Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

29 março, 2017

Para (se) cuidar bem...

Muito se fala sobre o paciente assumir e se colocar numa posição de 'dono' da sua condição. Em termos mais claros, isso se chama autocuidado.
Eu concordo totalmente e essa é uma das razões que me levam sempre a buscar entender cada parte do meu tratamento e novas informações sobre o diabetes. O que significa um novo exame pedido, porque mudar de insulina...

Mas o que tenho percebido, na prática, é que muitas vezes não é dada ao paciente a base para ele se cuidar adequadamente.



Seja porque as consultas são rápidas, seja por falta de equipe multidisciplinar acompanhando os atendimentos, tenho visto - e escutado - cada vez mais docinhos com dúvidas primárias. Destes, os recém-diagnosticados são os que mais se perdem e parecem não ter recebido a correta orientação.

Acompanho alguns grupos de diabetes nas redes sociais e a cada dia estas situações são mais frequentes. Pessoas recorrem aos grupos para tirar dúvidas corriqueiras que deveriam ter sido esclarecidas no momento da consulta, pelos especialistas que fizeram o atendimento.



Perguntas sobre quantas vezes as agulhas e as lancetas podem ser utilizadas, sobre como usar a caneta, sobre os locais de aplicação, sobre a diferença entre uma insulina NPH e uma insulina análoga...
Nós não temos qualquer obrigação de conhecer esses procedimentos. Eu mesma, antes do diagnóstico, mal sabia diferenciar o diabetes tipo 1 do tipo 2. Cabe ao profissional de saúde que fez o diagnóstico explicar, demonstrar. A gente nunca vai ter dúvidas sobre o que não conhece!

Não adianta querer mudar um tratamento, por exemplo, sem se certificar que o paciente aprendeu a operar a bomba de insulina. O que é óbvio para um médico, como saber que a caneta de insulina pode ser descartável ou para refil e que elas não vem com as agulhas, pode nem passar pela cabeça de uma pessoa que acabou de sair do consultório com uma receita na mão. Não adianta indicar qual a dose de insulina se não houver orientações acerca dos cuidados para transporte e armazenamento.

É preciso esclarecer desde o primeiro minuto. Trabalhar junto: equipe de saúde e paciente!
O nome disso é educação em diabetes e ela é tão essencial para o tratamento quando o controle de glicemias e as injeções diárias.

Não saber se uma glicemia de 100mg/dL ou uma de 250mg/dL estão satisfatórias ou não, não ter a compreensão sobre o risco que pode representar uma hemoglobina glicada maior que 8% ou 9%, não conhecer os sintomas de uma hipoglicemia ou a influência direta dos alimentos na variação glicêmica é muito sério. E quem fica vulnerável com toda essa falta de informação e entendimento é o paciente.

Entender o que está sendo feito ou o que aparece na tela do glicosímetro é essencial para um bom tratamento e um bom controle. Saber quais as conseqüências e as complicações da falta de cuidado adequado também.

O autocuidado começa com a correta orientação pelo médico e segue com a compreensão plena do paciente. É preciso cuidar das pessoas com diabetes tanto quanto do diabetes.
A partir daí, então, cada um tem que fazer a sua parte.

Se você é um docinho e tem qualquer dúvida, pergunte.
Ouvir de um igual, daquela outra pessoa que também convive com a doçura do diabetes, é ótimo e traz um certo conforto, mas jamais deixe de recorrer a um médico nessas situações.

O tratamento é a nossa garantia de vida.





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