Para (se) cuidar bem...

Muito se fala sobre o paciente assumir e se colocar numa posição de 'dono' da sua condição. Em termos mais claros, isso se chama autocuidado.
Eu concordo totalmente e essa é uma das razões que me levam sempre a buscar entender cada parte do meu tratamento e novas informações sobre o diabetes. O que significa um novo exame pedido, porque mudar de insulina...

Mas o que tenho percebido, na prática, é que muitas vezes não é dada ao paciente a base para ele se cuidar adequadamente.



Seja porque as consultas são rápidas, seja por falta de equipe multidisciplinar acompanhando os atendimentos, tenho visto - e escutado - cada vez mais docinhos com dúvidas primárias. Destes, os recém-diagnosticados são os que mais se perdem e parecem não ter recebido a correta orientação.

Acompanho alguns grupos de diabetes nas redes sociais e a cada dia estas situações são mais frequentes. Pessoas recorrem aos grupos para tirar dúvidas corriqueiras que deveriam ter sido esclarecidas no momento da consulta, pelos especialistas que fizeram o atendimento.



Perguntas sobre quantas vezes as agulhas e as lancetas podem ser utilizadas, sobre como usar a caneta, sobre os locais de aplicação, sobre a diferença entre uma insulina NPH e uma insulina análoga...
Nós não temos qualquer obrigação de conhecer esses procedimentos. Eu mesma, antes do diagnóstico, mal sabia diferenciar o diabetes tipo 1 do tipo 2. Cabe ao profissional de saúde que fez o diagnóstico explicar, demonstrar. A gente nunca vai ter dúvidas sobre o que não conhece!

Não adianta querer mudar um tratamento, por exemplo, sem se certificar que o paciente aprendeu a operar a bomba de insulina. O que é óbvio para um médico, como saber que a caneta de insulina pode ser descartável ou para refil e que elas não vem com as agulhas, pode nem passar pela cabeça de uma pessoa que acabou de sair do consultório com uma receita na mão. Não adianta indicar qual a dose de insulina se não houver orientações acerca dos cuidados para transporte e armazenamento.

É preciso esclarecer desde o primeiro minuto. Trabalhar junto: equipe de saúde e paciente!
O nome disso é educação em diabetes e ela é tão essencial para o tratamento quando o controle de glicemias e as injeções diárias.

Não saber se uma glicemia de 100mg/dL ou uma de 250mg/dL estão satisfatórias ou não, não ter a compreensão sobre o risco que pode representar uma hemoglobina glicada maior que 8% ou 9%, não conhecer os sintomas de uma hipoglicemia ou a influência direta dos alimentos na variação glicêmica é muito sério. E quem fica vulnerável com toda essa falta de informação e entendimento é o paciente.

Entender o que está sendo feito ou o que aparece na tela do glicosímetro é essencial para um bom tratamento e um bom controle. Saber quais as conseqüências e as complicações da falta de cuidado adequado também.

O autocuidado começa com a correta orientação pelo médico e segue com a compreensão plena do paciente. É preciso cuidar das pessoas com diabetes tanto quanto do diabetes.
A partir daí, então, cada um tem que fazer a sua parte.

Se você é um docinho e tem qualquer dúvida, pergunte.
Ouvir de um igual, daquela outra pessoa que também convive com a doçura do diabetes, é ótimo e traz um certo conforto, mas jamais deixe de recorrer a um médico nessas situações.

O tratamento é a nossa garantia de vida.





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