dar apoio, participar. Aí entra a educação em diabetes com um papel fundamental no tratamento. Dosagens corretas de insulina são imprescindíveis, monitorar a glicemia é a base, mas a informação e o conhecimento devem estar de mãos dadas.

A mãe, o pai, a tia, o avô tendem a se sentir culpados por ligar o diagnóstico da criança (ou mesmo de um adolescente ou adulto) à um caso de um parente distante que tem diabetes tipo 2. E não, não é isso. Enquanto a família se prepara para lidar com a questão médica recém chegada, existe uma missão árdua de derrubar mitos e estigmas que ainda cercam esta doença.

- Minha vizinha perdeu um pé.
- A avó do meu amigo não enxerga mais.
- O primo do meu professor não pode comer nada!

Assim, é muito importante esclarecer a família sobre o que é o DM1 e quais os objetivos do tratamento e de cada ajuste na rotina que será preciso para manter um bom controle.

Um fator alarmante foi destacado pelo Dr. Luis: o aumento frequente de novos diagnósticos de DM2 em adolescentes!!

Hábitos alimentares com opções por fast foods e o sedentarismo, num momento em que a tecnologia domina as preferencias e acaba se sobrepondo às atividades físicas mais corriqueiras, são os vilões.

Ainda nesta fase entre a infância e o começo da vida adulta, o medo de engordar, o medo de ser o diferente, o receio de não se encaixar nos padrões da turma... Os riscos deste comportamento são os extremos: hipoglicemia e hiperglicemia. Muito tempo sem comer, não medir a glicemia, a vergonha por precisar parar ou sair da sala de aula podem levar à uma queda da glicose, da mesma forma como não aplicar a insulina ou escolher lanches mais pesados sem a devida correção levam à uma subida brusca da glicemia. As conseqüências são muito sérias e podem ser irreversíveis.

De novo, é preciso informação, conhecimento.
É preciso falar, incansavelmente, sobre diabetes!

Uma pergunta antes de terminar: questionei à mesa qual é a opinião sobre as insulinas análogas. Com a constatação de que demanda um custo mais alto, o desejo de poder fornecer um tratamento que traz maior qualidade de vida e que possa ser acessível a todos os pacientes.
Na torcida, então!

Eu estava lá representando meu IP, minha vida doce. Acima de tudo, eu estava lá como nós, como o nosso Movimento Rio, como meus amigos diabéticos blogueiros, especialistas e docinhos tão queridos que me ensinam diariamente.

Registro meu agradecimento à Cris (Cristina Dissat, jornalista atuante na área há bastante tempo) e à Dra. Isabel Rey Madeira, presidente desta edição do CONSOPERJ, pela oportunidade, pelas conversas e pela participação.


Mais uma vez, o objetivo foi afirmar que é possível viver bem com o diabetes. Conviver com esse tal não precisa ser pesado e nem mesmo representar uma limitação.

O caminho é a educação. O caminho é a experiência compartilhada.
O caminho para combater esse 'buraco' é extenso, mas nós vamos em frete e vamos juntos!





Encontros de doçura!

O virtual permite que a gente alcance pessoas que não estão pertinho e que a gente nem conhece. Não precisa morar na mesma cidade e nem na mesma região para contar e dividir experiências pelo Brasil e, quiçá, pelo mundo.

Ter a possibilidade de falar sobre a nossa própria doçura sem fronteira para difundir informação e conhecimento é uma grande coisa. Mas, ainda assim, nada como sair da tela e ir para o 'ao vivo'.

Estar junto e compartilhar dúvidas, abraços, sorrisos, reconhecer um blog ou uma página em uma pessoa! A troca cresce exponencialmente.

Aqui no Rio eu já tinha tido a oportunidade de estar junto de alguns docinhos muito queridos e agora eu tive a oportunidade de estar num encontro com tantos outros que, assim como eu, escolheram levar a mensagem positiva que pode existir mesmo depois de um diagnóstico inesperado.



No último dia 8 aconteceu em São Paulo o 4º Encontro de Blogueiros de Saúde, organizado pela Roche / Novo Nordisk, em parceria com a Cozy - Diabetes + Leve.

A turma carioca já saiu junta e com a vibração de aproveitar ao máximo aquele dia. E assim foi!






O tema maior do encontro foi a relação direta da alimentação com o bom controle do diabetes. A contagem de carboidratos foi a protagonista e, com a mão na massa, pudemos avaliar diferentes tipos de alimentos e o quanto eles influenciam na nossa gelicemia.

Dividos em grupos, fomos os responsáveis pela preparação do almoço de todos, da salada à sobremesa. Quinoa, peixe, ketchup caseiro, frango empanado sem gordura e até ganache de chocolate feita com abacate. Um vasto cardápio, que ficou uma delícia e trouxe o recado de que comidas saudáveis podem ser bem saborosas.
À equipe que estava na coordenação do evento - Arthur Santos, Fabiana Couto, Martha Amodio, Claudia Soares - e a todos que estavam lá e fizeram esse encontro acontecer, meu super obrigada!
Uma chance como essa só reforça a tese de que juntos nós vamos mais longe. Diabetes não precisa ser pesado, não é uma sentença e é isso que precisamos mostrar. É uma doença que já foi classificada de fatal e hoje é considerada crônica, mas segue cheio de estigma. Não tiro a seriedade da condição, e é justamente por isso faço questão de mostrar que é possível viver numa boa com a doçura como parceira.

Com cuidado e conhecimento a gente pode até o que costumam dizer que não pode.
Os mitos que ainda acompanham o diabetes precisam ser derrubados.

Na minha visão - e considerando que eu não sabia nem qual era a diferença entre os tipos 1 e 2 - o melhor caminho para conquistar a liberdade que o diabetes momentâneamente parece tirar é a educação em diabetes.

- Já corrigiu?
- Que horas mesmo eu comi? 
- A pós-pradial tá boa?
- Ih, acho que exagerei na conta.
- Uma hipo me derrubou hoje!

Quem nunca??!

Saber que quem está ali do seu lado - fisicamente ou pelas redes - entende em absoluto tudo o que você diz e faz para manter esse planeta diabetes rodando faz um bem e tanto!

Cada um a seu modo, com seu exemplo, é um motivador e pode ajudar a transmitir a mensagem do que o autoconhecimento promove em qualidade de vida e saúde.

Quando você convive diariamente com uma condição de saúde que requer atenção a todo momento, reconhecer no outro um comportamento ou perceber que compartilha do mesmo sentimento de dúvida ou, ainda, que comemora um numerozinho bem específico como se fosse gol de final da Copa do Mundo, chega a ser um alento!

Que essa nossa força tenha cada vez mais um maior alcance.
Que a educação em diabetes seja cada vez mais compreendida como parte do tratamento.

Vamos em frente!







05 outubro, 2016

Pra ser biônico!

MiniMed 670G: "o primeiro sistema híbrido de circuito fechado do mundo".

Ou, como foi amplamente noticiado após a aprovação ocorrida no dia 28 de setembro deste ano pela FDA (agência americana reguladora de alimentos e medicamentos), o pâncreas artificial.

Esse aparelhinho aí não é um controle de videogame, nem uma grande obra de ficção científica e menos ainda um 'pager' com super poderes de um super herói ultra moderno.
Quer dizer, essas referências finais - super poderes e super heróis - podem sim ser aplicadas!

A bomba de insulina é um recurso bastante utilizado hoje. A segurança que traz, com um monitoramento constante das glicemias, diminui o risco de hipoglicemias e dá uma maior liberdade em termos até de alimentação.

Os estudos sobre o desenvolvimento de um pâncreas artificial vem sendo realizados há alguns anos, por diversas instituições de pesquisa e de saúde. Já houve teste em um paciente e, em outra ocasião, o anúncio de um modelo de dispositivo único para aplicação de insulina e leitura de glicemias. 

Então qual é a diferença agora?
De acordo com a Medtronic (a fabricante), este modelo requer menos intervenções do usuário, deixando o sistema ainda mais confiável, já que um único equipamento faz a monitoração da glicemia e a liberação da insulina. A partir de algumas opções, o usuário define o quanto 'automatizada' deve ser a operação no dia a dia... 

A previsão é que ainda no primeiro semestre de 2017 ele esteja disponível para comercialização. 

Como eu gosto de ouvir sempre a opinião de quem usa e sabe na prática o que um bom controle glicêmico representa, trago o depoimento de uma amiga 'bombada' sobre esta novidade:
"Sou Sheila, tenho 46 anos e sou DM1 há 31. Para aplicar a insulina durante todo este tempo usei seringa, por alguns anos cheguei a usar um tipo de pistola à pressão (sem agulhas) e depois, quando a fábrica fechou, de volta às seringas. Nunca gostei das canetas, então em Novembro de 2014 fui direto para a bomba de insulina. O que mais gosto? Do sensor e seus alertas para hipoglicemias. Foi por isso que tive a indicação para este tratamento. 
De lá para cá, minha hemoglobina glicada não passou de 7%, fazer as correções nas refeições é super rápido, prático e moderno e percebo que o controle do diabetes ficou finalmente possível para mim.
Minha expectativa com o pâncreas artificial é de que ele possa corrigir a elevação da glicemia. Da mesma forma, quando a glicemia estiver caindo, além de suspender a insulina basal (o que a bomba atual já faz), quem sabe ela possa injetar o glucagon. Acho que ainda não será neste lançamento recém aprovado, mas chegaremos lá!"

Taí! Uma docinha querida - para quem quiser saber mais, recomendo o blog dela: Histórias de uma Diabética - que já passou por alguns tratamentos diferentes e também acredita que podemos conviver bem com o diabetes. 

Que venha o pâncreas artificial e que não pare por aí! 
Um viva à insulina sempre, mas outro para cada uma dessas pessoas que se empenham em busca de novas soluções por melhores condições de saúde para nós!!



04 outubro, 2016

Curtir, comentar, compartilhar... julgar??

O último tema discutido na minha aula foi como usar as redes sociais de modo a tirar o máximo proveito; como se comunicar de uma maneira eficaz e responsável, que parece tão difícil hoje em dia. Parece bobagem falar sobre isso, mas quando a gente considera o alcance que nossas postagens podem ter depois de publicadas, o assunto é quase urgente (ompartilhamentos sem nem avaliar o conteúdo, ou data, ou mesmo a veracidade do que está dito é o que mais tenho visto).

Voltando à aula, na hora do debate contei uma historinha que aconteceu recentemente comigo na página do IP no Facebookuma pessoa que, vendo uma foto minha aplicando insulina através do fuinho de uma saia de tule, questionou sobre a assepsia e a falta de cuidado. Isso tudo respondido (as mãos tinham sido devidamente lavadas, o furo do tule é muito maior que o diâmetro da agulha, etc.) ela insistiu, indiretamente me 'acusando' de uma irresponsabilidade que não existiu. Por fim, preferiu deixar de acompanhar a minha doçura e o meu IP por alegar "não compactuar" com isso.

A questão por trás dessa situação me levou àquela velha reflexão de que a gente acaba querendo ler / ver somente o que pensa sobre um determinado assunto. Não vou entrar em méritos e discussões específicas, mas a gente acaba procurando uma identificação e a tal da expectativa acaba dando uma baita rasteira quando isso não acontece.

Quando eu decidi criar o blog e abrir a minha vida levando a doçura por aí, eu jamais quis concordância absoluta. Ao contrário... Cada um, com a sua vivência e dentro do que pode, segue como julga melhor. 

O que me pegou de jeito não foi o fato dela não concordar com o que eu havia feito, mas sim o dedo apontado. 
Existe uma linha muito tênue entre um comentário e uma acusação... Por que não perguntar, em vez de julgar através de uma foto?

Se tem alguém que preza pela minha saúde sou eu. Quem me acompanha por aqui sabe o quanto 'viver e não ter a vergonha de ser feliz' é a minha vibe. Eu não escolho me cuidar porque a minha endócrino manda. Eu não aplico minhas doses diárias de insulina porque minha mãe manda. Eu não meço minha glicemia porque a todo momento alguém me manda fazer.

Antes de qualquer coisa, eu quero fazer isso para estar bem, para ficar bem e só.
Só?? Pois que me respondam: isso é pouco? Para mim é o suficiente. Sem estar bem não tem ir além.
Não quero fazer poeminhas baratos não, mas é assim.

O tratamento para o diabetes tipo 1 não tem fórmula, não tem generalização. O tratamento é individualizado. Apesar da regrinha básica de boa alimentação + rotina de exercícios, meu tratamento leva em consideração as minhas atividades rotineiras, o que eu costumo fazer, os meus horários...

Dá preguiça, cansa, enche o saco vez ou outra? Jamais disse que não! Com tudo isso, eu ainda escolho essas 'chatices'. Que me chamem de louca, que me chamem de "felizinha", jamais de irresponsável.

A gente acaba ficando mais vulnerável quando se expõe, sem dúvida, mas isso nunca me preocupou justamente porque antes de fazer qualquer post, eu já li, já pesquisei, já consultei os especialistas que me conhecem e sabem do meu dia a dia. Mais: que me acompanham e me orientam. 

Quem não compactua com essa visão estigmatizada de que o diabetes é uma doença limitadora sou eu. Foi por isso escolhi me envolver no meu tratamento, aprender sobre a minha condição, sobre como pequenas atitudes podem mudar e interferir - para melhor ou pior - no controle da minha doçura. 

O que faço aqui é dividir isso tudo "sem olhar a quem", com muita responsabilidade. Como eu já disse algumas vezes antes, faço e vou continuar fazendo porque acredito que se é possível para mim, é possível para tantos outros docinhos também! Ter a oportunidade de ouvir do outro como lidar com coisas tão familiares e que a gente sabe o quanto podem ser delicadas só ajuda.

O que eu busco é a troca... Para isso, nada melhor do que aproveitar essa ferramenta incrível chamada internet, que permite que a circulação da informação e do conhecimento seja muito mais veloz. 



01 outubro, 2016

Informação pelo controle remoto...

O programa Globo Repórter do dia 30/09 trouxe dois temas que já são bem falados mas, na prática, ainda cobertos de mitos e 'achismos'.

Hipertensão e Diabetes são duas doenças crônicas que, infelizmente, tem sido mais diagnosticados ultimamente. Além de outras coisas, as duas tem em comum o fato de serem silenciosas. Os sintomas nem sempre são conhecidos e isso acaba trazendo ainda mais riscos.

Mais especificamente sobre o diabetes, eu me incluo nesse número de pessoas que, até o diagnóstico, mal sabia a diferença entre os tipos 1 e 2. Esse, na minha opinião, ainda é um dos maiores problemas: a falta de informações ao alcance das pessoas.

Claro que acho ótimo ter um programa na TV aberta tratando sobre o assunto, mas mesmo num programa que foi planejado e pensado, visando esclarecer dúvidas e alertar sobre essas condições de saúde, os estigmas estavam lá: ainda na abertura, os 14 milhões de diabéticos do Brasil foram classificados como os que "enfrentam as limitações causadas pelo diabetes", cuja origem está no "sedentarismo e excesso de peso".

Opa!! Calma aí...
Doença autoimune não tem qualquer influencia com isso. E, por mais que ainda seja difícil acreditar, nós vivemos bem e sem limitações sim.

Não sem um esforço e menos ainda sem o cuidado e o tratamento necessários, mas é possível viver bem e evitar as complicações.

Bom, ato falho - que me incomodou mesmo! - para trás, e o programa seguiu bem.

Foram apresentadas as particularidades do DM1 e do DM2, foram levantados os riscos e as complicações que podem surgir quando não se tem um bom controle glicêmico e, principalmente, foram mostrados exemplos de que se pode conviver numa boa com a doçura.

Gostei de ver o destaque dado para a importância da educação em diabetes. Apesar de não terem usado esse termo em nenhum momento, o contexto do que foi apresentado foi exatamente este.

A abordagem da questão de ganho de peso, que pode vir com o uso da insulina, foi muito importante também. Esse é um ponto delicado e que não pode ser deixado de lado (recentemente foi divulgada uma notícia de morte por diabulimia que pegou de jeito quem convive com essa condição...).

Uma outra coisa que ficou bem clara é como o apoio da família - ou a falta dele - interferem. De um lado, a família que se integra ao tratamento do docinho. Que cuida, acompanha, participa. Do outro, a mulher que nem almoça mais com o marido, pois ele não abre mão de uma dieta mais equilibrada pela gordura de todo dia.

Aqui, só para lembrar, cabe uma observação: a alimentação saudável e equilibrada é recomendada para todos, com DM ou não, já me disse uma vez a minha Super Endócrino!

A ênfase de que o caminho pode ser cheio de restrições não passou despercebida. Não nego que existem obstáculos, mas volto a repetir que quanto mais sabemos e nos envolvemos com a nossa condição, mais liberdade vamos ter.

Por fim, destaco a fala da coordenadora do grupo de docinhos que, juntos, seguem no caminho de exercícios e troca de conhecimento: "por causa da falta de informação, muitos diabéticos tem uma qualidade de vida ruim". Entender a 'doença' é fundamental, não vou me cansar de dizer!!

Volto ao ponto da alimentação: a visão quadrada de que somente os doces são uma "restrição" também foi derrubada. Mas teve um ato falho quando disseram que o molho da massa ajuda a equilibrar. Depende, né... Mas o recado ficou claro quando colocado que uma composição com fibras e proteínas ajuda na absorção dos carboidratos.

E, falando neles, foi levantada a bola da contagem dos carboidratos. Ótimo, mas poderiam ter entrado um pouquinho mais no assunto, já que ainda é um tanto desconhecido.

Num balanço geral, fico feliz por ver o diabetes como centro das atenções. É preciso falar sobre o diabetes, sempre! Uma doença que pode ser bem controlada, mas que ainda carrega o peso de ser uma doença fatal, quase uma sentença...

Para quem quiser ver o programa na íntegra, é só entrar nesse link: Globo Repórter 30/09/2016.

Ver uma emissora aberta que tem um grande alcance dando atenção aos efeitos positivos trazidos pela influência do conhecimento e da informação no tratamento foi um alento!