Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

31 maio, 2016

Tabagismo x Diabetes.

Venho falando muito na influência da alimentação para manter a glicemia em ordem, mas também já é de grande conhecimento que outros fatores podem ajudar: manter uma rotina constante de exercícios, não esquecer as doses dos medicamentos, não deixar de ir às consultas previstas... mas pouco (na verdade, praticamente nada) se fala sobre a influencia do tabaco no controle do diabetes.

O cigarro, o fumo constante, raramente é levado em conta nas campanhas de controle ou prevenção contra diabetes.

Ano passado tive a oportunidade de participar do VIII Seminário de Alianças Estratégicas para Promoção da Saúde. Fui convidada pela minha amiga Anna Monteiro, que é Diretora de Comunicação da ACT+ (Aliança de Controle ao Tabagismo e Saúde).

Entre tantos assuntos, as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT):
- Doenças cardiovasculares;
- Câncer;
- Doenças respiratórias crônicas;
- Diabetes.

E um dado chamou a atenção: em 2007, aproximadamente 72% das mortes no Brasil foram causadas pelas DCNT! Mortes prematuras, de pessoas em idades produtivas - entre 30 e 70 anos, que poderiam ser evitadas através de "políticas públicas de saúde, enfrentamento e prevenção", como bem coloca a ACT+.

Os fatores de risco para as doenças crônicas não transmissíveis são o sedentarismo, a má alimentação, o uso nocivo do álcool e o tabagismo. Dentro do tema diabetes, a relação entre complicações, descontrole e o cigarro, mesmo quando se trata de fumantes passivos. Além disso, já foi comprovado que o tabagismo também é um fator que pode influenciar no surgimento do diabetes tipo 2. Num artigo publicado pela Sociedade Brasileira de Diabetes em 2014, o Dr. Augusto Pimazoni Netto (Coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim da UNIFESP) fala mais sobre a questão.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, "o tabagismo é a principal causa de morte evitável no mundo, respondendo por 63% dos óbitos relacionados a doenças crônicas não transmissíveis...". Por isso, em 1987 foi criado o Dia Mundial sem Tabaco, estipulando a data de 31 de maio, para ser usado como um alerta coletivo.

A ACT+ lançou recentemente a campanha #AcabouODisfarce, com uma petição pelas embalagens de cigarro padronizadas: "a proposta é tornar a embalagem igual para todas as marcas de cigarro, padronizadas em termos de forma, tamanho, modo de abertura, cor, fonte, livre de marcas, design e logos, tirando o 'glamour' dos designa atraentes".

Para conhecer mais e assinar a petição, é só acessar esse link.

Parece desnecessário, parece exagerado, mas não é.
Quando se trata de saúde, entender o problema e eliminar o risco são sempre boas decisões!












07 maio, 2016

Da doce escolha...

Essa semana tive a oportunidade de conhecer e bater um papo bem bacana com a mãe de uma docinha recém diagnosticada. 

Entre muitos assuntos, falamos de como é importante que a pequena não perca a confiança de que a vidinha dela vai seguir numa boa, mesmo com toda a rotina de furos e glicemias e injeções.

Para isso, tão importante quanto a postura dos pais no dia a dia (mesmo quando eles estão cheios de dúvidas e medos) é fundamental que a família, a escola e quem convive com a criança jamais sintam e demonstrem pena.

Sim, pequenos não deveriam ficar doentes nem precisar ser submetido a tratamentos invasivos. Mas sim, isso acontece. E a pena só vai trazer insegurança.

O diabetes é tratável e quando bem controlado, não traz qualquer problema. Pode ballet, pode brigadeiro de vez em quando, pode futebol, pode biscoito... O que não pode é achar que a partir do diagnóstico a gente não pode mais nada.

Estou lendo um livro ('Toda luz que não podemos ver, do Anthony Doerr - recomendo!) e hoje um trechinho me pegou de jeito: "...as pessoas disseram que eu era corajosa. Mas não era coragem; eu não tinha escolha. Acordo todos os dias e vivo minha vida. Você não faz a mesma coisa?"

É isso! Não tem coragem, tem o fato de que é as vezes é a única opção. 

Quantas vezes já ouvi "se fosse comigo, eu não ia conseguir"; "eu jamais viveria tomando injeções todo dia"; "acho que eu morro se tiver diabetes".
Não, acredite em mim, não morreria!

Você não quer morrer sabendo que existe tratamento. Você não quer morrer sabendo que pode se cuidar e viver super bem. Não se trata de coragem, se trata de escolha. 
Os dias chatos acontecem, o cansaço aparece, a paciência some, mas tudo isso passa. 

Outra pergunta que já me fizeram diversas vezes é sobre o que me motiva a seguir no tratamento. A resposta é simples: viver.

Viver no sentido pleno. 
Viver e viajar. Viver e ir ao cinema. 
Viver e trabalhar, estudar, passear. 
Dormir e acordar e decidir fazer de cada dia o que eu quiser, como eu quiser. Sempre muito bem acompanhada do meu glicosimetro e das minhas insulinas (gratidão sempre, Sir Frederick Banting!!).
Não é?!
Agora peço licença, que o dia está só começando. Vou ali, volto já! 

02 maio, 2016

A saga da balança...

Esse negócio de peso é chato, viu!

Quando fui diagnosticada estava com 49kg. Muito baixo considerando que tenho 1,65m de altura. Na época, meu tratamento era com a NPH e em menos de um mês engordei 6kg!

Até chegar num equilíbrio glicemias x insulina x quilos a mais x quilos a menos, foi um tempo.

Agora, com a Levemir, as glicemias andam bem boas e bem controladas.

Ou andavam. Esse ano o tal do peso deu defeito de novo e aí...

Há pouco mais de um mês, tive consulta com a minha super Endócrino e uma surpresa: tinha perdido mais peso ainda do que o saldo pós carnaval. A viagem para o sossego depois da folia certamente era o grande fator causador, por conta das caminhadas sem fim pelo paraíso.
Saí do consultório com uma ordem: 1,5kg a mais, em 30 dias.

Na última semana voltei para nova consulta: somente mínimos 50g na conta! Uma chamada de atenção grande e uma nova meta estabelecida: 2kg em 60 dias.
Para ajudar neste processo, além do glucerna - agora acompanhado pelo leite integral em substituição ao desnatado, um ajuste na quantidade de carboidratos das refeições e um outro suplemento após o pilates (ForteFit). Atenção ainda maior nas glicemias para ver como iriam se comportar com todos esses ajustes.

Hoje, quase uma semana funcionando com a dieta revisada, um sinal de que as coisas estavam saindo do eixo. A glicemia após o pilates (e 2 horas após o jejum) estava ótima: 103 mg/dL. Tomei o suplemento e medi duas horas depois: 231 mg/dL! Correções feitas, endócrino devidamente comunicada e um monitoramento intenso durante toda a tarde.

Menos de duas horas e doçura no limite de uma hipoglicemia!

Com estas variações, a irritação já estava rondando... E aí, na hora de compensar a hipo, um certo exagero consciente. Duas horas depois, resultado?? 231 mg/dL!!

Que dia estranho (chato).

Enfim, proposta de fazer mais um dia de teste com o suplemento e se as glicemias permanecerem esquisitas, mudamos o esquema.

Alguns dias de espera (próxima aula de pilates só daqui a 4 dias) e a expectativa pelo bom comportamento do docinho.