Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

04 agosto, 2016

Sobre o jogo da vida...

Começaram os jogos olímpicos.

Admiro nossos atletas, que vão alem do esforço físico para alcançar a oportunidade de poder participar de uma das maiores competições do esporte mundial.
A luta não é somente pela vaga, esse seria o ideal. Só que no Brasil nossos esportistas lutam contra a falta de local adequado para treinar, lutam contra a falta de dinheiro para se manter, lutam contra a falta de patrocínio.

Para eles, minha maior admiração por ainda assim seguirem de cabeça erguida atrás do objetivo. Que agora, dentro do próprio país, consigam o melhor em cada minuto competindo!

Mas minha torcida se estende um pouquinho mais... Desta vez ela também é declarada à cada 'atleta' brasileiro e doce que está em todo canto verde e amarelo.

Modalidade olímpica nesse país tem sido corrida atrás de tiras testes, salto em obstáculos para garantir um análogo de insulina, revezamento mensal de disponibilidade de insumos.

'Doping' aqui é garantia de vida: um dia sem insulina leva à 'glicemias dessincronizadas' e não queiram imaginar as consequências disso!

Os cinco anéis olímpicos entrelaçados representam os cinco continentes.

(Anéis Olímpicos Parque Madureia - Foto: Walter Pereira)




Pois faço proveito do número e cito as cinco complicações mais frequentes causadas pela falta de controle do diabetes:

- neuropatias (complicações neurológicas);
- nefropatia (complicações nos rins);
- cardiopatia (complicações no coração);
- retinopatia (perda parcial ou até total da visão);
- doença arterial periférica (redução do fluxo de sangue para os pés).










Conhecimento é fundamental e não me canso de dizer que faz parte de um tratamento eficaz; não seria desta vez que eu me eximiria de levantar essa bandeira.

O fato é que somente conhecimento não traz eficácia e garantia de saúde. A realidade da falta constante do que é básico para cada pessoa que vive com diabetes é dura e pode trazer problemas irreversíveis.

O diabetes não é sentença, a falta de recursos é.
A falta de insulinas, de tirinhas, de médicos especialistas e de educação em diabetes é.
A falta de respeito é.

De novo: prezo pelos nossos esportistas, dedicados, incansáveis.
Mas enquanto a saúde ficar de lado, não temos medalha de ouro.
Enquanto o diabetes não for tratado com a atenção devida, não temos prata.
Enquanto não houver prioridade no trato com os diabéticos, nem o bronze vale.

Até lá, fico com este símbolo aí:

Meu grito é azul. Minha torcida é azul.
Meu time é azul e essa competição segue até que cada um tenha condição de chegar ao pódio em segurança.


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