Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

10 agosto, 2016

Liberdade com obstáculos...

Era uma vez um glicosímetro que causou encantamento absoluto com a proposta de substituir os furinhos no dedo...

Mas como tudo que é novo, só com o uso é que vamos avaliando a evolução e o aproveitamento máximo das coisas. Com o Libre também tem sido assim.

Me dei super bem com o primeiro sensor (apesar de ter arrancado do braço por ser um tantinho estabanada...) e com o segundo e o terceiro foi assim também. Medições bem próximas entre a leitura do Libre e a glicemia capilar, tendo inclusive ocorrido resultados exatamente iguais.

Estou com o quarto sensor, ou seja, até aqui são quase dois meses usando. E, porque não dizer, testando. A tecnologia é nova e o uso no Brasil bem recente. Com a oportunidade, decidi comprar quando a venda foi autorizada e não me arrependo. Só que este sensor que está no meu braço já começou apresentando bastante diferença nas primeiras medições...

Esperei algumas horas para não tirar qualquer conclusão precipitada, mas ao longo do dia 1 já fui percebendo que algo não estava certo.

Não fazia qualquer sentido o sensor apresentar uma leitura de LO (indicando que a glicemia estava abaixo de 50mg/dL) enquanto o furo no dedo dava 105mg/dL. Neste mesmo dia, mais discrepância: 53mg/dL Libre X 141 mg/dL no FreeStyle Optium. Durante o final de semana, o descompasso continuou: 151mg/dL Libre X 197mg/dL Optium; 160mg/dL Libre X 105mg/dL Optium; 257mg/dL Libre X 171mg/dL Optium.

Acabei entrando em contato com a Abbott no primeiro dia mesmo para registrar minha insatisfação com a diferença entre uma hipoglicemia e uma glicemia razoável medidas exatamente no mesmo horário, em glicosímetros do mesmo laboratório.

Me pediram para monitorar por mais tempo, visto que ainda era o primeiro dia de uso deste novo sensor. Segui assim por mais três dias e no quarto liguei novamente informando sobre as diferenças que continuavam muito grandes. No quinto dia do sensor, me retornaram. Uma hora e meia de ligação enquanto, segundo eles, eram realizados "testes de sistema". Por fim, depois de tentarem me enviar tiras testes novas (recusei, já que as minhas estavam dentro do período de validade e sabia que não era isso a causa do problema), solicitarem que medisse a capilar no próprio leitor o Libre (já vinha fazendo isso!) e reavaliarem todos os valores díspares que eu havia informado, a posição é que estas discrepâncias são consideradas "normais e aceitáveis", segundo o setor de qualidade do Laboratório.

- Você sabe o que é diabetes?
Esta foi a pergunta que eu fiz para a supervisora que me atendia.
Sim, qualquer ser humano que tenha um mínimo de conhecimento sobre a 'doença' sabe que para compensar uma hipoglicemia é preciso ingerir açúcar; por outro lado, para corrigir uma glicemia alterada, é necessário usar insulina.

Perguntei a ela se ela entendia que se eu tomasse insulina e estivesse de fato hipoglicêmica poderia chegar a um estado de coma, nem sempre reversível, causado por uma queda brusca de glicose.

A briga foi grande!! A decepção e a irritação maiores ainda.
Como confiar daqui para frente?
Solicitei registro de nova reclamação quando ela me disse que "daria ciência" à tal área de qualidade.
Não! Sinto muito, mas isto não me atende. Existe risco envolvido. Existe a minha saúde e a de tantos outros docinhos em jogo.
E por isso, ciência eu vou dar sim, mas à ANVISA.

O curioso é que a própria Abbott pergunta se pode nos contactar para acompanhamento do uso do Libre logo que fazemos a compra. Para que?! Para não dar ouvidos ao paciente e nem levar em consideração uma situação que pode trazer graves consequências?

Não vou abandonar o Libre de vez, não é isso que eu quero. O que quero é contribuir com a minha experiência para que qualquer aprimoramento e ajuste deste sistema de medição seja feito, para garantir a tranquilidade e a facilidade que o produto propõe.

E deixo no ar uma questão bem simples: se é preciso seguir comparando - mesmo após os 3 ou 4 primeiros dias de aplicação do sensor - as glicemias intersticial (a do braço, através do sensor) e capilar (a da pontinha de dedo), qual o propósito do sensor que promete livrar os diabéticos dos furos nos dedos?



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